O inseticida biológico para o controle da mosca-branca é uma resposta direta à crescente pressão que essa praga representa na agricultura brasileira. 

Consolidada como uma das ameaças mais desafiadoras, a Bemisia tabaci se destaca pela alta capacidade reprodutiva e fácil adaptação, causando prejuízos severos sentidos na prática com a pressão histórica nas últimas safras. 

Essa realidade impulsiona a necessidade de uma evolução no manejo, adotando soluções que sejam não apenas eficazes, mas também sustentáveis e alinhadas aos preceitos do Manejo Integrado de Pragas (MIP). 

Este guia explora os danos causados pela mosca-branca, detalha o funcionamento dos inseticidas biológicos e apresenta como essa solução pode ser aplicada no campo. 

Ficha rápida: mosca-branca 

Nome científico Bemisia tabaci 
Biótipos no Brasil B (amplamente disseminado) e Q (alta resistência a inseticidas) 
Capacidade reprodutiva 11 a 15 gerações por ano; 100 a 300 ovos por fêmea 
Hospedeiros Cerca de 900 espécies de plantas 
Vírus transmitidos Cerca de 120 espécies (mosaico dourado, geminivírus, necrose-da-haste) 
Perda de produtividade Pode chegar a 100% em infestações extremas 
Culturas em risco Soja, feijão, algodão, tomate, melão, uva, batata, cucurbitáceas, brássicas 
Agentes biológicos de controle Fungos entomopatogênicos (contato) e bactérias (ingestão): Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens 
Dose recomendada (NETURE™) 0,8 a 1,6 L/ha, em 3 aplicações com intervalo de 7 dias 
Solução Syngenta NETURE™ 

Principais pontos 

  • Bemisia tabaci tem alta capacidade reprodutiva (11 a 15 gerações por ano) e coloniza cerca de 900 espécies de plantas. 
  • O maior perigo não é o dano direto, mas a transmissão de cerca de 120 espécies de vírus. 
  • Em infestações extremas, as perdas de produtividade podem chegar a 100%. 
  • Bioinseticidas agem por contato (fungos) ou ingestão (bactérias), com múltiplos modos de ação. 
  • NETURE™ combina Pseudomonas chlororaphis e P. fluorescens, com dose de 0,8 a 1,6 L/ha em 3 aplicações. 
  • A aplicação deve começar no início da infestação, em horários de menor incidência solar. 

O que torna a mosca-branca um desafio crescente no campo? 

As últimas safras ficaram marcadas na memória de muitos agricultores. Uma pressão histórica de mosca-branca (Bemisia tabaci) atingiu as lavouras, acendendo um alerta sobre a crescente complexidade no manejo dessa praga. 

mosca-branca (Bemisia tabaci) em folha.
mosca-branca (Bemisia tabaci) em folha.

Considerada uma das principais ameaças em ecossistemas tropicais e subtropicais, a mosca-branca deixou de ser uma praga secundária para se tornar um dos maiores desafios da agricultura moderna. 

O sucesso desse pequeno inseto sugador no campo se deve a uma combinação de fatores biológicos poderosos: 

  • Alto potencial reprodutivo: com 11 a 15 gerações por ano, uma única fêmea pode depositar entre 100 e 300 ovos ao longo de sua vida. 
  • Ciclo de vida curto e adaptável: fatores como a temperatura influenciam diretamente seu desenvolvimento. O aumento das temperaturas médias, intensificado por fenômenos como o El Niño, acelera seu ciclo de vida, resultando em mais gerações por safra e, consequentemente, uma explosão populacional. 
  • Grande número de hospedeiros: a mosca-branca é extremamente polífaga, capaz de colonizar cerca de 900 espécies de plantas, incluindo culturas de grande importância econômica e diversas plantas daninhas. 
  • Alta capacidade de reduzir a sensibilidade a métodos de controle mais tradicionais: a plasticidade genética da praga, somada ao uso contínuo de mesmos ingredientes ativos, tem alterado a sensibilidade da praga a métodos de controle mais tradicionais. 

Essa capacidade de adaptação, somada à presença de diferentes biótipos no Brasil, como o biótipo B, amplamente disseminado, e o biótipo Q, conhecido pela alta resistência a inseticidas, exige que o produtor adote estratégias de manejo cada vez mais sofisticadas e integradas. 

