O algodão no Brasil percorreu, em pouco mais de duas décadas, uma jornada que consolidou o país entre os maiores produtores e exportadores mundiais da fibra.
Por trás desse avanço está um diferencial que vai além do volume: a qualidade reconhecida da pluma brasileira, construída sobre uma base de sustentabilidade, certificação socioambiental e rastreabilidade que poucos países conseguem oferecer.
Esse diferencial se sustenta por quem é reconhecido como o coração da cotonicultura brasileira: o produtor e suas decisões de manejo no campo.
Neste conteúdo, você acompanha o cenário do algodão no Brasil e no mundo, as regiões que sustentam a produção, os números da safra 2025/26 e os diferenciais de sustentabilidade, rastreabilidade e qualidade que reforçam a liderança nacional.
No fim, mostramos como o manejo da lavoura conecta a decisão do produtor ao valor da fibra no mercado, e reunimos um FAQ com as principais dúvidas sobre o tema. Siga a leitura e aprofunde seu conhecimento sobre o algodão brasileiro!
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O algodão no mundo e a ascensão do Brasil
O algodão é uma das commodities agrícolas mais importantes do mundo. Move a indústria têxtil, gera empregos ao longo de toda a cadeia e sustenta economias inteiras.
Nesse tabuleiro global, o Brasil ocupa hoje uma posição de protagonismo. O país se figura entre os maiores produtores do mundo, ao lado de Índia, China e Estados Unidos, sustentado por ganhos consistentes de área e produtividade nas últimas safras.
Além disso, o Brasil se consolidou como o maior exportador mundial de algodão, superando os Estados Unidos, marco alcançado na safra 2023/24.
Na safra 2025/26, as exportações somaram mais de 3,37 milhões de toneladas, volume recorde e 19% superior ao ciclo anterior, com receita da ordem de US$ 5,3 bilhões, segundo a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa).
Foi a primeira vez que o país superou a marca de 3 milhões de toneladas embarcadas em um único ano comercial.
O principal destino dessa fibra é a Ásia, o maior parque têxtil do planeta. A China lidera as compras, seguida por mercados como Bangladesh, Vietnã, Paquistão e Turquia.

Onde o Brasil produz: o mapa da cotonicultura brasileira
A geografia do algodão brasileiro mudou de forma profunda ao longo das décadas. Antes ancorada no semiárido nordestino, em São Paulo e no Paraná, a produção migrou para o Cerrado, onde encontrou escala, clima favorável à colheita e infraestrutura logística.
O Mato Grosso e o oeste da Bahia respondem, juntos, por cerca de 90% da produção nacional. Mato Grosso é o grande protagonista, favorecido pelo clima e pela adoção intensa de tecnologia.
O oeste da Bahia, inserido na fronteira agrícola do MATOPIBA (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), figura como o segundo grande polo, com forte investimento em tecnologia e qualidade de fibra.
| Estado / região | Participação estimada na produção nacional de pluma |
| Mato Grosso | ~70% |
| Bahia (oeste baiano) | ~20% |
| Demais estados (GO, MS, MA, MG, PI, TO, SP) | ~10% |
*Participações aproximadas, que variam conforme a safra.
Safra 2025/26 em números
Segundo o 11º Levantamento da Safra de Grãos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), divulgado em agosto de 2026, a produção de algodão em pluma da safra 2025/26 deve alcançar cerca de 4,08 milhões de toneladas, volume praticamente estável em relação ao ciclo anterior
A produção de algodão em caroço fica em torno de 5,8 milhões de toneladas.
| Safra 2025/26 | Estimativa |
| Algodão em pluma | ~4,08 mi t |
| Algodão em caroço | ~5,8 mi t |
| Área cultivada | ~2,0 mi ha |
| Exportação | ~3,37 mi t |
| Receita com exportação | ~US$ 5,3 bi |
Fonte: Conab e Abrapa,
O contraste entre uma produção estável e uma exportação recorde tem explicação estrutural: a indústria têxtil nacional consome uma fração da pluma produzida, e o excedente sustenta a posição do país como fornecedor estratégico para o mercado internacional.
