A Rússia decidiu zerar as tarifas de exportação de grãos de trigo, cevada e milho até 31 de dezembro de 2026. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (2) pelo Ministério do Desenvolvimento Econômico russo, em comunicado oficial à imprensa.
Além do corte nas tarifas de grãos, o governo também decidiu congelar as alíquotas cobradas sobre o óleo e o farelo de girassol. Nesse caso, os valores ficam travados nos níveis registrados em agosto deste ano, o que representa mais um alívio para a cadeia de oleaginosas do país.
Medida suspende mecanismo de amortecimento das exportações
Segundo o documento oficial, a iniciativa foi elaborada em conjunto pelos Ministérios do Desenvolvimento Econômico e da Agricultura da Rússia. Na prática, a medida suspende o mecanismo flutuante de amortecimento que incidia sobre as vendas externas de grãos.
Esse sistema de taxação variável foi criado pelo governo russo em junho de 2021. Na época, o objetivo era proteger o mercado interno contra a inflação de alimentos, controlando o volume de grãos destinado à exportação. O mecanismo funciona de forma flutuante: o Ministério da Agricultura recalcula periodicamente o valor da tarifa com base nas variações dos preços de referência no mercado internacional. Em julho deste ano, por exemplo, a taxa sobre o trigo havia sido reajustada para 370,1 rublos por tonelada, enquanto milho e cevada já estavam isentos de cobrança desde abril.
Agora, porém, a prioridade do governo russo mudou. Em vez de conter as exportações para proteger o mercado interno, o Kremlin aponta a necessidade de reestruturar a logística do país como principal motivação para zerar as tarifas. Esse cenário logístico não é trivial: a Rússia é a maior exportadora mundial de trigo, e boa parte de seus embarques depende dos portos do Mar Negro e do Mar de Azov. Nos últimos meses, no entanto, essa rota tem enfrentado dificuldades adicionais, com restrições de segurança em portos de águas rasas e aumento nas taxas de frete, fatores que encarecem e atrasam o escoamento da produção.
Governo destaca apoio a produtores e à indústria de óleos
Em nota, o vice-ministro do Desenvolvimento Econômico da Rússia, Vladimir Ilyichev, explicou os objetivos por trás da decisão. Segundo ele, as ações têm como propósito oferecer suporte a produtores e exportadores de grãos e oleaginosas, além da indústria de óleos vegetais do país.
De acordo com Ilyichev, esse setor enfrenta dificuldades para escoar mercadorias destinadas ao mercado externo. Assim, a suspensão das tarifas e o congelamento das alíquotas funcionam como uma resposta direta a esse gargalo logístico enfrentado pelos exportadores russos.
Próximos passos dependem de aprovação do governo
Apesar do anúncio, a medida ainda não está totalmente confirmada. O projeto de resolução que formaliza as mudanças será submetido em breve à avaliação do governo russo, etapa necessária antes da entrada em vigor definitiva das novas regras.
Decisão pode influenciar o mercado global de grãos
Como maior fornecedora mundial de trigo, a Rússia tem papel central na formação de preços internacionais da commodity, especialmente para compradores do Oriente Médio e da África. Por isso, mudanças em sua política tarifária tendem a repercutir além das fronteiras do país.
Ao zerar a tarifa até o fim de 2026, o governo russo sinaliza a intenção de manter o fluxo de exportações mesmo em meio aos desafios logísticos enfrentados no Mar Negro. Na prática, a medida reduz um custo extra que incidia sobre os embarques e pode ajudar a compensar parte do impacto causado pelo aumento nas taxas de frete observado nos últimos meses. Resta acompanhar se a decisão será suficiente para destravar o ritmo de exportações, ou se as restrições de segurança nos portos continuarão limitando o escoamento da produção russa nos próximos meses.
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