Por muito tempo, o nome Metarhizium anisopliae foi utilizado para designar uma ampla gama de isolados de fungos entomopatogênicos.
Com o avanço da taxonomia molecular, o que antes se conhecia como uma única espécie revelou-se um complexo de organismos com perfis biológicos distintos. Entre as espécies reclassificadas, Metarhizium robertsii destaca-se pelo potencial endofítico, que amplia sua atuação para além do controle de pragas.
Neste artigo, serão abordadas as diferenças entre M. robertsii e M. anisopliae sensu stricto, o potencial endofítico, as evidências científicas e as recomendações técnicas para o uso estratégico de cada espécie.
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O complexo Metarhizium anisopliae e a separação de espécies
Historicamente, o nome Metarhizium anisopliae era utilizado para designar uma ampla gama de isolados de fungos entomopatogênicos.
Com o avanço das técnicas de sequenciamento gênico, pesquisadores identificaram que esse grupo era composto por espécies filogeneticamente distintas, com diferentes perfis de virulência, espectro de hospedeiros e distribuição geográfica.
Metarhizium robertsii é atualmente reconhecido como espécie cosmopolita e uma das mais frequentes em solos agrícolas. Seu diferencial em relação ao M. anisopliae sensu stricto está na capacidade de colonizar endofiticamente as raízes das plantas, atuando como promotor de crescimento vegetal além do controle de pragas.
A separação de espécies tem impacto direto na escolha do isolado mais adequado para cada situação de manejo.
Produtos registrados como M. anisopliae podem conter isolados de diferentes espécies, o que reforça a importância da identificação molecular no desenvolvimento de novos produtos biológicos.
Diferenças morfológicas e funcionais entre M. robertsii e M. anisopliae sensu stricto
A tabela a seguir sintetiza as principais diferenças entre as duas espécies para orientar a decisão técnica:
| Critério | M. robertsii | M. anisopliae sensu stricto |
| Distribuição | Cosmopolita; predominante em solos de regiões temperadas e tropicais | Ampla, com predomínio em regiões tropicais e subtropicais |
| Espectro de hospedeiros | Amplo; inclui diversas ordens de insetos | Bem documentado para coleópteros e hemípteros |
| Capacidade endofítica | Alta; coloniza raízes e e modula vias de defesa da planta | Baixa ou pouco documentada |
| Promoção de crescimento | Documentada; associada ao aumento de biomassa radicular e aérea | Pouco documentada para a espécie sensu stricto |
Potencial endofítico do M. robertsii: colonização radicular e benefícios para as plantas
Um dos diferenciais mais relevantes do Metarhizium robertsii é sua capacidade de colonizar endofiticamente as raízes das plantas, estabelecendo uma relação benéfica com o hospedeiro vegetal.

Adesão de conídios de Metarhizium robertsii na parede de raízes de plantas.
Pesquisas internacionais e trabalhos conduzidos pela ESALQ/USP documentam que M. robertsii pode colonizar endofiticamente raízes de gramíneas e leguminosas, promovendo aumento de biomassa radicular e aérea. Estudos com milho (Zea mays) confirmaram a colonização endofítica e efeitos de promoção de crescimento.
Como endofítico, M. robertsii pode produzir compostos bioativos que podem modular vias de defesa da planta, tornando-a mais tolerante a estresses bióticos e abióticos.
Essa capacidade dupla, de atuar tanto como agente de controle biológico quanto como promotor de crescimento vegetal, abre perspectivas para o desenvolvimento de produtos multifuncionais na agricultura.
A colonização endofítica é potencializada quando o M. robertsii é aplicado no tratamento de sementes ou no sulco de plantio, o que favorece o contato precoce com as raízes em desenvolvimento.
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Evidências científicas sobre aplicações agrícolas do M. robertsii
Ensaios conduzidos por instituições brasileiras de pesquisa demonstraram que isolados de M. robertsii *apresentam potencial para o controle de coleópteros de solo, com resultados promissores em condições de laboratório. A espécie tem sido avaliada contra pragas como corós (*Phyllophaga spp.) e o bicudo-da-cana (Sphenophorus levis), embora grande parte dos estudos publicados utilize isolados identificados como M. anisopliae sensu lato, o que reforça a necessidade de reclassificação molecular dos isolados.
No Brasil, pesquisas com isolados nativos de M. robertsii também têm sido conduzidas para avaliar sua adaptação a diferentes condições climáticas e sua desempenho sobre pragas de solo em sistemas de plantio direto e pastagens. Os resultados indicam que isolados selecionados por alta virulência e tolerância a temperaturas tropicais apresentam desempenho superior em campo.
Perspectivas para o uso de M. robertsii na agricultura brasileira
Embora os produtos atualmente registrados no Agrofit utilizem a denominação M. anisopliae sensu lato, parte desses isolados pode pertencer a M. robertsii conforme a reclassificação molecular.
Com o avanço das pesquisas, espera-se que novos produtos identifiquem a espécie de forma precisa, permitindo ao produtor rural utilizar esse agente biológico no controle de pragas de solo,como também para promoção de crescimento vegetal.
Metarhizium robertsii: inovação no controle biológico e promoção de crescimento
A separação taxonômica de Metarhizium robertsii do complexo M. anisopliae representa um avanço significativo para o controle biológico. Sua capacidade endofítica diferencia-o das demais espécies do gênero, abrindo possibilidades para o desenvolvimento de produtos multifuncionais que combinam controle de pragas de solo e promoção de crescimento vegetal.
O avanço das pesquisas sobre isolados nativos de M. robertsii adaptados a diferentes biomas brasileiros aponta para um horizonte promissor para essa espécie no manejo integrado de pragas.
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