A pressão de pragas sugadoras, como mosca-branca, tripes e psilídeo-de-concha, pode comprometer a produção em culturas de alto valor, como o tomate. Além do dano direto, essas pragas atuam como vetores de vírus fitopatogênicos, ampliando o impacto sobre a produtividade e a qualidade do produto final.
Dentre as estratégias de controle dessas pragas,o uso de fungos entomopatogênicos tem se ampliado nos últimos anos. O Isaria fumosorosea, atualmente reclassificado como Cordyceps fumosorosea, destaca-se nesse contexto por seu desempenho no manejo de mosca-branca, tripes e psilídeo em ambientes protegidos.
Neste artigo, serão abordados os aspectos taxonômicos, mecanismos de ação, indicações técnicas e recomendações práticas para o uso do I. fumosorosea em programas de manejo integrado de pragas em cultivos protegidos.
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Evolução taxonômica e características biológicas do Isaria fumosorosea
Isaria fumosorosea, atualmente classificado como Cordyceps fumosorosea, é um fungo ascomiceto entomopatogênico com ampla distribuição em solos agrícolas. A reclassificação foi estabelecida por análises filogenéticas moleculares e reflete avanços na compreensão da diversidade genética do grupo.
O fungo apresenta ciclo de vida típico dos entomopatogênicos: os conídios aderem à cutícula do inseto, germinam, penetram os tecidos e colonizam a hemolínfa, levando à morte do hospedeiro.
Sua principal vantagem competitiva está na alta afinidade por pragas de cutícula fina, como ninfas de mosca-branca, tripes e psilídeos, cujos tegumentos são mais suscetíveis à penetração enzimática.
A temperatura ótima situa-se entre 20°C e 25°C, com umidade relativa acima de 70%, tornando o I. fumosorosea especialmente indicado para cultivos protegidos, , onde essas condições são mais estáveis.

Como as pragas sugadoras afetam a produtividade e o papel do controle biológico
Mosca-branca (Bemisia tabaci, Trialeurodes vaporariorum), tripes (Frankliniella schultzei, F. occidentalis) e psilídeo-de-concha (Glycaspis brimblecombei) são pragas de alta importância econômica. Em hortaliças, a infestação por mosca-branca pode gerar perda diretas de mais de 50% da produção, além de depreciar o valor comercial dos frutos pela contaminação com fumagina.
Manejo de pragas sugadoras com Isaria fumosorosea: mecanismo de ação
O diferencial do I. fumosorosea está na sua ação em pragas de cutícula fina.
A cutícula de ninfas de mosca-branca, tripes e psilídeos apresenta menor espessura e grau de esclerotização em comparação à de insetos mastigadores ou coleópteros. O complexo enzimático de I. fumosorosea — composto por proteases, quitinases e lipases — degrada essa barreira com maior rapidez, o que reduz o tempo entre a adesão do conídio e a colonização da hemolínfa.
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Isaria fumosorosea vs. Beauveria bassiana: critérios para escolha assertiva
A escolha entre I. fumosorosea e outros agentes biológicos, como o Beauveria bassiana, deve considerar o perfil das pragas, as condições ambientais e o sistema de cultivo. A tabela a seguir apresenta os critérios técnicos para orientação da decisão:
| Critério | Isaria fumosorosea | Beauveria bassiana |
| Faixa de temperatura com atividade | 20°C a 25°C | 20°C a 30°C |
| Pragas preferenciais | Pragas de cutícula fina: mosca-branca, tripes, psilídeos | Amplo espectro, incluindo insetos de cutícula espessa |
| Condição preferencial | Ambientes de cultivo protegidos | Maior tolerância a temperaturas elevadas e variações ambientais |
Boas práticas para aplicação do Isaria fumosorosea
O desempenho do I. fumosorosea depende do rigor no protocolo de aplicação. As orientações técnicas essenciais são:
- Realizar a aplicação no final da tarde ou à noite, minimizando a exposição dos conídios à radiação UV.
- Priorizar dias com temperatura entre 20°C e 25°C e umidade relativa acima de 70%.
- Promover cobertura foliar máxima, incluindo a face abaxial das folhas, onde as pragas se concentram.
- Respeitar intervalo mínimo antes e depois da aplicação de fungicidas químicos.
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Controle biológico de precisão: o futuro do manejo com Isaria fumosorosea
Isaria fumosorosea representa uma ferramenta estratégica para o manejo de pragas sugadoras em ambientes de cultivo protegido. Sua especificidade para insetos de cutícula fina, aliada ao desempenho superior em ambientes protegidos, o posiciona como mais uma estratégia relevante em programas de manejo integrado.
A rotação com Beauveria bassiana e outros agentes biológicos amplia o espectro de controle e contribui para a sustentabilidade do programa fitossanitário, reduzindo a pressão de seleção e preservandoo desempenho de cada agente biológico ao longo do ciclo produtivo.
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