Quais os prejuízos diretos e indiretos da mosca-branca? 

Os danos causados pela mosca-branca são severos e se manifestam de duas formas principais, podendo comprometer a lavoura em qualquer fase do desenvolvimento. 

Danos diretos da mosca-branca 

Tanto os adultos quanto as ninfas (formas jovens) se alimentam da planta através da sucção contínua da seiva. Esse ataque direto enfraquece a planta, resultando em sintomas visíveis como a redução no crescimento, o murchamento e, em casos de alta infestação, até a morte da planta. 

Além disso, a alimentação das ninfas, especialmente em altas populações, pode induzir desordens fisiológicas específicas em certas culturas. Os exemplos mais conhecidos são o amadurecimento irregular dos frutos do tomateiro e a folha-prateada-da-aboboreira, anomalias que depreciam completamente o valor comercial dos produtos. 

Danos indiretos da mosca-branca 

Apesar dos prejuízos diretos serem visíveis, o maior perigo da mosca-branca está em sua capacidade de transmitir viroses. 

A B. tabaci é vetor de aproximadamente 120 espécies de vírus, que causam doenças severas e de difícil controle. Entre as principais, destacam-se: 

  • Vírus do mosaico dourado no feijoeiro; 
  • Geminivírus em culturas de hortifrúti, como tomate, pimentão e batata; 
  • Vírus da necrose-da-haste na soja, que pode levar a planta à morte. 

O impacto na produtividade é drástico. Dependendo do nível de infestação e do estádio da cultura, as perdas podem, em casos extremos de infestação, atingir até 100% da produção. 

Além disso, outro problema está associado à excreção de uma substância açucarada pela mosca-branca, conhecida como “honeydew”, que recobre as folhas e serve de substrato para o desenvolvimento de um fungo de coloração escura, a fumagina (Capnodium spp.). 

A camada escura formada pela fumagina impede a passagem da luz solar, o que: 

  • Reduz a capacidade fotossintética da planta; 
  • Causa ressecamento, queima e queda prematura das folhas; 
  • Pode levar à antecipação do ciclo da cultura, comprometendo o enchimento de grãos e a qualidade da produção. 
mosca-branca colonizada por um fungo entomopatogênico, utilizado no controle biológico da mosca-branca.
mosca-branca colonizada por um fungo entomopatogênico, utilizado no controle biológico da mosca-branca.

Quais as principais culturas em risco? 

A natureza polífaga da mosca-branca a torna uma ameaça para uma vasta gama de culturas economicamente estratégicas para o Brasil. 

As lavouras de soja, feijão e algodão são alvos constantes da mosca-branca, mas a lista de hospedeiros inclui também tomate, melão, uva, batata, cucurbitáceas, brássicas e diversas plantas ornamentais. 

Além disso, diversas espécies de plantas daninhas são excelentes hospedeiras para a mosca-branca, como: 

  • Leiteiro (Euphorbia heterophylla); 
  • Picão-preto (Bidens pilosa); 
  • Serralha (Emilia sonchifolia). 

Durante a entressafra, essas plantas servem como uma “ponte verde”, funcionando como reservatórios onde a praga sobrevive e se multiplica, garantindo altas populações prontas para reinfestar os cultivos assim que são instalados. 

Diante de um cenário tão complexo, o controle da mosca-branca exige estratégias de manejo integradas, como indica o Manejo Integrado de Pragas (MIP). Essa abordagem moderna exige a utilização integrada de diversos métodos de controle, como o cultural, o genético, o químico e o biológico, para manter a população da praga abaixo do nível de dano econômico. 

O que é um inseticida biológico e como ele age contra a mosca-branca? 

Os inseticidas biológicos, ou bioinseticidas, são produtos formulados a partir de organismos vivos ou derivados deles, para atuar como biocontroladores no manejo de pragas. 

