A presença de formigas cortadeiras representa um dos principais desafios fitossanitários em diversas culturas agrícolas, podendo causar perdas expressivas de produtividade quando não controladas adequadamente. A capacidade de adaptação e a organização das colônias tornam o controle dessas pragas especialmente desafiador.
O impacto econômico das formigas cortadeiras é agravado pela sua ampla distribuição geográfica e pela capacidade de adaptação a diferentes ambientes. Segundo a Embrapa Florestas, estima-se que uma colônia adulta de saúva consuma cerca de uma tonelada de massa vegetal fresca por ano, ilustrando a magnitude do impacto produtivo.
Neste conteúdo, serão abordadas as diferenças entre saúva e quenquém, os principais danos causados, métodos de identificação, estratégias de controle e recomendações práticas para o manejo integrado.
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Atta vs. Acromyrmex: identificação e relevância agronômica
As formigas cortadeiras pertencem principalmente aos gêneros Atta (saúva) e Acromyrmex (quenquém). A distinção entre as duas espécies é relevante porque a profundidade e o tamanho do formigueiro influenciam diretamente a escolha do método de controle.
A tabela a seguir apresenta as principais diferenças:
| Critério | Saúva (Atta spp.) | Quenquém (Acromyrmex spp.) |
| Tamanho do formigueiro | Formigueiros grandes, com até sete metros de profundidade e centenas de milhares a milhões de indivíduos em colônias maduras | Formigueiros menores, com até dois metros de profundidade e menor número de indivíduos |
| Identificação visual | Terra solta e fofa ao redor das entradas; trilhas largas e bem definidas; operárias com três pares de espinhos no dorso do tórax | Terra compacta e entradas menores; trilhas mais estreitas; operárias com quatro ou cinco pares de espinhos no dorso |
| Método de controle indicado | Isca granulada nas trilhas e olheiros; termonebulização para colônias profundas e de grande porte | Isca granulada nas trilhas e olheiros; a menor profundidade do ninho favorece a penetração do produto |
Impactos econômicos e prejuízos agrícolas causados por formigas cortadeiras
O ataque das formigas cortadeiras resulta em desfolha intensa, afetando culturas como hortaliças, fruticultura, plantios florestais e pastagens. As consequências diretas e indiretas são:
- Desfolha e morte de mudas, especialmente em plantios florestais jovens, nos quais as formigas podem inviabilizar o estabelecimento das mudas.
- Redução da fotossíntese e do vigor vegetativo, comprometendo a produtividade ao longo do ciclo.
- Favorecimento da entrada de patógenos nos tecidos danificados, ampliando o impacto fitossanitário.
- Danos estruturais ao solo causados pelos túneis dos formigueiros, que podem comprometer a drenagem e a estrutura física em áreas de alta infestação.
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Estratégias integradas para o controle de formigas cortadeiras em diferentes ambientes
O manejo das formigas cortadeiras deve ser baseado em estratégias integradas, considerando o estágio da colônia, a espécie presente e o sistema produtivo. Os três métodos principais são:
Isca granulada: praticidade no controle
A isca granulada é o método mais prático e econômico para o controle de formigas cortadeiras em áreas agrícolas.
Os princípios ativos mais utilizados, como sulfluramida e fipronil, são incorporados a substratos atrativos e transportados pelas operárias até as câmaras de cultivo do fungo simbionte. A contaminação do fungo compromete a fonte de alimento da colônia, levando à sua eliminação progressiva.
A aplicação deve ser realizada nas trilhas de forrageamento e próximo aos olheiros ativos, conforme as orientações da bula do produto registrado. O momento ideal é logo após as primeiras chuvas, quando as formigas retomam a atividade intensa de forrageamento.
Termonebulização: solução para formigueiros de difícil acesso
A termonebulização consiste na conversão de um formicida líquido em vapor por meio de um termonebulizador, sendo a fumaça introduzida nos olheiros do formigueiro, sendo especialmente indicada para colônias profundas de saúva, onde a isca granulada pode não atingir todos os compartimentos. Embora eficiente em situações específicas, apresenta custo mais elevado e menor praticidade em áreas extensas.
Controle biológico: perspectivas e papel complementar no manejo
O controle biológico de formigas cortadeiras é uma linha de pesquisa em expansão, com estudos promissores envolvendo fungos entomopatogênicos como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae, capazes de infectar operárias e comprometer a colônia. Moscas parasitoides da família Phoridae também atuam como inimigos naturais, reduzindo a atividade de forrageamento das operárias.
Na prática, o controle biológico atua como medida complementar ao controle químico, uma vez que fatores ambientais e os mecanismos de defesa das colônias ainda limitam a aplicação isolada em campo. A integração de agentes biológicos ao manejo contribui para a redução do uso de inseticidas e para a sustentabilidade do sistema produtivo.
Aplicação de iscas granuladas: orientações técnicas para melhores resultados
O resultado do controle com isca granulada depende da correta identificação do momento de aplicação e do respeito às recomendações técnicas. As orientações essenciais são:
- Realizar a aplicação logo após as primeiras chuvas, quando as formigas estão ativas e transportando material ao ninho.
- Distribuir a isca nas trilhas de forrageamento e próximo aos olheiros ativos.
- Seguir rigorosamente a dose indicada na bula do produto registrado para a cultura em questão.
- Evitar aplicações com previsão de chuva imediata, pois reduzem a atividade das formigas ou podem comprometer a ação dop produto.
- Monitorar a redução da atividade das formigas entre 15 e 30 dias após a aplicação para avaliar o resultado.
O erro mais comum é aplicar a isca em períodos de baixa atividade, o que compromete o transporte do produto para o interior do ninho e reduz significativamente o desempenho do controle.
Diagnóstico assertivo e manejo integrado: pilares do controle de formigas cortadeiras
O sucesso no controle das formigas cortadeiras depende da correta identificação da espécie, do estágio da colônia e da escolha do método mais adequado. Identificar corretamente se o formigueiro é de saúva ou quenquém, e avaliar o tamanho da colônia antes de agir, são etapas que definem o sucesso da intervenção.
A integração de métodos, o respeito às recomendações técnicas e o acompanhamento dos resultados são fundamentais para minimizar o impacto das formigas cortadeiras na produtividade e na rentabilidade das lavouras. O monitoramento periódico das áreas, especialmente após o período de chuvas, é a prática mais usada para detectar novas colônias antes que causem danos significativos.
O registro das intervenções realizadas, incluindo data e produto utilizado, contribui para o planejamento estratégico do manejo ao longo das safras e para a rastreabilidade das práticas fitossanitárias.
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