A agricultura brasileira é diretamente impactado pelas oscilações climáticas geradas pelo El Niño e pela La Niña. Esses fenômenos alteram o regime de chuvas, as temperaturas e a disponibilidade hídrica em diferentes regiões do país, influenciando o calendário de plantio, a produtividade das culturas e as estratégias de manejo adotadas pelos produtores em cada safra. 

Em episódios intensos, os efeitos são sentidos de forma ampla: atrasos no plantio, falhas no estande, aumento da pressão de pragas e doenças e quedas expressivas de produtividade.  

Conhecer como cada fenômeno age e em quais regiões é o primeiro passo para planejar com antecedência e reduzir as perdas. 

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O que são os fenômenos El Niño e La Niña e como eles ocorrem 

Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o El Niño e o La Niña são as duas fases do ENOS, El Niño-Oscilação Sul: um fenômeno atmosférico-oceânico de macroescala que ocorre no Oceano Pacífico Equatorial e na atmosfera adjacente.  

  • El Niño: fase em que o Oceano Pacífico Equatorial está mais quente do que a média histórica. 
  • La Niña: fase oposta, em que o oceano está mais frio do que a média histórica. 

Essas mudanças na temperatura do oceano geram efeitos globais nos padrões de circulação atmosférica, com impactos diretos na agricultura de diferentes regiões do Brasil. 

El Niño e La Niña: efeitos por região do Brasil e impacto nas principais culturas 

Região Durante El Niño Durante La Niña Culturas mais afetadas 
Norte (AM, PA, AC, RO, RR, AP, TO / MATOPIBA norte) Diminuição da precipitação; secas; aumento do risco de incêndios Aumento de precipitação Soja (TO), arroz, milho, 
Nordeste / MATOPIBA (MA, PI, CE, RN, PB, PE, AL, SE, BA) Secas severas; semiárido fortemente afetado; déficit hídrico pronunciado no final do ciclo Aumento de precipitação; potencial benefício para o semiárido e o MATOPIBA, condicionado à distribuição das chuvas Soja, algodão, milho, feijão, fruticultura 
Centro-Oeste / Cerrado (MT, MS, GO, DF) Chuvas irregulares e temperaturas acima da média Baixa previsibilidade; risco de veranicos; possível início tardio das chuvas Soja, milho safrinha, algodão, cana-de-açúcar 
Sudeste (SP, MG, ES, RJ) Temperaturas acima da média Baixa previsibilidade; risco de seca prolongada no outono-inverno; pressão crescente sobre irrigação Café, citros, hortaliças, cana-de-açúcar 
Sul (PR, SC, RS) Precipitações abundantes e temperaturas acima da média Secas severas, especialmente na primavera; veranicos Soja, milho safrinha, trigo, fruticultura 

Fonte: CPTEC/INPE; Embrapa Agrometeorologia; CONAB. Efeitos baseados em padrões históricos; variações ocorrem por safra e intensidade do fenômeno. 

Impacto do El Niño nas lavouras brasileiras 

Em episódios de El Niño intenso, os efeitos sobre a agricultura variam de forma significativa entre as regiões. No Sul do Brasil, o excesso de chuvas e temperaturas acima da média intensifica a pressão de doenças foliares, , dificulta operações de colheita e pode comprometer a qualidade dos grãos. 

No Nordeste e no Norte, o El Niño tende a reduzir o volume de chuvas, agravando a seca em regiões já vulneráveis e prejudicando culturas dependentes do regime pluviométrico natural.  

No Sudeste, as temperaturas acima da média durante o verão impactam culturas sensíveis ao calor excessivo, como o café durante a floração e hortaliças em fases críticas de desenvolvimento.  

 La Niña: quais são os efeitos para o agro 

A La Niña tende a trazer efeitos opostos ao El Niño em boa parte do Brasil. No Sul, a principal preocupação é a seca na primavera, período crítico para o plantio de soja e do milho de primeira safra.  

Veranicos mais frequentes durante o ciclo reprodutivo dessas culturas podem reduzir a produtividade de forma significativa, especialmente quando ocorrem nos estádios de enchimento de grãos. 

No Norte e Nordeste, a La Niña tende a aumentar as chuvas, o que pode beneficiar a produção agrícolanos Estados da região e demais regiões do MATOPIBA, desde que o volume e a distribuição sejam adequados ao ciclo das culturas. 

 Como mitigar os impactos do El Niño e da La Niña na lavoura 

Diante desse cenário, o produtor precisa adotar estratégias que antecipem os riscos do El Niño e do La Niña e preservem ao máximo o potencial produtivo da lavoura. 

Principais estratégias de adaptação 

As principais estratégias de adaptação ao ENOS são: 

  • Ajuste do calendário de plantio: antecipar ou atrasar o plantio com base nas previsões sazonais do CPTEC/INPE e do INMET pode reduzir a exposição da cultura ao período de maior risco climático. 
  • Escolha de cultivares adaptadas:priorizar cultivares com tolerância ao déficit hídrico e doenças foliares. 
  • Planejamento da irrigação: dimensionar o sistema de irrigação para cobrir os períodos de déficit previstos reduz perdas e otimiza o uso da água disponível. 
  • Programa fitossanitário adaptado ao cenário: visando reduzir a pressão de pragas, como percevejos e lagartas, e doenças.. 
  • Uso de bioinsumos: bioativadores ampliam a tolerância das plantas ao estresse hídrico e mitigar as perdas de produtividade. 
  • Seguro agrícola: contratar seguro antes do plantio é uma ferramenta de gestão de risco indispensável em anos com previsão de ENOS intenso. 

A importância de buscar informações confiáveis sobre o clima 

Por fim, uma orientação que vale para qualquer cenário climático: checar a fonte e a credibilidade das informações antes de tomar decisões de manejo com base em previsões climáticas. O Engenheiro Agrônomo com mestrado em Agrometerologia e Tecnologia da Produção Agrícola pelo IAC Marco Antonio dos Santos resume bem: 

“Buscar informações de pessoas realmente sérias. Porque, hoje, somos bombardeados diariamente com milhões de informações, umas mais pessimistas, outras mais otimistas, outras até sensacionalistas, então procure primeiro: quem passou essa informação? Segundo: qual a base de dados que ele teve para dar essa informação? Se cerque de pessoas, de canais de informação que realmente tenham credibilidade e embasamento.” 

Os organismos oficiais, CPTEC/INPEINMET e Embrapa Agrometeorologia, publicam regularmente boletins técnicos sobre o ENOS e seus efeitos na agricultura brasileira. São fontes gratuitas, baseadas em dados reais e que devem ser consultadas antes de qualquer decisão de planejamento de safra. 

El Niño e La Niña não são fenômenos que o produtor pode controlar, mas são fenômenos que ele pode antecipar e planejar. Monitorar as previsões sazonais, ajustar o programa de manejo com antecedência e adotar as estratégias certas para cada cenário são as ferramentas que fazem a diferença na safra. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  

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