O preço da soja segue firme e já alcança o maior nível em quatro anos no mercado brasileiro. Em 1º de setembro, a saca fechou entre R$ 162 e R$ 164 nos principais portos do país. O movimento acompanha a escalada das cotações em Chicago, que romperam a marca de US$ 13 por bushel e chegaram ao maior patamar desde 2023.
Vários fatores empurraram os preços para cima ao mesmo tempo. Entre eles estão a deterioração das lavouras nos Estados Unidos, novas compras da China, a valorização do óleo de soja, o avanço do trigo e tensões geopolíticas que aumentam a aversão ao risco nos mercados de commodities.
Chicago acumula sequência de altas
Nos últimos pregões, os contratos futuros de soja mantiveram trajetória ascendente. Na sessão mais recente, a posição novembro avançou 2,3%, para US$ 13,17 por bushel. Já o contrato com vencimento em janeiro subiu para US$ 13,32 por bushel.
Os subprodutos também acompanharam o movimento. O farelo com vencimento em dezembro fechou em alta de 2,11%, a US$ 352,60 por tonelada. O óleo de soja para o mesmo mês avançou 2,09%, para 72,63 centavos de dólar por libra-peso.
Do lado da demanda, o apoio segue firme. Exportadores privados americanos reportaram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 136 mil toneladas de soja à China, com entrega prevista para a temporada 2026/27. Além disso, as importações de óleo de soja pela Índia atingiram recorde em agosto, segundo comerciantes ouvidos pelo mercado, reforçando o apetite global pelo produto.
Clima nos Estados Unidos preocupa e sustenta as cotações
O comportamento das lavouras americanas segue no centro das atenções. Segundo dados do USDA, até 30 de agosto, 58% das áreas de soja nos Estados Unidos estavam classificadas entre boas e excelentes. O percentual caiu frente aos 60% registrados uma semana antes, em 23 de agosto.
A previsão de clima seco e temperaturas elevadas para as próximas semanas reforça esse cenário de atenção. Como agosto e setembro são meses decisivos para a definição da produtividade americana, qualquer sinal de piora nas condições de lavoura tende a repercutir rapidamente nos preços em Chicago.
Preços físicos sobem em praças de todo o país
O reflexo da alta internacional já aparece nas principais praças brasileiras. Em Passo Fundo (RS), a saca subiu de R$ 152 para R$ 154. Em Santa Rosa (RS), o avanço foi de R$ 153 para R$ 155. Já em Cascavel (PR), o preço passou de R$ 149 para R$ 151.
Outras regiões também registraram valorização:
- Rondonópolis (MT): de R$ 144 para R$ 145 por saca;
- Dourados (MS): de R$ 141 para R$ 143 por saca;
- Rio Verde (GO): de R$ 145 para R$ 146 por saca.
Nos portos de Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS), as referências chegaram a R$ 162 por saca, consolidando o mercado interno como reflexo direto da força observada em Chicago.
Câmbio mais fraco não freia a valorização da soja
Mesmo com o dólar em queda, os preços da soja seguem em alta no Brasil. Na sessão mais recente, a moeda americana recuou 0,55%, negociada a R$ 5,1526 na venda. Durante o pregão, chegou a oscilar entre R$ 5,1381 e R$ 5,2016.
Esse cenário mostra que a força do mercado internacional tem sido suficiente para compensar o câmbio menos favorável ao exportador. Assim, mesmo diante de um real mais valorizado, a soja brasileira segue em um dos melhores momentos de preço dos últimos anos.
O que pode definir os próximos passos do mercado
Com a proximidade da colheita americana, o mercado deve seguir atento a alguns fatores importantes:
- A evolução das condições climáticas no meio-oeste dos Estados Unidos nas próximas semanas;
- O ritmo das compras chinesas para a temporada 2026/27;
- Possíveis ajustes do USDA nas estimativas de área plantada e produtividade nos próximos relatórios.
Enquanto esses pontos não se confirmam, a combinação de demanda forte, clima desafiador nos Estados Unidos e mercado global mais tensionado deve manter o preço da soja em patamar elevado tanto em Chicago quanto no Brasil.
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