Os diferenciais que sustentam a liderança do Brasil no mercado mundial de algodão
A liderança do algodão brasileiro no mercado mundial se explica dentro e fora do campo. O país construiu uma agenda de sustentabilidade, rastreabilidade e conexão com a moda que a Abrapa lidera, a Syngenta apoia e o Mais Agro acompanha de perto.
Esse trabalho se organiza em quatro eixos: sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e indústria.

Sustentabilidade e certificação
A reputação da pluma nacional caminha ao lado de uma agenda socioambiental consolidada. No mercado interno, o programa Algodão Brasileiro Responsável (ABR) certifica as fazendas desde 2012 com base em critérios ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, cerca de 83% da produção nacional carrega o selo ABR, o que coloca o Brasil no topo do ranking mundial de algodão certificado.
Esse padrão ganhou escala global com o alinhamento do ABR à Better Cotton, maior programa de sustentabilidade do algodão no mundo, que tornou o Brasil o maior produtor de algodão licenciado pela organização.
Rastreabilidade da fibra
A transparência sobre a origem do algodão brasileiro se tornou um ativo comercial. O trabalho de rastreabilidade da Abrapa começou em 2004 e hoje chega até a etiqueta da roupa por meio do programa SouABR, primeiro sistema de rastreabilidade por blockchain da indústria têxtil brasileira.
Ao escanear o QR Code de uma peça, o consumidor conhece a fazenda de origem, a história da família produtora e o caminho percorrido pela fibra até a confecção. A meta para 2025 é alcançar o primeiro milhão de peças rastreadas no varejo.
Qualidade comprovada
A qualidade é o terceiro pilar dessa construção. Praticamente 100% da produção nacional passa por classificação em HVI, dentro do programa SBRHVI, o que confere transparência ao comércio.
No último relatório de qualidade da Abrapa, referente à safra 2024/25, 96,6% das amostras registraram resistência acima de 28 gf/tex e 94,2%, comprimento igual ou superior a 1,11 polegada, indicadores que posicionam a pluma brasileira entre as mais valorizadas do mundo.
Do campo à moda
O elo com a indústria da moda é a ponta mais visível dessa cadeia. O movimento Sou de Algodão, criado pela Abrapa em 2016 e apoiado pela Syngenta, aproxima produtores, marcas, varejo e consumidor final e amplia a presença da fibra brasileira na moda. Hoje reúne mais de 80 estilistas e 1.800 marcas parceiras.
No mercado externo, esse papel cabe ao programa Cotton Brazil.
O horizonte do setor aponta para além da exportação da pluma. Com a maior cadeia têxtil verticalizada do Ocidente, o Brasil tem potencial para exportar também peças acabadas e associar a fibra nacional a design, qualidade e uma origem que pode ser comprovada da semente ao guarda-roupa.
Do campo para o mundo: o manejo que sustenta a qualidade da pluma
A qualidade da pluma e a própria posição de liderança do Brasil no mercado se sustentam por um elo anterior a tudo: as decisões que o produtor toma no campo. É no manejo da lavoura que o potencial da cultura se converte em fibra de qualidade. E poucos fatores pesam tanto nessa conta quanto a sanidade da cultura, já que pragas, doenças e nematoides atuam ao mesmo tempo sobre a produtividade e sobre a integridade da fibra.
Os principais desafios fitossanitários do algodão se distribuem em três frentes:
| Frente | Principais alvos | Impacto na lavoura |
| Pragas | Bicudo-do-algodoeiro, mosca-branca, pulgão-do-algodoeiro e complexo de lagartas | Ataque a botões florais e estruturas reprodutivas, com perda de produtividade. |
| Doenças | Mancha de ramulária, mancha-alvo e ramulose | Queda de produtividade e de qualidade da fibra. |
| Nematoides | Das galhas, reniforme, das lesões | Danos às raízes, com perda de vigor e produtividade, além de abrir caminho para patógenos de solo |
Diante desse quadro, o manejo integrado de pragas, doenças e nematoides organiza a resposta do produtor, combinando tratamento de sementes, monitoramento constante e uso racional de controle químico e biológico, entre outras estratégias.
