O percevejo-marrom (Euschistus heros) é uma das pragas mais preocupantes na cultura da soja. Sua alimentação por meio da sucção de grãos e vagens causa abortamento de vagens, grãos menores e de menor peso, redução no teor de óleo, além de queda na germinação e no vigor das sementes. 

Se não controlada, essa praga pode acarretar perdas de até 30% do potencial produtivo da lavoura. Tradicionalmente, o combate ao percevejo-marrom baseou-se em inseticidas químicos, mas, nos últimos anos, cresce a relevância do controle biológico como ferramenta complementar. 

Produtos biológicos têm ganhado espaço na sojicultura brasileira, combinando eficácia no controle de pragas com benefícios à produtividade, sanidade e sustentabilidade das lavouras. 

Este guia explica o contexto atual do uso de bioinseticidas na soja, os benefícios comprovados do inseticida biológico no controle do percevejo-marrom e como integrar soluções para alcançar mais proteção e eficiência. 

Ficha rápida: percevejo-marrom 

Nome científico Euschistus heros 
Cultura principal afetada Soja 
Perda de produtividade Até 30% do potencial produtivo 
Fase de maior pressão Período reprodutivo (R5 a R7) e final do ciclo 
Participação da soja no uso de bioinsumos no Brasil 62% de todo o uso, a maior entre as culturas 
Área tratada com bioinsumos no Brasil (safra 2024/25) 156 milhões de hectares (26% da área cultivada) 
Agentes biológicos de controle Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens 
Solução Syngenta NETURE™ 

Principais pontos 

  • O percevejo-marrom (Euschistus heros) pode reduzir em até 30% a produtividade da soja. 
  • A soja responde por 62% de todo o uso de bioinsumos no Brasil, o maior entre as culturas. 
  • Pseudomonas chlororaphis produz toxinas Fit, HCN, proteases e quitinases com ação inseticida. 
  • Bioinseticidas não substituem os químicos, mas complementam o manejo integrado, agindo de forma mais lenta e contínua. 
  • NETURE™ combina Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens, agindo por contato e ingestão. 
  • NETURE™ não exige refrigeração e é compatível com mistura em tanque com defensivos químicos. 

Qual o contexto atual da adoção de produtos biológicos na soja brasileira? 

Nos últimos anos, o Brasil despontou como líder mundial em utilização de bioinsumos agrícolas, impulsionado pela busca por práticas mais sustentáveis e pelo avanço tecnológico do setor. 

A adoção de produtos biológicos na sojicultura está em ritmo acelerado: dados recentes da CropLife Brasil mostram que o uso de bioinsumos cresceu 13% na safra 2024/25, com média de 22% ao ano nos últimos três anos, uma taxa quatro vezes superior à média global. 

Hoje, o país tem um dos maiores usos de biológicos no mundo, reflexo de investimentos em inovação e da maior oferta de produtos eficazes no mercado. 

Na safra 2024/25, estimou-se cerca de 156 milhões de hectares tratados com bioinsumos, alcançando 26% da área cultivada no país. A soja responde por 62% de todo o uso de bioinsumos no Brasil, liderando com folga em relação a outras culturas (milho 23%, cana 10%, etc.). 

O segmento de bioinseticidas é destaque: 

  • 156 milhões de ha tratados com bioinsumos na safra 2024/25 (26% da área cultivada). 
  • Crescimento de 13% no uso de bioinsumos em 2024/25 (média 22% a.a. nos últimos 3 anos). 
  • Mercado de biológicos atingiu R$ 5 bi em vendas na safra 2023/24. 
  • Bioinseticidas tiveram adoção em 30% da área, o segmento mais utilizado em grandes culturas. 

Esses números evidenciam que os insumos biológicos deixaram de ser experimentais e hoje fazem parte da realidade da agricultura brasileira. O produtor está aprendendo a combinar tecnologias, defensivos químicos e bioinsumos, de forma sinérgica, obtendo ganhos em produtividade e sustentabilidade no campo. 

Qual o impacto econômico e os danos do percevejo-marrom na soja? 

O percevejo-marrom é considerado uma praga-chave da soja no Brasil, devido a sua ampla distribuição e ao potencial de dano elevado. Os adultos e as ninfas alimentam-se sugando a seiva de ramos e vagens, enquanto injetam toxinas nos tecidos das plantas. 

Os prejuízos incluem: 

  • Queda de flores e vagens (devido ao abortamento causado pelas picadas); 
  • Redução de peso e tamanho dos grãos; 
  • Menor qualidade fisiológica das sementes. 

