As doenças de plantas representam um dos maiores desafios para a agricultura brasileira, impactando diretamente a produtividade, a qualidade dos alimentos e a rentabilidade dos produtores. 

Identificar os agentes causadores, compreender os mecanismos de transmissão e implementar estratégias de manejo eficientes são passos cruciais para proteger as lavouras e garantir a segurança alimentar.  

Neste artigo, saiba quais são as doenças de plantas mais incidentes nas lavouras brasileiras, as características dos principais agentes causadores (fungos, bactérias, vírus e nematoides) até as estratégias de controle e manejo integrado mais indicadas. 

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Principais doenças de plantas no Brasil 

O Brasil, com sua vasta extensão territorial e diversidade climática, apresenta uma grande variedade de doenças de plantas que afetam as lavouras. Algumas das doenças mais comuns que causam grandes prejuízos à agricultura brasileira são: 

  • Ferrugem asiática da soja: causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das doenças de plantas mais devastadoras para a cultura da soja, causando perdas significativas na produtividade. 
  • Mancha-alvo: causada pelo fungo Corynespora cassiicola, afeta diversas culturas, como soja, algodão e feijão, causando desfolha e redução na produtividade. 
  • Mofo branco: causada pelo fungo Sclerotinia sclerotiorum, ataca diversas culturas, como feijão, soja, girassol e tomate, causando podridão nos tecidos e perdas na produção. 
  • Podridão-radicular de Phytophthora: causada por oomicetos do gênero Phytophthora, afeta diversas culturas, como soja, feijão e citros, causando podridão nas raízes e morte das plantas. 

Além dessas, outras doenças de plantas também são importantes em diferentes regiões do Brasil, como as causadas por bactérias (cancro cítrico, murcha bacteriana), vírus (mosaico comum do feijoeiro, geminivirus em diversas culturas) e outros patógenos. 

Doenças de plantas causadas por fungos 

As doenças de plantas causadas por fungos são as mais comuns e representam um grande desafio para a agricultura. Os fungos são microrganismos que se alimentam de matéria orgânica e se reproduzem através de esporos, que são disseminados pelo vento, pela água, por insetos ou por sementes contaminadas. 

As doenças fúngicas podem afetar todas as partes da planta, desde as raízes até as folhas, os frutos e as sementes.  

Exemplos de doenças de plantas causadas por fungos são: 

  • Ferrugem asiática da soja (Phakopsora pachyrhizi
  • Mancha-alvo (Corynespora cassiicola
  • Mofo branco (Sclerotinia sclerotiorum
  • Oídio (Erysiphe spp., Podosphaera spp. 
  • Septoriose (Zymoseptoria tritici, sin. Septoria tritici) 
  • Fusariose (Fusarium spp.) 
Vagens com sintomas de antracnose (Colletotrichum spp.)

Sintomas de doenças fúngicas em plantas 

Os sintomas variam de acordo com o tipo de fungo e a cultura afetada, mas geralmente incluem: 

  • Manchas: aparição de manchas de diferentes cores e formatos nas folhas, nos caules ou nos frutos. 
  • Podridões: amaciamento e decomposição dos tecidos da planta, geralmente acompanhados de mau cheiro. 
  • Mofos: crescimento de estruturas pulverulentas ou algodonosas sobre as partes afetadas da planta. 
  • Ferrugens: aparição de pústulas de cor alaranjada ou avermelhada nas folhas e nos caules. 
  • Tombamento: morte súbita de plântulas, causada pelo ataque de fungos que vivem no solo. 

Doenças de plantas causadas por bactérias 

As doenças de plantas causadas por bactérias são menos comuns do que as causadas por fungos, mas também podem causar grandes prejuízos à agricultura. As bactérias são microrganismos unicelulares que se reproduzem rapidamente e se disseminam através da água, do vento, de insetos ou de ferramentas contaminadas. 

