A safra de verão 2025/26 se aproxima e produtores de todo o Brasil estão voltando sua atenção para o clima, para entender padrões e previsões climáticas que regerão o manejo da próxima temporada.

As culturas de verão, como soja, milho e algodão, são especialmente sensíveis a variações de temperatura, volume e distribuição de chuvas, além de enfrentarem riscos crescentes com queimadas e estiagens prolongadas. 

Por isso, planejar o calendário agrícola para a safra verão 2025/26, considerando as previsões climáticas dos principais centros meteorológicos e especialistas do setor, é indispensável.

Neste conteúdo, entenda o que é esperado do clima para a safra verão 2025/26 e como ele pode impactar o calendário agrícola, para se antecipar sobre o manejo de pragas e doenças e proteger o potencial produtivo das lavouras.

Como ficam as previsões climáticas para as culturas de verão da safra 2025/26?

Com o plantio da soja e do milho verão se aproximando, as previsões climáticas para a safra verão 2025/26 começam a tomar forma e moldar o planejamento do calendário agrícola da próxima safra.

O início da safra verão 2025/26 será marcado por clima seco e poderá atrasar plantio, indicam previsões climáticas

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), são esperadas chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média na maior parte do Brasil até setembro de 2025, um mês marcado pelo fim do vazio sanitário da soja em alguns Estados brasileiros e o início do plantio da soja e do milho.

Mapas do Brasil mostrando as anomalias de precipitação e temperatura média do ar.
Precipitação (a) e temperatura média do ar (b) previstas para julho, agosto e setembro de 2025. Fonte: elaboração conjunta pelo INMET, CPTEC/INPE e FUNCEME.

Na região Norte as temperaturas devem ficar até 2 °C  acima da média histórica nacional, com um cenário de seca se estabelecendo nos Estados do Pará, Rondônia e Tocantins. Apesar disso, nos Estados de Amapá e Roraima, as chuvas devem se manter acima da média.

A região Nordeste segue a mesma tendência, com alta de até 1 °C na temperatura em algumas regiões. Chuvas dentro da média histórica são esperadas para a região litorânea, enquanto o interior da região, como Piauí, Ceará, Bahia e sertão de Pernambuco, continuarão sendo marcados pela seca.

Na região Centro-Oeste, o clima tipicamente seco para o período deve permanecer, com previsão de chuvas abaixo da média em todos os Estados. Esse cenário liga o alerta de aumento do risco de queimadas na região com a permanência das massas de ar seco e quente. A temperatura também deve registar médias mais elevadas.

Mapa do Brasil mostrando a previsão probabilística em tercis da temperatura.
Previsão probabilística em tercis da temperatura entre julho e setembro de 2025. Fonte: Copernicus.

Para a região Sudeste o cenário é similar. Chuvas abaixo da média e temperaturas mais altas vão marcar o clima dos Estados na região. A passagem de frentes frias pode contribuir para chuvas na região litorânea, mas também aumenta o risco de geadas em locais com altitude elevada.

Somente na região Sul as previsões climáticas são mais otimistas. São esperadas chuvas  acima da média para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto o Estado do Paraná deve registrar temperaturas acima da média. Porém, da mesma forma que a região Sudeste, existe o risco de geadas em locais de maior altitude.

Mapas do Brasil mostrando a climatologia de precipitação e temperatura média do ar.
Climatologia da precipitação (a) e temperatura média do ar (b) previstas para julho, agosto e setembro de 2025. Fonte: INMET.

Com o avanço da safra verão 2025/26, a tendência é que as condições climáticas se estabilizem, principalmente em razão da atual condição de neutralidade do Pacífico Equatorial. Porém, esse cenário pode se alterar caso o La Niña retorne ao final do ano.

La niña pode retornar no final do ano e impactar tanto o plantio do algodão quanto o progresso das lavouras de soja e milho 

Atualmente, o Brasil e o mundo vivenciam um estado de neutralidade climática do Oceano Pacífico, condição essa que rege a ocorrência dos fenômenos El Niño e La Ninã

De acordo com a instituição dos Estados Unidos para tempo e clima, a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), em abril de 2025 o Oceano Pacífico voltou ao estado de neutralidade climática com o fim do La Niña.

Gráfico indicando probabilidade de ocorrência do El Niño e La Niña.
Previsões climáticas para a safra verão 2025/26 indicam um cenário estável, mas que pode mudar. Fonte: NOAA

Essa situação deve permanecer inalterada durante o inverno e parte da primavera de 2025, o que é uma notícia boa do ponto de vista de previsibilidade climática, já que tanto o La Ninã quanto o El Niño influenciam significativamente os indicadores de temperatura e precipitação ao nível mundial.

Porém, com o avanço da safra verão 2025/26, essa situação pode se alterar. Segundo o Centro de Previsão do Clima dos Estados Unidos (CPC), o La Niña pode retornar entre novembro de 2025 e janeiro de 2026. Essa previsão é sustentada pelos modelos climáticos, que começam a indicar uma possível tendência de resfriamento das águas do Pacífico tropical.

Além disso, o NOAA reforça essa possibilidade, uma vez que, a partir de novembro, a possibilidade do El Niño reduz, o que favorece a chance de retorno do La Niña.

Gráfico mostrando o histórico da tendência de ocorrência do El Niño e La Niña.
Histórico mensal da temperatura da superfície do Oceano Pacífico dos últimos 2 anos. Fonte: NOAA

Mas, o que aconteceria se a previsão do retorno do La Niña se concretizar?

