A atividade agrícola depende diretamente da conservação dos solos, pois esse é o recurso fundamental para aumentar o potencial produtivo das culturas, afinal, nele estão contidos todos os outros fatores essenciais para o desenvolvimento das plantas, tais como água, nutrientes e carbono.

Em um contexto em que a demanda por alimentos só aumenta a cada ano, porém 40% das áreas agricultáveis do mundo se encontram em processo de degradação, recuperar a saúde do solo se torna uma missão global – ainda mais considerando sua importância no processo de sequestro de GEE (gases de efeito estufa). Nesse assunto, o Brasil é especialista, em grande parte por conta da incrível conquista em conseguir tornar áreas do Cerrado aptas à produção agrícola.

A aplicação de técnicas que auxiliam a produção em quantidade e com qualidade em uma região de solos ácidos e com déficit de nutrientes, cuja distribuição de chuvas é irregular ao longo do ano, criou uma agricultura própria do clima tropical jamais vista, que, inclusive, alcança resultados superiores de rendimento de grãos. Como isso foi possível, se há 50 anos o Cerrado era considerado impróprio para cultivo? A resposta está na saúde do solo e na agricultura conservacionista, a partir de:

  • práticas de calagem e fertilização;
  • desenvolvimento de variedades mais adaptadas à região;
  • SPD (Sistema de Plantio Direto) para melhorar a matéria orgânica;
  • integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF);
  • rotação de culturas, como por exemplo, a inserção de uma segunda safra de milho e de períodos de gramíneas para pastagem.

O empenho em encontrar técnicas que permitissem a agricultura no Cerrado colocam o Brasil como inovador e pioneiro em um tema que atualmente preocupa ambientalistas e agrônomos no mundo todo: a recuperação e a manutenção da saúde dos solos por meio do sistema agrícola.

A emergência do assunto e a expertise dos brasileiros levou a Syngenta a uma iniciativa que, sem dúvidas, fará a diferença: o lançamento do curso Saúde do Solo. O conteúdo exclusivo e gratuito é oferecido pela plataforma Aplica Certo, criada para atender à necessidade do produtor rural de ter acesso a conhecimentos atualizados do setor de maneira simplificada. Quem tem interesse em receber o certificado de especialização em saúde do solo pode usar este guia introdutório como uma degustação do que é abordado pelos especialistas da plataforma Aplica Certo.

O que é saúde do solo?

A saúde do solo está relacionada à sua conservação biológica, a partir de técnicas que promovem melhorias no conteúdo da matéria orgânica, nas propriedades físicas e no teor nutricional. Rotação de culturas, uso de adubos verdes, cultivo de gramíneas com raízes profundas e barreiras vegetais são exemplos de práticas aplicadas para tais fins. Confira as características de um solo saudável:

  • boa atividade biológica;
  • alta produtividade;
  • capacidade de armazenamento de água;
  • eficácia no sequestro de carbono;
  • eficiência na degradação de substâncias químicas.

Por outro lado, a conservação do solo vai um pouco além disso, pois abrange também a conservação mecânica, que visa a proteção contra a erosão, a partir de estratégias que modificam a inclinação do solo, para eficiência do uso da água e uso de terrenos íngremes.

A compreensão e o aperfeiçoamento dessas técnicas, que envolvem as boas práticas agrícolas, são de extrema importância para que a agricultura possa continuar crescendo em equilíbrio com o ecossistema dos solos, visto que é esse ecossistema que permite um desenvolvimento de plantas vigoroso. Os microrganismos são responsáveis pela decomposição da matéria orgânica, realizando a ciclagem de nutrientes e permitindo a proteção do potencial produtivo da cultura.

Ainda assim, não é necessário um aprofundamento em microbiologia para entender que a saúde do solo é, de fato, indispensável para o impulsionamento do setor, pois permite a expansão das áreas destinadas à atividade agrícola de maneira sustentável e sem a necessidade de abrir novas glebas para plantio, por meio da recuperação do solo. Além disso, aumenta sua vida útil, pela conservação da capacidade produtiva.

Como identificar um solo saudável?

A saúde do solo pode ser mensurada por meio de IQS (indicadores da qualidade do solo), que avaliam as propriedades relacionadas aos processos biológicos, químicos e físicos em relação a parâmetros ideais. A análise microbiológica é a mais importante, pois fornece os indicadores que expressam o nível de desequilíbrio do ambiente e os efeitos que as práticas de manejo adotadas causam na qualidade do solo. Assim, os IQS de destaque na identificação de um solo saudável são:

  • BMS (biomassa microbiana do solo);
  • RBS (respiração basal do solo);
  • qCO2 (quociente metabólico).

Ademais, o componente biológico do solo tem responsabilidade específica no estabelecimento de lavouras saudáveis, conferindo resiliência para as culturas e sustentabilidade para a atividade econômica, algo em que o Brasil já tem experiência por conta de sua atuação em agricultura conservacionista, a partir de técnicas de manejo como o SPD, ILPF entre outras citadas aqui anteriormente. 

Aumentos de produtividade e manutenção do potencial da cultura frente às adversidades ambientais podem ser alcançados quando se verifica a boa atividade biológica. Isso está diretamente relacionado ao armazenamento de matéria orgânica, cuja evolução leva anos para ser notada. Por isso, a avaliação da atividade enzimática do solo é uma alternativa metodológica, pois o fator está diretamente relacionado à matéria orgânica e pode ser observado em um prazo mais curto.