No caso específico da mosca-branca, os bioinseticidas mais comuns são compostos por microrganismos benéficos, como fungos e bactérias. Seu grande diferencial está nos mecanismos de ação, que podem ocorrer de duas formas principais: 

  • Ação por contato (típica de fungos): a maioria dos fungos entomopatogênicos age ao infectar seus hospedeiros por meio da penetração direta na cutícula do inseto. Quando o produto é pulverizado e entra em contato com a mosca-branca, os esporos do fungo germinam, perfuram seu “exoesqueleto” e colonizam o inseto internamente, causando sua morte. 
folha com fumagina, um dos danos indiretos da mosca-branca (Bemisia tabaci).
folha com fumagina, um dos danos indiretos da mosca-branca (Bemisia tabaci).
  • Ação por ingestão (típica de bactérias): produtos à base de bactérias geralmente agem, em sua maioria, quando ingeridos pela praga. Essas bactérias produzem metabólitos e proteínas com forte ação inseticida que atacam diretamente os sistemas digestivo e nervoso da mosca-branca. Isso resulta em paralisia da musculatura, interrupção do processo de alimentação e, consequentemente, leva o inseto à morte. 

Essa forma de controle mais específica e com múltiplos modos de ação representa um grande avanço para o manejo agrícola. Entretanto, é importante ressaltar que os mecanismos de ação dos inseticidas biológicos são muito específicos e podem variar conforme o agente de controle biológico presente no produto. 

O papel fundamental do inseticida biológico no Manejo Integrado de Pragas (MIP) 

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) é uma estratégia que busca manter a população de pragas abaixo do nível de dano econômico por meio da utilização integrada de diversas estratégias de controle. 

Dentro dessa abordagem, o inseticida biológico não é apenas uma ferramenta complementar, ele é um pilar fundamental para a construção de um sistema produtivo mais resiliente e sustentável. 

Integrar o bioinseticida ao MIP significa sair de uma postura apenas reativa para uma gestão proativa e equilibrada do agroecossistema, proporcionando um controle mais duradouro e eficiente. 

Quais as vantagens de adotar o controle biológico com bioinseticidas? 

A adoção de bioinseticidas no manejo da mosca-branca vai além de uma simples troca de produto. Ela representa uma decisão estratégica que traz uma série de benefícios diretos para a lavoura e para o negócio do produtor. 

  • Modos de ação diversificados: os bioinseticidas oferecem modos de ação completamente diferentes, sendo uma ferramenta essencial para diversificar as estratégias de controle. 
  • Seletividade: o uso de inseticidas seletivos é crucial para a preservação de predadores, parasitoides e outros organismos benéficos que auxiliam no controle natural da mosca-branca. 
  • Segurança e sustentabilidade: os bioinseticidas oferecem maior segurança para o aplicador, para o meio ambiente e para o consumidor final. 
  • Flexibilidade e compatibilidade: os bioinseticidas são ferramentas flexíveis que podem ser usadas em conjunto com outros métodos de controle, tornando-se peças-chave no quebra-cabeça do MIP. 

O crescimento do mercado de bioinsumos no Brasil, impulsionado por avanços em pesquisa e novas tecnologias, tem colocado à disposição do agricultor um portfólio cada vez mais diversificado e eficiente de soluções. 

NETURE™: como funciona o inseticida biológico da Syngenta para mosca-branca? 

NETURE™ é um inseticida biológico de alta performance da Syngenta Biologicals, formulado a partir de duas espécies de bactérias, Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens. 

Ele se destaca pelo seu amplo espectro de ação, sendo uma ferramenta versátil para o manejo integrado das principais pragas agrícolas das lavouras brasileiras. 

Além de seu controle robusto sobre a mosca-branca (Bemisia tabaci raça B), NETURE™ é indicado para o manejo de outros alvos de difícil controle, como: 

  • Cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis); 
  • Pulgões; 
  • Psilídeos. 

Como NETURE™ funciona 

A tecnologia do inseticida biológico NETURE™ baseia-se na ação sinérgica de duas espécies bacterianas distintas, que promovem um controle robusto e multifacetado das pragas. 

A principal ação inseticida vem da bactéria Pseudomonas chlororaphis, que produz uma combinação de metabólitos e proteínas (FitD e FitE) com alto poder de controle. Quando a praga se alimenta da planta e ingere esses compostos, eles promovem um ataque direto aos sistemas digestivo e nervoso do inseto. 

