Umidade nas áreas de arábica liga alerta para Ferrugem

O retorno das chuvas, embora essencial para o desenvolvimento das lavouras, também trouxe um alerta importante: o aumento do risco de ferrugem do cafeeiro.

De acordo com Felipe Ruela, do time de Desenvolvimento Técnico de Mercado da Syngenta, o ambiente quente e úmido é o cenário ideal para a infecção do fungo. “A ferrugem é uma doença biotrófica, ou seja, depende do tecido vivo da planta para sobreviver. Com água livre nas folhas e alta umidade, o esporo germina e infecta rapidamente. Por isso, este é o momento mais crítico para o controle”, explica Ruela.

Lavouras de café atingidas por praga no Sul de Minas
O alerta é para diversas pragas e doenças que podem atingir as lavouras durante a temporada de chuvas

O especialista reforça que a prevenção é a melhor estratégia, e que as aplicações devem ser planejadas de forma antecipada. “As aplicações via drench com VERDADERO® garantem proteção completa via sistema radicular e sustentam a sanidade da planta. Já as aplicações foliares com fungicidas como INVICT® e PRIORI XTRA®, devem ser posicionadas a partir de dezembro, assegurando máximo efeito residual e controle preventivo.”

Borges alerta ainda que a chamada ferrugem tardianada mais é do que a infecção iniciada agora, no início do ciclo. “Por isso, o controle deve começar imediatamente, quando a incidência ainda está baixa. Controlar cedo é sempre mais eficiente do que tentar reverter a doença avançada.”

Phoma e cercosporiose: atenção aos danos pós-chuva nas áreas de arábica 

Além da ferrugem, outras doenças foliares também merecem atenção neste período de transição climática.  Regiões mais frias e áreas que registraram chuvas de granizo estão mais suscetíveis à mancha de phoma e à cercosporiose, devido aos ferimentos nas folhas e frutos.  “O ideal é intensificar o monitoramento e manter o manejo preventivo. Essas doenças têm alta capacidade de desfolha e podem comprometer o vigor da planta se não forem controladas a tempo”, recomenda Borges.

Safra 2026: expectativa de leve aumento de produção

Segundo Alysson Fagundes, pesquisador da Fundação Procafé, o comportamento das últimas semanas tem sido típico de um período de La Niña, com chuvas descontroladas, temporais e temperaturas abaixo da média.

“Esse é o padrão clássico da La Niña para o Sul de Minas. Tivemos bons volumes de chuva, em torno de 100 milímetros, suficientes para regularizar a umidade do solo”, explica o pesquisador.

Lavouras de café no Sul de Minas em desenvolvimento para safra 2026
Diferente do ano passado, neste novo ciclo as lavouras de café tem desfrutado de chuvas em abundância

Ainda que algumas áreas apresentem déficit hídrico residual, Alysson reforça que o solo já se encontra com umidade adequada para o desenvolvimento dos chumbinhos. “Se as chuvas continuarem dentro da normalidade, teremos um cenário favorável ao crescimento dos frutos e ao vigor das plantas.”

As lavouras do Sul de Minas e interior de São Paulo indicam boas perspectivas para a safra 2026. Segundo Fagundes, deve haver crescimento moderado em relação a 2025, com produtividade um pouco maior nas regiões que sofreram menos com o estresse hídrico.

“Teremos uma safra boa, mas nada espetacular. As lavouras estão se recuperando bem, o que é positivo para um ciclo de retorno produtivo”, destaca o pesquisador.

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Nas áreas de Conilon, a broca preocupa produtores 

Nas áreas de conilon, especialmente no Espírito Santo e em Rondônia, a preocupação maior neste momento é com a broca do café (Hypothenemus hampei).  De acordo com o Desenvolvimento Técnico de Mercado, Ronaldo Sakai, o clima quente e úmido, somado a chuvas esparsas, tem acelerado o ciclo de vida da praga. 

“Esse clima e a quantidade de frutos remanescendo da safra passada acarretou em maior pressão de broca. Temos visto muitos frutos perfurados, ligando o alerta para o controle de praga, o que é necessário para evitar prejuízos maiores”, afirma Ronaldo. 

Além disso, outra praga relevante tem sido a cochonilha, relatada por diversos produtores, “As diferentes floradas ocorridas na safra, dificultaram o manejo”, explica Sakai. 

Grãos de café em desenvolvimento durante a safra 24
Grãos em desenvolvimento no Sul de Minas

O controle da broca requer monitoramento constante, sobretudo nos talhões com frutos mais expandidos. “Quando há incidência de 1% de broca, mesmo em frutos pouco desenvolvidos, é hora de agir. Recomenda-se o uso de Joiner® no mês de dezembro e 30 dias depois, Voliam Targo®”. 

Manejo técnico é o caminho para produtividade e sustentabilidade

Com o avanço das chuvas e o aumento da pressão de pragas e doenças, o manejo técnico e preventivo é essencial para garantir lavouras mais equilibradas e produtivas.

Trabalhadores de café em lavouras mineiras
Trabalhadores em lavoura no Sul de Minas seguem em alerta sobre manejo de pragas e doenças com temporada de chuvas

Como reforça Alysson Fagundes, “o clima pode ser imprevisível, mas a gestão técnica e o uso de tecnologias consistentes garantem segurança ao produtor”.

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Em síntese, o cenário climático atual traz oportunidades e desafios: de um lado, chuvas que revitalizam o solo e sustentam o crescimento dos frutos; de outro, condições que exigem atenção redobrada à ferrugem e à broca.

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