A eficiência das práticas de manejo, no que diz respeito à conservação do solo, pode ser verificada por meio de amostras retiradas nas camadas superficiais, pois a atividade biológica ali já fornece os indicadores necessários para diagnosticar a saúde do solo, sendo um processo mais simples e acessível se comparado com avaliações de amostras de camadas mais profundas.

A imagem a seguir mostra um estudo nesse sentido, que analisa a diferença de amostragens superficiais do solo sob diferentes métodos de manejo, com base na BioAS (bioanálise do solo), uma tecnologia desenvolvida pela Embrapa:

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Comparativo da qualidade do solo submetido a diferentes métodos de manejo. Fonte: Manejo do solo em sistemas integrados de produção, cap. 07. Ed. Atena, 2022.

A saúde do solo impacta a produtividade?

Já foi verificado um incremento de 30 sacas em áreas de cultivo de soja que utilizam técnicas de conservação do solo, devido à implementação ao longo do tempo de sucessão de culturas, manutenção de palhada e consórcio com braquiária. Esses métodos permitiram a proteção da saúde do solo e a elevação do vigor da cultura, em contraste com uma área de monocultivo.

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  • Benefícios gerados pela conservação da saúde do solo. Fonte: Manejo do solo em sistemas integrados de produção, cap. 07. Ed. Atena, 2022.

Um estudo realizado pela Embrapa verificou que a área, após oito safras sob SPD de soja/braquiária, não apresentou diferenças químicas em relação ao solo sob monocultivo, no entanto, a diferença na atividade enzimática foi significativa. Essa análise comprova a ideia de que indicadores biológicos de saúde do solo se manifestam mais cedo e permitem perceber com eficiência a relação entre a saúde do solo e a produtividade. 

Assim, é possível afirmar que as técnicas conservacionistas entregam os seguintes benefícios, que levam à proteção do potencial produtivo:

  • aumento da matéria orgânica;
  • maior agregação do solo;
  • melhoria na infiltração e na retenção de água;
  • maior resiliência do solo;
  • melhor desempenho da cultura de interesse.

Além disso, a área analisada ainda apresentou rápida recuperação após uma condição de veranico, possibilitando a manutenção da produtividade mesmo sob os efeitos da adversidade climática, enquanto a área em monocultivo apresentou perdas nos ciclos seguintes, como pode ser observado no gráfico abaixo.

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Resultados de produtividade de área manejada com técnicas conservacionistas. Fonte: Manejo do solo em sistemas integrados de produção, cap. 07. Ed. Atena, 2022.

Defensivos agrícolas e a saúde do solo

Um assunto que precisa ser estudado com cuidado, para embasar as boas práticas da agricultura, é a relação entre aplicação de defensivos e a saúde do solo. O que se percebe é que o grande problema é o uso indiscriminado das soluções, sem um posicionamento correto ou a devida orientação de um(a) engenheiro(a)-agrônomo(a).

No entanto, o uso de defensivos é indispensável para o tratamento fitossanitário e para o alcance das melhores produtividades. Sobre isso, há um fator que não pode ser ignorado: quando o cultivo é realizado em solos com boa atividade enzimática, há redução no tempo de degradação do produto, o que significa mais uma vantagem dos solos saudáveis para a agricultura.

Diante disso, já foram desenvolvidas moléculas para a composição das soluções fitossanitárias que se degradam mais rapidamente, sem afetar de forma drástica as demais formas de vida presentes no solo, como os microrganismos decompositores e benéficos ao sistema de cultivo. No entanto, para que essa engrenagem gire adequadamente, faz-se mais do que necessário o uso de boas práticas conservacionistas, com base em um manejo que busque aumentar o teor de matéria orgânica, fornecendo as condições ideais para o desenvolvimento e a atividade desses microrganismos.

Saúde do solo no Aplica Certo

O Aplica Certo, uma plataforma da Syngenta que oferece cursos sobre a correta aplicação de produtos, tem como objetivo a transferência tecnológica de práticas de manejo que são essenciais para garantir a saúde do solo e a longevidade da produtividade das terras.

As aulas são todas on-line e gratuitas, com linguagem simples e acessível, entregando o conhecimento técnico que embasa as melhores tomadas de decisão para um cultivo produtivo e em equilíbrio com o ecossistema natural da área. A grande novidade do Aplica Certo é o lançamento de dois novos cursos: Saúde do Solo e Tecnologia de Aplicação.

Na plataforma, também estão disponíveis:

  • Curso Boas Práticas na Proteção de Cultivos
  • Curso NR 31.7: Segurança no trabalho com defensivos na agricultura
  • Curso Boas Práticas no Tratamento de Sementes na Fazenda
  • Curso Boas Práticas no Tratamento de Sementes na Indústria
  • Webinar Tomatec
  • Webinar Boas Práticas Agrícolas NR 31 e Tecnologia de Aplicação
  • Webinar Treinamento de Boas Práticas no Tratamento de Sementes na Fazenda.
  • Webinar Alinhamento Técnico sobre Operação e Manutenção do Pulverizador Costal

Ao concluir qualquer um dos cursos, que podem ser acessados quando e onde quiser, com progresso no ritmo de cada um, a partir de uma plataforma exclusiva de fácil navegação, o agricultor recebe o certificado Aplica Certo, que comprova seus conhecimentos.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, com o objetivo de impulsionar o agronegócio brasileiro com qualidade e inovações tecnológicas.

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