Especificamente, as proteínas FitD e FitE atuam no sistema nervoso, causando paralisia da musculatura enquanto também agem no trato digestivo, interrompendo o processo de alimentação e levando a praga à morte. 

Complementando essa ação direta, a segunda bactéria, Pseudomonas fluorescens, atua como uma aliada da cultura, produzindo compostos que promovem o crescimento das plantas e favorecem sua resistência natural. 

Além disso, os agentes biológicos de NETURE™ também induzem a planta a liberar compostos voláteis do tipo terpeno, que atuam como substâncias repelentes naturais, ajudando a afastar insetos-praga do cultivo. 

Essa tripla ação, controle direto, fortalecimento da planta e repelência, é o que torna a tecnologia de NETURE™ uma ferramenta completa para o manejo integrado da mosca-branca. 

Benefícios de NETURE™: máximo controle com máxima praticidade 

Alta eficiência: a tecnologia de dupla ação bacteriana de NETURE™ garante um controle de alta performance sobre a mosca-branca, atuando diretamente no inseto e fortalecendo a planta. 

Amplo espectro: além da mosca-branca, NETURE™ controla um vasto leque de pragas sugadoras, como percevejos e a cigarrinha-do-milho

Versatilidade e conveniência: não necessita de refrigeração para armazenamento e é compatível com misturas de tanque com defensivos químicos. 

Maior rapidez de ação: seus metabólitos inseticidas já estão prontamente disponíveis na formulação, garantindo um efeito de choque e uma ação de controle mais imediata sobre a mosca-branca. 

Como e quando aplicar NETURE™? 

Para máxima eficácia, a aplicação de NETURE™ deve ocorrer no início da infestação da mosca-branca. Para esse alvo, a dose recomendada é de 0,8 a 1,6 L/ha, em um esquema de três aplicações com intervalo de sete dias. 

A escolha do momento ideal para a pulverização também é crucial: prefira horários com menor incidência solar e condições ambientais adequadas, especialmente se combinado com outros bioinsumos sensíveis à radiação ou temperatura. 

Para aplicação de NETURE™, tenha como objetivo obter uma boa cobertura de toda a parte aérea das plantas, mas sem causar escorrimento do produto. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.

Perguntas frequentes 

1. O que é a mosca-branca (Bemisia tabaci)? 

É um inseto sugador extremamente polífago, capaz de colonizar cerca de 900 espécies de plantas, considerado uma das principais ameaças fitossanitárias em ecossistemas tropicais e subtropicais. 

2. Por que a mosca-branca é tão difícil de controlar? 

Por sua alta capacidade reprodutiva (11 a 15 gerações por ano), grande número de hospedeiros e capacidade de reduzir a sensibilidade a métodos de controle tradicionais, especialmente no biótipo Q. 

3. Quais os principais danos causados pela mosca-branca? 

Danos diretos pela sucção de seiva (redução de crescimento, murchamento) e danos indiretos pela transmissão de vírus e pelo desenvolvimento de fumagina, que prejudica a fotossíntese. 

4. Quais vírus a mosca-branca transmite? 

É vetor de cerca de 120 espécies de vírus, incluindo o mosaico dourado no feijoeiro, geminivírus em hortifrúti e o vírus da necrose-da-haste na soja. 

5. Como agem os inseticidas biológicos contra a mosca-branca? 

Por contato, quando fungos entomopatogênicos penetram na cutícula do inseto, ou por ingestão, quando bactérias produzem metabólitos que atacam os sistemas digestivo e nervoso da praga. 

6. O que é o NETURE™? 

Um inseticida biológico da Syngenta Biologicals, formulado com Pseudomonas chlororaphis e Pseudomonas fluorescens, com amplo espectro contra mosca-branca, percevejos, cigarrinha-do-milho, pulgões e psilídeos. 

7. Qual a dose recomendada de NETURE™ para mosca-branca? 

De 0,8 a 1,6 L/ha, em um esquema de três aplicações com intervalo de sete dias, iniciando no começo da infestação. 

8. Qual o melhor horário para aplicar NETURE™? 

Horários com menor incidência solar, especialmente quando combinado com outros bioinsumos sensíveis à radiação ou temperatura.