As doenças de plantas bacterianas podem afetar todas as partes da planta, desde as raízes até as folhas, os frutos e as sementes. Exemplos incluem: 

  • Murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum
  • Podridão mole (Pectobacterium carotovorum
  • Galho da coroa (Rhizobium radiobacter, sin. Agrobacterium tumefaciens
Podridão-mole em mandioca.
Fonte: Embrapa | Podridão-mole da mandioca causada pelo Phytopythium sp.

Sintomas de doenças causadas por bactérias 

Os sintomas das doenças de plantas causadas por bactérias variam de acordo com o tipo de bactéria e a cultura afetada, mas alguns dos sintomas mais comuns são: 

  • Manchas: aparição de manchas de diferentes cores e formatos nas folhas, nos caules ou nos frutos. As manchas causadas por bactérias geralmente apresentam um halo amarelado ao redor. 
  • Podridões: amaciamento e decomposição dos tecidos da planta, geralmente acompanhados de mau cheiro. 
  • Murchas: enrolamento e secagem das folhas e dos ramos, causados pela obstrução dos vasos condutores da planta. 
  • Galhas: tumores ou crescimentos anormais nos caules, nas raízes ou nas folhas. 
  • Cancros: lesões profundas e necrosadas nos caules e nos ramos. 

Doenças de plantas causadas por vírus 

As doenças de plantas causadas por vírus são transmitidas por vetores, como insetos, nematoides ou ácaros, ou por contato mecânico entre plantas doentes e sadias. Os vírus são capazes de se multiplicar dentro das células da planta, causando alterações no seu metabolismo e no seu desenvolvimento. 

Os vírus também podem afetar todas as partes da planta, desde as raízes até as folhas, os frutos e as sementes. 

Alguns exemplos são: 

  • Mosaico comum do feijoeiro (Bean common mosaic virus – BCMV) 
  • Geminivirus em diversas culturas (Geminiviridae
  • Mosaico do pepino (Cucumber mosaic virus – CMV) 
  • Tristeza dos citros (Citrus tristeza virus – CTV) 

No Brasil, os principais vetores são pulgões (Aphididae) e mosca-branca (Bemisia tabaci); há casos por tripes, ácaros e alguns por nematoides, conforme o sistema. 

Mosca-branca Bemisia tabaci

Sintomas de doenças causadas por vírus 

Os sintomas das doenças de plantas causadas por vírus variam de acordo com o tipo de vírus e a cultura afetada, mas alguns dos sintomas mais comuns são: 

  • Mosaicos: aparição de áreas claras e escuras nas folhas, formando um padrão irregular. 
  • Anelamentos: aparição de manchas circulares nas folhas e nos frutos. 
  • Deformações: enrolamento, encarquilhamento ou deformação das folhas, dos caules ou dos frutos. 
  • Nanismo: redução no tamanho da planta. 
  • Redução na produtividade: diminuição na quantidade e na qualidade dos frutos e das sementes. 

Doenças de plantas causadas por nematoides 

As doenças de plantas causadas por nematoides são causadas por vermes microscópicos que vivem no solo e se alimentam das raízes das plantas. Os nematoides podem causar danos diretos às raízes, como a formação de galhas e lesões, ou indiretos, como a redução na absorção de água e nutrientes. 

As doenças de plantas causadas por nematoides podem afetar diversas culturas, como soja, algodão, milho, café, cana-de-açúcar, hortaliças e frutíferas. 

Entre as principais, destacam-se: 

  • Nematoide do cisto da soja (Heterodera glycines
Imagem microscópica de um nematoide-das-lesões em amostra de solo, mostrando seu corpo alongado e translúcido cercado por partículas orgânicas e microrganismos.

Sintomas de doenças causadas por nematoides 

Os sintomas das doenças de plantas causadas por nematoides variam de acordo com o tipo de nematoide e a cultura afetada, mas alguns dos sintomas mais comuns são: 

  • Nanismo: redução no tamanho da planta. 
  • Amarelecimento: clorose (amarelecimento) das folhas. 
  • Murcha: enrolamento e secagem das folhas, mesmo com umidade adequada no solo. 
  • Galhas nas raízes: tumores ou crescimentos anormais nas raízes. 
  • Lesões nas raízes: feridas ou áreas necrosadas nas raízes. 
  • Redução na produtividade: diminuição na quantidade e na qualidade dos frutos e das sementes. 

