Atualizado em 29/08/2025

Após consolidar sua posição como o maior exportador de algodão na safra anterior, o Brasil espera, com a colheita do algodão da safra 2024/25, fazer história mais uma vez.

Com uma produção total recorde projetada em mais de 3,93 milhões de toneladas, segundo a Conab, os cotonicultores brasileiros revelam otimismo com os resultados da safra 2024/25, que segue em fase de colheita nas principais regiões produtoras.

Neste blog, acompanhe o andamento da colheita do algodão da safra 2024/25, os principais desafios climáticos e fitossanitários superados até então e o que esperar do mercado de algodão para os próximos meses.

Colheita do algodão da safra 2024/25 segue avançando

Com quase 40% das lavouras de algodão já colhidas e menos de 60% em fase de maturação, a safra 2024/25 segue avançando nos principais Estados produtores do país.

O progresso da safra vem sendo acompanhado pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), que publicou recentemente o 11º levantamento do acompanhamento da safra brasileira de grãos.

Progresso da safra de algodão 2024/25.
A colheita do algodão da safra 2024/25 segue avançando. Fonte: Conab

A colheita do algodão vem acompanhando o ritmo de maturação das lavouras e as condições climáticas, que seguem favoráveis.

Segundo a CONAB, até o dia 09 de agosto, a colheita do algodão da safra 2024/25 alcançou um total 39%, porém, na maior parte dos principais Estados produtores, a colheita já ultrapassa mais da metade da área cultivada

O avanço da colheita por Estado está distribuído da seguinte forma:

  • Maranhão: 71%
  • Piauí: 81%
  • Bahia: 50%
  • Mato Grosso: 31,7%
  • Mato Grosso do Sul: 76%
  • Goiás: 73%
  • Minas Gerais: 76%

Em relação à média de colheita do algodão dos últimos 5 anos, os Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás estão com a colheita atrasada. Já Estados do Maranhão, Piauí e Minas Gerais estão com a colheita adiantada, considerando o mesmo período avaliado.

De forma geral, o clima mais seco tem favorecido o avanço das colheitas em Estados, como Mato Grosso, Bahia, Piauí e Pará. No Mato Grosso do Sul e no Maranhão, a colheita do algodão de primeira safra está em fase de finalização. Porém, em Goiás, a colheita nas áreas irrigadas segue um ritmo mais lento.

Monitoramento semanal das condições das lavouras, incluindo do algodão.
Monitoramento semanal das condições das lavouras. Fonte: Conab

Produção de algodão na safra 2024/25 cresce acompanhada da expansão da área plantada

Com o avanço da colheita, cotonicultores de todo o Brasil estão com expectativas muito positivas. A atual safra promete superar os resultados da anterior, que consolidou o país como o maior exportador mundial de algodão.

Para safra de algodão 2024/25, é esperado uma produção de aproximadamente 3,93 milhões de toneladas em plumas, um montante 6,3% superior em relação à safra anterior. Esse resultado é um reflexo da expansão da área plantada nas regiões Norte, Centro-Oeste e, especialmente, Nordeste, alcançando um total de 2.085,7 mil hectares na safra 2024/25.

Área, produtividade e produção estimadas da safra de algodão 2024/25.
Área, produtividade e produção estimadas da safra de algodão 2024/25. Fonte: Conab

Porém, o mesmo não se pode dizer da produtividade do algodão na safra 2024/25, que registrou uma queda de 0,9% em razão das instabilidades climáticas e questões fitossanitárias, que impuseram desafios no dia a dia do produtor.

Chuvas irregulares marcaram a safra 2024/25

Diversas regiões cotonicultoras brasileiras enfrentaram um clima instável na safra 2024/25, marcado por chuvas irregulares e mal distribuídas, estiagens e veranicos. Essa foi uma realidade nos Estados da Bahia, de Minas Gerais, Goiás, Paraná, Paraíba e Piauí.

Apesar da condição climática irregular ter impactado negativamente a produtividade do algodão, ela se deu de forma bem localizada em algumas regiões e afetou mais gravemente as lavouras de sequeiro.

Essas condições climáticas irregulares foram um reflexo do La Niña, um fenômeno oceano-atmosférico que provoca o aumento da precipitação nas regiões Norte e Nordeste e secas na região Sul, sendo as regiões Centro-Oeste e Sudeste as menos previsíveis.

Na safra 2024/25, o La Niña se deu de forma mais atenuada e de curta duração. Apesar de ter afetado negativamente algumas regiões produtoras de algodão, outras acabaram sendo beneficiadas, como foi o caso do Estado do Piauí.