La Niña pode levar a um aumento das chuvas no Norte e no Nordeste, enquanto o Sul pode enfrentar secas

Embora o La Niña tenda a modificar as condições climáticas no Brasil e no mundo, especialistas ressaltam que seus efeitos geralmente não são imediatos ou extremamente intensos no primeiro ano. Portanto, a expectativa seria de uma mudança gradual nos padrões de precipitação e temperatura na safra verão 2025/26.

Se o La Niña retornar na safra verão 2025/26, as regiões Norte e Nordeste poderão registrar um aumento no volume de precipitações, enquanto, na região Sul, estiagem e temperaturas elevadas serão esperadas

No Centro-Oeste e Sudeste, os impactos podem variar. Nas últimas ocorrências, como na safra 2024/25, essas regiões tiveram baixo volume de chuvas e queda de temperatura ao longo do verão.

Infográfico comparativo mostrando como o El Niño e La Niña influenciam as tendências climáticas no Brasil.

Para o agricultor, isso significa mais atenção ao manejo de pragas, doenças e daninhas, que podem exercer uma maior ou menor pressão, dependendo das condições climáticas.

Previsões climáticas ditam tendências de pragas, doenças e daninhas na safra verão 2025/26

Doenças fúngicas, percevejos e mosca-branca devem estar no radar dos produtores de soja

Com as previsões climáticas apontando para um início da safra verão 2025/26 mais seco e quente, seguido de um possível aumento da precipitação e redução das temperaturas, os produtores de soja devem estar preparados e elaborar o planejamento antecipado do Manejo Integrado de Pragas e Doenças (MIPD).

Condições de alta umidade relativa do ar e temperaturas amenas favorecem o aparecimento de doenças fúngicas, como a ferrugem-asiática-da-soja (Phakopsora pachyrhizi) e a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), que podem se tornar um problema para o produtor de soja na safra 2025/26.

Folhas de soja exibindo sintomas da ferrugem-asiática (Phakopsora pachyrhizi).

Além disso, lagartas, percevejos e outras pragas da soja podem apresentar maior presença nas lavouras. De forma geral, condições de precipitação mais elevadas criam um ambiente propício para a proliferação de diversos tipos de pragas, porém as temperaturas mais amenas podem contribuir para o retardamento do desenvolvimento.

Na região Sul do país, o cenário de pragas e doenças para os produtores de soja deve ser um pouco diferente. Com as previsões climáticas apontando para um possível período de seca e de temperaturas mais elevadas, doenças da soja, como a antracnose (Colletotrichum truncatum), e pragas da soja, como a mosca-branca (Bemisia tabaci), precisam ser monitoradas com atenção redobrada.

Outro desafio são as plantas daninhas que, ao longo dos anos, se tornaram resistentes aos herbicidas mais utilizados. A buva (Conyza spp.), o caruru (Amaranthus hybridus) e o picão-preto (Bidens spp.) estão entre as espécies que apresentam resistência e que também estão entre as daninhas mais preocupantes em soja, milho e algodão.

Condições de estresse hídrico podem dificultar o manejo de pragas e doenças para os produtores de milho

Os produtores de milho devem enfrentar um desafio maior na safra verão 2025/26, com as previsões climáticas apontando para um período de estiagem durante o desenvolvimento da cultura nas principais regiões produtoras do país.

Com a possibilidade de atraso do plantio do milho verão na safra 2025/26, o impacto do estresse hídrico nas lavouras podem deixá-las vulneráveis ao ataque de pragas e doenças.

O clima quente e seco pode favorecer pragas do milho vetores de doenças, como a cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis), que é responsável pela transmissão dos enfezamentos, desafiando produtores de milho safra após safra.

Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) em folha de milho.

Além disso, as condições de estresse hídrico podem contribuir para doenças do milho oportunistas, como a mancha-de-bipolaris (Bipolaris maydis). Por isso, fazer o monitoramento da lavoura e aplicar estratégias do MIPD são práticas essenciais para proteger o potencial produtivo das lavouras.

Produtores de algodão devem ter atenção com as doenças foliares e as pragas sugadoras

Para a safra verão 2025/26, os produtores de algodão podem esperar desafios relacionados ao manejo de doenças foliares e as pragas sugadoras.

As condições de umidade e temperaturas mais elevadas devem favorecer o desenvolvimento de doenças foliares do algodão, como a mancha-alvo (Corynespora cassiicola), a mancha-de-ramulária (Ramularia areola) e a mancha-de-cercóspora (Cercospora gossypina), assim como também de pragas sugadoras, como os percevejos e pulgões.

Pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) em folha de algodão.

Se mantidas essas condições climáticas com o avanço da safra, o bicudo-do-algodoeiro (Anthonomus grandis) pode se tornar outro problema para os produtores, prejudicando o desenvolvimento dos capulhos.

Se antecipar aos desafios fitossanitários da safra verão 2025/26 é essencial para proteger o potencial produtivo das lavouras

Tendo em vista os possíveis desafios fitossanitários para a safra verão 2025/26, é essencial que o produtor faça um planejamento antecipado do MIPD com o auxílio de uma assistência técnica personalizada e adote uma postura preventiva do manejo de pragas, doenças e daninhas.

Para isso,  é importante considerar incluir boas ferramentas para o tratamento de sementes, fazer o monitoramento periódico das lavouras e contar com produtos eficientes para o controle de pragas e doenças.

Nesse sentido, fazer o manejo antecipado, usar a dessecação pré-plantio e fazer a aplicação de herbicidas antes e após a emergência das plantas daninhas também são práticas essenciais para manter a lavoura limpa das daninhas mais resistentes.

Além disso, as previsões climáticas, como discutido anteriormente, são ferramentas valiosas na hora de implementar o planejamento agrícola. Continue acompanhando as nossas atualizações para entender como proteger e potencializar o potencial produtivo da sua safra verão 2025/26!

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