Fatores que favorecem o surgimento de doenças em plantas em lavouras brasileiras 

O surgimento e a disseminação das doenças em plantas nas lavouras brasileiras são influenciados por vários fatores interdependentes. 

  1. Clima: o clima tropical e subtropical do país, caracterizado por elevada umidade e temperaturas amenas a elevadas, cria condições favoráveis para a proliferação de diversos patógenos agrícolas, como fungos, bactérias e vírus. 
  1. Monocultura: a monocultura prolongada e a falta de rotação de culturas aumentam a pressão de inoculação e facilitam o acúmulo de inoculo no solo.  
  1. Práticas inadequadas de manejo: como irrigação excessiva ou insuficiente, fertilização desequilibrada e o uso indiscriminado de defensivos, também comprometem a saúde das plantas, tornando-as mais suscetíveis a infecções.  

O impacto das doenças na produtividade é exacerbado quando esses fatores ambientais e culturais convergem. 

Estratégias de controle e manejo integrado de doenças (MID) 

O controle eficiente de doenças de plantas depende da adoção do manejo integrado de doenças (MID), que combina medidas preventivas, biológicas, químicas, culturais e ambientais para minimizar os danos causados pelos patógenos agrícolas de forma sustentável. 

Manejo preventivo 

O manejo preventivo é a base do MID e inclui práticas como: 

  • utilização de sementes certificadas e cultivares resistentes; 
  • rotação de culturas para evitar o acúmulo de patógenos específicos; 
  • tratamento de sementes quando indicado;  
  • vazio sanitário/janelas de semeadura (quando aplicável, ex.: ferrugem-asiática da soja). 
  • realização de diagnósticos de doenças em plantas para monitorar e identificar precocemente os agentes causadores. 

A correta identificação dos sintomas e o monitoramento constante das lavouras possibilitam intervenções rápidas antes que a doença se espalhe, reduzindo o impacto na produção. 

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Manejo biológico e químico 

O manejo biológico envolve o uso de organismos benéficos, como fungos e bactérias antagonistas, que competem ou inibem o crescimento dos patógenos, promovendo o equilíbrio natural do solo e das plantas.  

Já o manejo químico utiliza fungicidas e nematicidas para prevenir as doenças nas lavouras e controlar o inóculo de infecções estabelecidas.  

A integração dessas duas abordagens promove um controle eficiente e reduz os impactos negativos ao meio ambiente. 

Manejo cultural e ambiental 

Práticas culturais e ambientais complementam o MID, como: 

  • manejo adequado da irrigação; 
  • controle da densidade de plantio para melhorar a circulação de ar; 
  • poda de plantas doentes; 
  • manejo do solo para melhorar suas condições físicas e químicas.  

A manutenção da biodiversidade e o controle de plantas daninhas também são essenciais para prevenir a proliferação de patógenos. Essas ações fortalecem a resistência das plantas e ajudam a manter um agroecossistema equilibrado, essencial para a sustentabilidade das lavouras. 

Agrônoma avaliando a plantação de milho, com prancheta em mãos para registrar observações técnicas.

O enfrentamento das doenças de plantas em lavouras brasileiras requer uma abordagem integrada e contínua que combine o conhecimento técnico detalhado sobre os tipos de doenças, diagnóstico preciso e a adoção de estratégias variadas de manejo.  

Entender os fatores ambientais e culturais que favorecem o surgimento dos patógenos agrícolas é fundamental para implementar um manejo eficaz que envolva prevenção e controle.  

Essa estratégia integrada maximiza os resultados, minimiza perdas e impactos negativos, garantindo a saúde das plantas e a produtividade das lavouras. A adoção do manejo integrado de doenças contribui para a sustentabilidade agrícola e fortalece a segurança alimentar ao reduzir os efeitos nefastos das pragas e doenças em plantas. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, com o objetivo de impulsionar o agronegócio brasileiro com qualidade e inovações tecnológicas. 

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