Muitas sementes atacadas apresentam manchas e malformação, fenômeno conhecido como “retenção foliar” em ataques severos. 

Estimativas indicam perdas expressivas de produtividade se o controle falhar, até 30% de redução no rendimento da lavoura, além de queda na qualidade dos grãos colhidos. Isso equivale a dizer que, numa lavoura de alto potencial, o percevejo sozinho poderia consumir quase 1/3 da produção. 

Entre clima e manejo: a variável pressão do complexo de percevejos 

Na safra 2023/24, por exemplo, as instabilidades climáticas intensas em algumas regiões favoreceram surtos de outras pragas (como mosca-branca) e intensificaram a presença de percevejos no final do ciclo da soja. Muitos sojicultores relataram aumento de percevejos nas lavouras no período próximo à colheita, exigindo aplicações adicionais de controle. 

Percevejo marrom na ponta de uma vagem de soja
Percevejo marrom na ponta de uma vagem de soja

Essa pressão tardia pode comprometer a qualidade dos grãos e também gerar um efeito cascata na safra seguinte: percevejos que sobrevivem no fim da colheita migram para culturas subsequentes (como o milho safrinha), mantendo populações ativas o ano todo. De fato, especialistas alertam que o abandono do controle no final do ciclo da soja é um erro que pode agravar a infestação na entressafra e na safra seguinte. 

Já na safra 2024/25, houve relatos de menor incidência de pragas em certas regiões graças a um clima mais regular. No Mato Grosso, por exemplo, observou-se um ano relativamente menos problemático em pragas, porém com desafios pontuais envolvendo percevejos no fim do ciclo e mudanças na composição de espécies. 

Ou seja, ainda que a pressão de percevejos varie anualmente, a praga continua preocupando e exigindo vigilância constante do produtor. 

Impactos econômicos do percevejo-marrom além da perda direta de rendimento 

Há também custos associados às múltiplas pulverizações necessárias para controlá-lo. Produtores podem realizar diversas aplicações de inseticidas ao longo do ciclo da soja, especialmente no período reprodutivo (R5 a R7), quando a praga é mais abundante. 

Por isso, a adoção de um manejo mais equilibrado, unindo monitoramento rigoroso, adoção de níveis de controle e uso combinado de estratégias, é fundamental para minimizar tanto as perdas produtivas quanto os custos operacionais e ambientais do controle. 

Como avançaram os inseticidas biológicos no controle do percevejo-marrom? 

O desenvolvimento de inseticidas biológicos modernos revolucionou o manejo de pragas como o percevejo-marrom, oferecendo alternativas eficazes que complementam os defensivos químicos tradicionais. 

Nas últimas décadas, a pesquisa e a indústria investiram fortemente em formulações aprimoradas para produtos biológicos, aumentando sua estabilidade, espectro de ação e facilidade de uso. 

Hoje, muitos bioinseticidas têm vida de prateleira mais longa, dispensam armazenamento refrigerado e podem ser aplicados com o mesmo maquinário dos químicos, inclusive em misturas (“tank mix”) sem perda de eficiência. 

Um exemplo concreto é a evolução das formulações microbiológicas. Cepas de bactérias, fungos e vírus entomopatogênicos agora são produzidas em formulações concentradas que garantem alta viabilidade dos microrganismos até o momento da aplicação. Além disso, muitas formulações combinam dois ou mais agentes biológicos, proporcionando efeito sinérgico e ampliando o espectro de pragas controladas. 

Bioinseticidas não substituem químicos, mas complementam o manejo integrado 

Em pragas de difícil controle, a combinação de ferramentas é o caminho para eficácia duradoura. Os produtos biológicos, muitas vezes, atuam de forma mais lenta, porém contínua, controlando populações de pragas ao longo do tempo e reduzindo a reinfestação, enquanto os químicos fornecem ação de choque imediata quando os níveis populacionais ultrapassam o nível de dano. 

Essa complementariedade fica evidente em programas de MIP bem-sucedidos: aplicações iniciais de bioinseticidas podem manter a população baixa, diminuindo o número de pulverizações químicas necessárias e reservando os químicos para momentos críticos. 

Os biológicos trazem vantagens em seletividade e diversidade de mecanismos, enquanto os químicos oferecem rapidez. Integrar os dois tipos resulta em um manejo mais robusto: o químico controla explosões populacionais e o biológico assegura um controle residual e direcionado, prevenindo rebotes. 