Condições hídricas e de temperatura por Estado na safra de algodão 2024/25 e seus impactos na cultura.
Condições hídricas e de temperatura por Estado na safra de algodão 2024/25 e seus impactos na cultura. Fonte: Conab

Apesar desse cenário ter imposto limitações no início da safra, agora, com o avanço da colheita do algodão da safra 2024/25, o clima mais seco e as temperaturas diurnas elevadas em algumas regiões têm favorecido o progresso da safra.

Tanto o rendimento de fibra, quanto a produtividade do algodão seguem satisfatórios, com destaques para os Estados do Mato Grosso e de Goiás. 

No Mato Grosso, por exemplo, um pouco mais de 1/3 da área já foi colhida. A produtividade de algodão observada no Estado de até 360 @/ha e de rendimento de fibra de até 43% têm deixado produtores otimistas.

Manejo fitossanitário de pragas e doenças adequado contribuiu para a boa qualidade do algodão

Um outro reflexo das condições climáticas instáveis na safra 2024/25 se deu no manejo de pragas e doenças do algodão que, apesar de presentes, foram mantidos sob controle e não causaram prejuízos significativos. 

Precipitações irregulares, altas temperaturas e dias nublados levaram ao aumento da pressão de doenças do algodão de origem fúngica, como a mancha-alvo e a ramulária. Já chuvas regulares e temperaturas amenas exigiram um controle rigoroso de pragas do algodão, como o bicudo, as lagartas Spodoptera, a mosca-branca e os ácaros

Com o avanço da colheita do algodão, diversos Estados já iniciaram a destruição das soqueiras, ou restos culturais do algodão. Essa prática visa interromper o ciclo de pragas e doenças, especialmente do bicudo-do-algodoeiro, a principal praga do algodão.

Para alguns Estados, a destruição dos restos culturais do algodão é uma exigência legal. Esse é o caso da Bahia, que tem essa prática regulamentada pela Portaria nº 201/2019 da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).

A soma de todas essas medidas fitossanitárias permitiu manter as pragas e doenças do algodão sob controle e sem causar prejuízos significativos, o que teve um reflexo positivo na qualidade da pluma.

Em Goiás, o algodão colhido tem apresentado uma qualidade de pluma satisfatória, apesar dos níveis elevados de impurezas e problemas pontuais com a espessura e comprimento da fibra. 

Porém, em outros Estados, como o Mato Grosso do Sul, produtores têm mostrado certa apreensão em relação à qualidade do algodão, visto às precipitações e às ondas de frio registradas durante junho e julho que podem impactar negativamente.

Mercado de algodão para safra 2024/25 está aquecido, mesmo com as instabilidades internacionais

Na última safra, o Brasil se consolidou como o maior exportador global de algodão. Agora, na safra 2024/25, produtores brasileiros buscam manter a posição e as expectativas são para crescimento das exportações de algodão, que deve totalizar quase 3 milhões de toneladas.

Apesar disso, será necessário superar desafios devido às instabilidades e incertezas políticas no mercado internacional de algodão. Medidas tarifárias adotadas pelo governo dos EUA, altas taxas de juros e embates comerciais entre os EUA e a China podem impactar os investimentos e as exportações, como também abrir novas oportunidades para o setor algodoeiro brasileiro. 

No mercado interno, o consumo deve atingir 745 mil toneladas, o que representa uma retração de 0,66% em relação à safra anterior. A principal razão é a elevada taxa de juros interna, que vem limitando as negociações.

Para o mercado externo, espera-se que as exportações de algodão alcancem um crescimento de 7% em 2025 em relação ao ano anterior, totalizando 2,97 milhões de toneladas.

Porém, a redução das compras por parte da China e as tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros podem limitar esse crescimento. Em contrapartida, o aumento das exportações para outros países, têm mantido a confiança dos produtores no mercado e no retorno econômico da cultura.  

Essa dinâmica deve levar a um incremento de 9,4% no estoque final de algodão na safra 2024/25, totalizando 2,6 milhões de toneladas.

Estoque de algodão por safra.
Estoque de algodão por safra.
Estoque de algodão por safra. Fonte: Conab

Safra de algodão 2024/25 vem mostrando o legado do produtor brasileiro

Em suma, a safra de algodão 2024/25 reflete a resiliência e a expertise do produtor brasileiro, que vem superando adversidades climáticas e fitossanitárias para alcançar uma produção recorde mais uma vez.

Diante de desafios climáticos e pressão de pragas e doenças, o uso estratégico de tecnologias e inovações vem sendo crucial para otimizar a colheita, manter a qualidade das fibras e proteger o potencial produtivo das lavouras, projetando um futuro promissor e firmando o legado de excelência e determinação do produtor brasileiro.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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