O petróleo opera em queda pelo segundo dia seguido nesta quinta-feira (7), mantendo a pressão sobre as commodities agrícolas nos mercados internacionais. Por volta das 13h05 (horário de Brasília), o Brent recuava 1,80%, para US$ 99,45 o barril, e o WTI perdia mais de 1,40%, para US$ 93,75. O motor da queda é o mesmo de quarta: a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã que normalizaria o fornecimento de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
O movimento é uma extensão do tombo de 7% registrado na véspera, quando fontes do Paquistão (mediador das negociações) confirmaram que as partes estavam próximas de assinar um memorando de entendimento de uma página. Os contratos chegaram a operar abaixo de US$ 100 (Brent) e US$ 91 (WTI) nas mínimas de quarta, os menores patamares em duas semanas.

Acordo não garante retorno aos preços pré-guerra
Mesmo que o acordo se concretize, analistas descartam uma reversão total das altas acumuladas desde fevereiro. Para a Jefferies, banco de investimento americano, o Brent deve se estabilizar em torno de US$ 80 nos próximos três a seis meses, cerca de 25% acima dos patamares registrados antes do início do conflito.
Agrícolas seguem no vermelho
O açúcar lidera as perdas entre as commodities agrícolas pelo segundo pregão consecutivo. A commodity tem forte correlação com o petróleo via mercado de biocombustíveis, e o recuo do barril retira boa parte do apelo dos derivados de cana. A pressão é reforçada pela declaração do governo da Índia, na véspera, de que não vê necessidade de restringir exportações do adoçante, o que afasta o risco de aperto de oferta global.
No complexo soja, o óleo continua sendo o contrato mais pressionado, acompanhando o petróleo. O grão segura o patamar dos US$ 12,00 por bushel, com o contrato julho sendo negociado a US$ 12,06. O farelo opera na contramão, sustentando leve alta de 0,4%, a US$ 321,70 por tonelada curta, ancorado em fundamentos próprios de demanda. O milho recua mais de 1%, com o julho a US$ 4,73 por bushel, pressionado também pelo avanço do plantio nos EUA acima da média histórica.
Trigo e algodão, que acumulavam altas consistentes nas últimas semanas, também operam em baixa, reflexo tanto da queda do petróleo quanto de uma correção técnica após o forte rali recente.
O que vem pela frente
O mercado aguarda confirmação oficial do avanço das negociações. O presidente americano Donald Trump afirmou ser “muito cedo” para conversas diretas com Teerã, enquanto parlamentares iranianos classificaram a proposta da Casa Branca como mais uma “lista de desejos” do que uma oferta concreta, o que impacta parte do otimismo e explica por que as quedas desta quinta são mais moderadas do que as de quarta.
A confirmação ou o fracasso de um entendimento deve ser o principal catalisador para os próximos movimentos tanto no petróleo quanto nas commodities agrícolas com maior correlação à energia.


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