A oferta de bioinseticidas cresce por atuar como ferramenta adicional 

Empresas têm lançado produtos visando pragas antes controladas só por químicos. Em síntese, os inseticidas biológicos avançaram de forma notável e hoje desempenham papel complementar indispensável no manejo de pragas, protegendo a lavoura de soja de forma sustentável e econômica. 

ninfa do percevejo-marrom
ninfa do percevejo-marrom

Como as bactérias Pseudomonas atuam no controle do percevejo-marrom? 

Entre as inovações do controle biológico de insetos, destacam-se as bactérias do gênero Pseudomonas, em especial P. chlororaphis e P. fluorescens, que vêm mostrando potencial no manejo de pragas sugadoras, como percevejos e cigarrinhas. 

Embora mais conhecidas como agentes de biocontrole de doenças de plantas (pela produção de antibióticos e a promoção de crescimento), certas cepas de Pseudomonas também possuem propriedades inseticidas notáveis. Essas bactérias benéficas produzem uma série de metabólitos e enzimas capazes de afetar diretamente os insetos. 

Estudos indicam que Pseudomonas chlororaphis libera toxinas denominadas Fit (do inglês Pseudomonas insecticidal toxin), além de cianeto de hidrogênio (HCN), enzimas como proteases e quitinases e moléculas quelantes (sideróforos) com atividade biocida. 

Quando aplicadas na lavoura, essas bactérias podem infectar ou entrar em contato com os percevejos por diversas vias: ingestão (ao se alimentarem de plantas tratadas), contato direto com depósitos da bactéria nas superfícies foliares, ou ainda por absorção tarsal (quando o inseto caminha sobre locais tratados). 

Uma vez em contato com o inseto, as Pseudomonas agem de múltiplas formas: as proteases e quitinases degradam partes do trato digestivo e exoesqueleto do percevejo, comprometendo sua alimentação e integridade física; simultaneamente, as toxinas e o cianeto entram na hemolinfa (sangue do inseto), causando uma intoxicação generalizada que leva à morte. 

Essa abordagem multifacetada é um trunfo científico, pois atinge o inseto em diferentes pontos vitais e dificulta mecanismos de defesa. 

Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens no manejo do percevejo-marrom e de outras pragas da soja 

As bactérias Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens emergem como ferramentas biológicas promissoras no manejo do percevejo-marrom e de outras pragas da soja

Do ponto de vista científico, o uso de Pseudomonas no controle de pragas representa uma fronteira interessante, pois alia a biossegurança (são bactérias comuns no solo, sem efeitos tóxicos) à eficiência inseticida. 

O que é o NETURE™ e como ele controla o percevejo-marrom? 

Banner do inseticida biológico NETURE™ que que oferece controle máximo de pragas com mínima perturbação ambiental. Homem de costas em meio a uma plantação verdejante, olhando para o horizonte sob um céu claro. Acima dele, um arco luminoso transmite sensação de inovação.

Diante dos desafios impostos pelo percevejo-marrom e outras pragas sugadoras, a indústria tem trazido inovações importantes. Uma das mais recentes é o NETURE™, um inseticida biológico desenvolvido pela Syngenta que representa um novo horizonte no controle de pragas. 

NETURE™ se destaca por ser baseado em bactérias benéficas Pseudomonas, especificamente Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens, combinando os mecanismos de ação dessas duas espécies em um único produto. 

Essa formulação inédita oferece uma abordagem multissetorial contra pragas, como percevejo-marrom, mosca-branca, cigarrinha-do-milho e cigarrinha-da-cana. 

Uma característica técnica marcante de NETURE™ é seu modo de ação múltiplo 

O produto age por contato direto com a praga-alvo e também após a ingestão de partes tratadas da planta, afetando tanto o sistema digestivo quanto o sistema nervoso do inseto. Além disso, graças aos metabólitos produzidos pelas Pseudomonas, NETURE™ confere efeito repelente aos insetos e promove benefícios à planta, como maior vigor e tolerância a estresses variados. 

Na prática, isso significa que, ao aplicar NETURE™ em sua lavoura, o produtor não só está controlando os percevejos, mas também afastando novos indivíduos e fortalecendo a planta de soja para melhor suportar eventuais danos. 

Diferenciais de aplicação de NETURE™ 

Ao contrário de muitos bioinseticidas tradicionais, esse produto não requer refrigeração no armazenamento, facilitando a logística na fazenda. Ele vem pronto para uso com equipamentos de pulverização convencionais e foi formulado para ser compatível com os principais defensivos químicos, permitindo misturas em tanque sem perder eficácia. 

