O mercado internacional de algodão encerrou a semana em correção, com o contrato de primeiro vencimento na ICE (Jul/26) fechando a sexta-feira (29) cotado a U$¢ 76,1/lb, queda de 1,6% no período. A pressão veio de duas frentes: a desvalorização do petróleo, que arrastou parte das commodities agrícolas, e o retorno das chuvas ao cinturão algodoeiro norte-americano, que reduziu a percepção de risco climático no curto prazo.

As precipitações melhoraram parcialmente as condições das áreas semeadas sob estresse hídrico. Apesar de mais de 90% das regiões produtoras dos EUA ainda enfrentarem algum nível de seca, o retorno das chuvas foi suficiente para aliviar o sentimento do mercado. O plantio norte-americano atingiu 53% até 24 de maio, em linha com a média dos últimos cinco anos e 3 p.p. acima do registrado no mesmo período de 2025, sinalizando um avanço consistente da safra.

China renova política de suporte até 2028

Em movimento que deve ter impacto duradouro sobre a oferta global, o governo chinês aprovou nesta semana a extensão do programa de preço-alvo para o algodão produzido em Xinjiang, principal região produtora do país. Os termos aprovados:

  • Preço de subsídio fixado em 18.600 yuan por tonelada
  • Teto de 5,1 milhões de toneladas elegíveis ao programa
  • Vigência garantida até 2028, com foco na concentração da produção em áreas de alta produtividade

A medida reforça a estratégia chinesa de manter competitiva sua produção doméstica, reduzindo a dependência de importações no longo prazo. Para o mercado global, o programa sinaliza que a China seguirá como grande produtora, o que limita o espaço para alta estrutural dos preços internacionais.

Índia reabre janela de importação

A Índia voltou a zerar as tarifas de importação de algodão para o período de 1 de junho a 30 de outubro. Implementada durante a janela de plantio, a decisão busca garantir disponibilidade adequada de matéria-prima à indústria têxtil indiana, controlar custos internos e aumentar a competitividade do setor manufatureiro. Com a abertura do mercado indiano, cresce o espaço para fornecedores externos, e o Brasil, com pluma de alta qualidade e câmbio favorável, aparece bem posicionado para ampliar seus embarques nos próximos meses.

No mercado doméstico, o Indicador CEPEA Pluma (São Paulo) encerrou a semana a R$ 141,51/@, com alta de 0,7% no período e acumulando valorização de 22,8% no ano. O desempenho reflete o câmbio favorável e a demanda aquecida pela pluma brasileira, que segue atraindo compradores mesmo em um cenário de pressão nos preços em dólar.

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.  

Mais Agro  

Culturas