Cada uma dessas decisões tem papel fundamental da proteção da produtividade e a qualidade da fibra brasileira. É esse fio que conecta a decisão do produtor ao reconhecimento do algodão brasileiro lá fora.
Produtividade, qualidade e responsabilidade caminham juntas
O protagonismo brasileiro se sustenta na soma entre produtividade, qualidade de fibra e responsabilidade socioambiental. É essa combinação que transforma volume em valor e mantém a pluma nacional no topo do mercado mundial.
A Syngenta acompanha essa jornada ao lado do produtor, sendo referência em inovação e manejo responsável na cotonicultura. Com um portfólio completo e integrado que protege o potencial produtivo da lavoura, do tratamento de sementes a soluções em inseticidas, fungicidas e herbicidas.
É esse suporte que ajuda o cotonicultor a enfrentar as frentes de pragas, doenças e nematoides sem abrir mão da produtividade e da qualidade que valorizam a pluma brasileira.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.
Perguntas frequentes sobre produção e qualidade do algodão brasileiro
1. O Brasil é o maior exportador de algodão do mundo?
Sim. O país se consolidou como o maior exportador mundial da fibra, superando os Estados Unidos na safra 2023/24.
2. Qual a posição do Brasil na produção mundial de algodão?
O Brasil está entre os maiores produtores mundiais, ao lado de Índia, China e Estados Unidos.
3. Quais são os principais destinos do algodão brasileiro?
A Ásia concentra a maior parte das compras, com destaque para a China, seguida por mercados como Bangladesh, Vietnã, Paquistão e Turquia.
4. O que diferencia o algodão brasileiro no mercado internacional?
A soma entre qualidade de fibra, certificação socioambiental e rastreabilidade. Praticamente toda a produção passa por classificação em HVI e a maior parte carrega certificação, o que dá previsibilidade ao comprador e valoriza a pluma.
5. Quanto o Brasil deve colher na safra 2025/26?
Segundo o 11º Levantamento da Conab, a produção de pluma deve ficar em torno de 4,08 milhões de toneladas, volume praticamente estável em relação ao ciclo anterior. O algodão em caroço fica próximo de 5,8 milhões de toneladas.
6. Quais são as principais regiões produtoras de algodão no Brasil?
Mato Grosso e o oeste da Bahia lideram, respondendo por cerca de 90% da produção nacional. Goiás, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Minas Gerais, Piauí, Tocantins e São Paulo completam o mapa dos principais Estados brasileiros produtores de algodão.
7. Por que Mato Grosso e o oeste da Bahia concentram a produção?
A combinação de clima favorável, infraestrutura logística e adoção intensa de tecnologia levou a produção a se concentrar nessas regiões.
8. O que é o programa ABR e a certificação Better Cotton?
O Algodão Brasileiro Responsável (ABR) certifica as fazendas com base em critérios ambientais, sociais e econômicos. Alinhado à Better Cotton, maior programa de sustentabilidade do algodão no mundo, tornou o Brasil o maior produtor de algodão licenciado pela organização.
9. Como funciona a rastreabilidade do algodão brasileiro (SouABR)?
O SouABR usa tecnologia blockchain para acompanhar a fibra desde a fazenda até o produto final. Ao escanear o QR Code de uma peça, o consumidor conhece a origem e o caminho percorrido pelo algodão até a confecção.
10. Quais são as principais pragas, doenças e nematoides do algodão?
Entre as pragas, destaque para o bicudo-do-algodoeiro, a mosca-branca, o pulgão-do-algodoeiro e o complexo de lagartas. Entre as doenças, a mancha de ramulária e a mancha-alvo. Entre os nematoides, os das galhas, reniforme e das lesões se destacam.


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