Essa compatibilidade é estratégica para o manejo integrado: o produtor pode aplicar NETURE™ junto com fungicidas ou mesmo com um inseticida químico complementar, racionalizando operações. Além disso, NETURE™ pode ser usado ao longo de todo o ciclo da cultura, desde o início da fase vegetativa até a reprodutiva, pois é seguro para a cultura e não deixa resíduos prejudiciais. 

Eficácia de NETURE™ no campo 

Em termos de eficácia, os testes de desenvolvimento e campos de demonstração apontaram que NETURE™ possui alta eficiência e controle residual sobre pragas de difícil manejo. 

No caso do percevejo-marrom, alvo principal na soja, o produto mostrou controle consistente das populações, ajudando a evitar o repique da infestação após a aplicação inicial. Produtores que utilizaram NETURE™ reportaram que as lavouras apresentaram menores danos de percevejo na fase de enchimento de grãos, comparáveis a áreas tratadas com padrões químicos, porém com a vantagem de menor impacto sobre insetos benéficos. 

Um testemunho notável vem do gerente de marketing de biológicos e tratamento de sementes da Syngenta, Rafael Oliveira, que afirmou: “NETURE™ vem para redefinir o padrão do controle biológico em soja e milho. Efetivo desde a primeira aplicação, ele atende às necessidades de produtores que sentem, na prática, a evolução da eficiência do manejo ao combinar soluções químicas e biológicas, elevando a sustentabilidade e a lucratividade no campo.” 

Essa declaração ressalta dois pontos-chave: rapidez de ação (NETURE™ atua logo na primeira aplicação, diferentemente de alguns biológicos que demoram mais) e sinergia com químicos (o produto foi concebido para ser parte de um sistema integrado). 

O percevejo-marrom permanece como um desafio importante, mas a forma de encarar esse desafio está mudando 

Vimos que a adoção de inseticidas biológicos no controle do percevejo-marrom e de outras pragas importantes cresce rapidamente no Brasil, respaldada por resultados positivos em campo. 

Estudos e casos práticos demonstram que integrar soluções biológicas no manejo da soja aumenta a resiliência da lavoura, melhora a lucratividade e prepara o produtor para atender às demandas de mercados cada vez mais exigentes em sustentabilidade. 

No manejo do percevejo-marrom especificamente, ficou claro que não se trata de substituir o controle químico, mas de enriquecer o arsenal de ferramentas. A complementariedade entre inseticidas químicos e biológicos proporciona um controle mais completo, com menor impacto aos inimigos naturais e ao meio ambiente. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.

Perguntas frequentes 

1. O que é o percevejo-marrom? 

É o Euschistus heros, uma praga-chave da soja no Brasil, que se alimenta sugando a seiva de ramos e vagens e injetando toxinas nos tecidos da planta. 

2. Qual a perda de produtividade causada pelo percevejo-marrom na soja? 

Pode chegar a até 30% do potencial produtivo da lavoura, além de reduzir a qualidade fisiológica das sementes. 

3. Os bioinseticidas substituem o controle químico do percevejo-marrom? 

Não. Eles complementam o manejo integrado: agem de forma mais lenta e contínua, enquanto os químicos oferecem ação de choque imediata em explosões populacionais. 

4. Como as bactérias Pseudomonas controlam o percevejo-marrom? 

Pseudomonas chlororaphis produz toxinas Fit, cianeto de hidrogênio (HCN), proteases e quitinases que degradam o trato digestivo e o exoesqueleto do inseto, além de causar intoxicação generalizada. 

5. O que é o NETURE™? 

Um inseticida biológico da Syngenta, formulado com Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens, com ação múltipla contra percevejo-marrom, mosca-branca, cigarrinha-do-milho e cigarrinha-da-cana. 

6. NETURE™ pode ser misturado com defensivos químicos? 

Sim. É compatível com misturas em tanque com os principais defensivos químicos e não requer refrigeração para armazenamento. 

7. Quando é a fase de maior pressão do percevejo-marrom na soja? 

No período reprodutivo (R5 a R7) e no final do ciclo da cultura, próximo à colheita. 

8. Por que abandonar o controle no final do ciclo da soja é um erro? 

Porque percevejos que sobrevivem no fim da colheita migram para culturas subsequentes, como o milho safrinha, mantendo populações ativas o ano todo e agravando a infestação na safra seguinte.