A produção de feijão de terceira safra irrigado no Cerrado pode alcançar produtividades superiores a 40 acas por hectare em lavouras bem manejadas, com potencial para patamares ainda maiores conforme a tecnologia adotada.  

O sistema é viabilizado pela infraestrutura de irrigação já existente nas propriedades, especialmente o pivô central, após a colheita da safrinha. A racionalização do uso do equipamento ao longo do ano melhora o retorno do investimento e diversifica a fonte de renda do produtor. 

Neste artigo, serão abordados os principais pontos para o sucesso do feijão de terceira safra irrigado no Cerrado: definição da janela de plantio, análise de rentabilidade, manejo fitossanitário e inovações em cultivares e nutrição. 

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Terceira safra de feijão no Cerrado: distribuição geográfica e fundamentos agronômicos 

O feijão de terceira safra, também conhecido como feijão de inverno irrigado, é cultivado após a colheita do milho safrinha, geralmente entre maio e julho, em regiões do Cerrado com infraestrutura de irrigação 

Os principais polos de produção concentram-se nos Estados de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso e Tocantins. 

A escolha do plantio da terceira safra de feijão no Cerrado está diretamente relacionada à busca por maior rentabilidade e melhor aproveitamento da infraestrutura de irrigação existente nas propriedades.  

A racionalização do uso do pivô central ao longo do ano melhora o retorno do investimento e diversifica a fonte de renda do produtor. 

Sincronizando o plantio com as condições climáticas do Cerrado 

A definição da janela de plantio é um dos fatores mais críticos para o sucesso do feijão de terceira safra irrigado no Cerrado. O plantio tardio aumenta o risco de exposição da cultura a temperaturas elevadas durante a floração, comprometendo o pegamento de vagens. 

Temperaturas médias acima de 30°C durante a floração reduzem significativamente o pegamento de vagens, comprometendo a produtividade. O planejamento da semeadura deve considerar o histórico climático da região, priorizando períodos em que a floração coincida com temperaturas mais amenas. 

A irrigação deve ser manejada de forma a evitar excesso de umidade no solo, que pode favorecer o desenvolvimento de doenças radiculares e comprometer o sistema de raízes da cultura. 

Análise de rentabilidade: o potencial econômico do feijão irrigado 

O cultivo do feijão de terceira safra irrigado apresenta custo de produção mais elevado em comparação às safras de sequeiro.. No entanto, a alta produtividade potencial e o melhor preço do feijão no período de entressafra podem proporcionar retorno econômico expressivo. 

. O mercado do feijão apresenta forte sazonalidade, com preços mais altos no período de entressafra, período em que a oferta é reduzida. 

Estratégias fitossanitárias para controle de doenças e pragas no feijão irrigado 

O ambiente irrigado e as altas temperaturas do Cerrado criam condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças e pragas. As três principais doenças são: 

  • Mancha-angular (Pseudocercospora griseola): doença fúngica que causa lesões angulares nas folhas, podendo levar à desfolha precoce e redução da produção. 
  • Crestamento bacteriano comum (Xanthomonas phaseoli pv. phaseoli): doença bacteriana que se manifesta por meio de manchas aquosas nas folhas, evoluindo para necrose. Hastes e vagens também podem apresentar sintomar, com lesões com um halo amarelado típico. 

A irrigação por pivô central, ao aumentar a umidade relativa e o molhamento foliar, favorece a disseminação desses patógenos. O protocolo demonitoramento deve ser rigoroso, pois a janela de cultivo é curta e o atraso no controle pode resultar em perdas irreversíveis. 

Entre as pragas, a mosca-branca (Bemisia tabaci) destaca-se como vetor de viroses, além de causar danos diretos por sucção de seiva. O monitoramento semanal e o uso de inseticidas no momento certo são fundamentais para manter a população abaixo do nível de dano econômico. 

Cultivares e manejo nutricional para o feijão de terceira safra 

A escolha de variedades adaptadas ao sistema irrigado do Cerrado é um dos pilares para o sucesso do feijão de terceira safra. Cultivares de feijão carioca e preto com maior tolerância a doenças, ciclo precoce e arquitetura de planta adequada à colheita mecanizada são as mais indicadas para o sistema irrigado de terceira safra no Cerrado. 

A adubação de cobertura nitrogenada deve ser parcelada, acompanhando as irrigações, para fornecer o suprimento adequado de nitrogênio em cada fase da cultura. O manejo da irrigação deve ser ajustado conforme a fase fenológica, evitando excesso de água no solo, que pode aumentar a incidência de doenças radiculares e comprometer a aeração do solo. 

Gotas de água de irrigação caindo sobre folhas verdes de feijoeiro."
Gotas de água de irrigação caindo sobre folhas verdes de feijoeiro.”

Práticas recomendadas para maximizar o desempenho do feijão irrigado 

As orientações técnicas consolidadas para o feijão de terceira safra irrigado no Cerrado são: 

  • Planejar a semeadura entremaio e julho, ajustando a janela conforme o histórico climático da região. 
  • Priorizar variedades de feijão carioca e preto com tolerância a doenças e ciclo precoce. 
  • Realizar adubação de cobertura parcelada, compatível com as irrigações. 
  • Monitorar constantemente a ocorrência de doenças e pragas, adotando aplicações preventivas de fungicidas e inseticidas. 
  • Ajustar a lâmina de irrigação conforme a fase da cultura, evitando excesso de umidade no solo. 
  • Consultar as recomendações técnicas da Embrapa Arroz e Feijão para cultivares, adubação e manejo fitossanitário. 

Feijão irrigado no Cerrado: tecnologia e planejamento para alta produtividade 

O feijão de terceira safra irrigado no Cerrado representa uma alternativa viável e rentável para produtores que buscam diversificar a renda e maximizar o uso da infraestrutura de irrigação. O planejamento da semeadura, o manejo fitossanitário rigoroso e a escolha de cultivares adaptadas são os pilares para o sucesso do sistema. 

Produtores que combinam monitoramento climático, monitoramento fitossanitário semanal e aplicações preventivas estruturadas reduzem significativamente o risco de perdas inesperadas. 

A sazonalidade do mercado de feijão favorece o produtor no período de entressafra, geralmente entre março e maio, quando a oferta das safras anteriores se reduz. O investimento em tecnologia de irrigação de precisão e em cultivares de alto desempenho, aliado ao acompanhamento técnico especializado, é o que diferencia as lavouras de alta rentabilidade das que operam na margem. 

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