As principais pragas do tomateiro, como percevejo, mosca-minadora e traça, causam perdas significativas na produção. O manejo integrado, com prevenção, monitoramento e controle biológico, é essencial. Saiba mais.

O cultivo de tomate no Brasil, seja em campo aberto ou em estufas, é uma atividade de grande importância econômica e social. No entanto, a cultura é altamente suscetível ao ataque de pragas que podem comprometer severamente a produtividade, a qualidade dos frutos e a rentabilidade do produtor. 

A seguir, confira detalhes sobre as principais pragas do tomateiro, seus sintomas e danos, além das mais eficazes técnicas de manejo integrado (MIP). Entenda a importância da prevenção, do monitoramento e da combinação estratégica de métodos de controle para assegurar a sanidade e o sucesso da sua lavoura.

Leia mais

Percevejo-do-tomate (Phthia picta)

O percevejo-do-tomate (Phthia picta) causa danos diretos nos frutos, reduzindo o valor comercial da produção. Adultos e ninfas sugam a seiva e injetam enzimas salivares que comprometem a qualidade dos tomates. O inseto mede de 1,5 a 2,0 cm e tem coloração alaranjada ou avermelhada com manchas variando de marrom-escuro a preto.

Sintomas e danos do percevejo-do-tomate:

  • manchas escuras, endurecidas e deprimidas na casca dos frutos;
  • polpa afetada e imprópria para consumo;
  • frutos mumificados ou com queda prematura;
  • redução significativa na qualidade comercial.

Mosca-minadora (Liriomyza sativae)

Pequena, mas altamente destrutiva, a mosca-minadora (Liriomyza sativae) causa prejuízos ao tecido foliar da planta, reduzindo a capacidade fotossintética. As larvas abrem galerias nas folhas, visíveis como traços claros e irregulares.

Sintomas e danos da Liriomyza sativae:

  • pontuações esbranquiçadas nas folhas (causadas pela alimentação das fêmeas);
  • galerias serpentiformes entre as epidermes foliares;
  • redução da fotossíntese e da área foliar ativa;
  • desfolha precoce e enfraquecimento da planta.
Mosca-minadora (Liriomyza sativae)

Mosca-branca (Bemisia tabaci)

Uma das pragas mais preocupantes do tomateiro, a mosca-branca (Bemisia tabaci) causa enfraquecimento da planta e transmite viroses graves, como o vírus do vira-cabeça e os begomovírus. Mede de 1 a 2 mm e possui asas brancas pulverulentas.

Sintomas e danos da mosca-branca:

  • presença de mela (substância açucarada) nas folhas;
  • desenvolvimento de fumagina (camada escura que reduz a fotossíntese);
  • clorose, murcha e queda de folhas;
  • transmissão de viroses que provocam amarelecimento e deformações nas plantas.
Mosca-branca (Bemisia tabaci).

Tripes (Frankliniella spp.)

Os tripes (Frankliniella spp.) atacam flores, brotações e folhas do tomate, raspando os tecidos e comprometendo o desenvolvimento da planta. Além dos danos diretos, transmitem o vírus do vira-cabeça (TSWV), uma das viroses mais destrutivas do tomateiro.

Sintomas e danos do tripes no tomate:

  • raspagens nas folhas com aspecto prateado ou bronzeado;
  • manchas e deformações nos frutos;
  • presença de anéis concêntricos e manchas necróticas (em plantas infectadas por TSWV);
  • redução no vigor e na produtividade da lavoura.
Tripes (Frankliniella spp.).

Traça-do-tomateiro (Tuta absoluta)

A traça-do-tomateiro (Tuta absoluta) ataca todas as partes aéreas da planta e é considerada uma das pragas mais destrutivas do tomate. As larvas são minadoras e podem ocasionar perda total da lavoura em casos de infestação severa.

Sintomas e danos da traça-do-tomateiro:

  • galerias irregulares nas folhas (“minas”);
  • perfurações em caules, brotações e flores;
  • frutos perfurados e com galerias internas;
  • abortamento de flores e desfolha severa;
  • frutos apodrecidos e sem valor comercial.

Broca-pequena-do-tomateiro (Neoleucinodes elegantalis)

Praga que ataca diretamente os frutos, a broca-pequena-do-fruto (Neoleucinodes elegantalis) causa prejuízos irreversíveis e perdas comerciais. As lagartas penetram no fruto e se alimentam da polpa, abrindo caminho para microrganismos causadores de podridão.

Sintomas e danos da broca-pequena-do-fruto no tomateiro:

  • pequenos orifícios próximos ao pedúnculo;
  • presença de excrementos e podridão interna;
  • degradação da polpa e das sementes;
  • frutos inviáveis para consumo e comercialização.

Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon)

A lagarta-rosca (Agrotis ipsilon) é uma praga do solo que afeta o tomateiro em estágios iniciais, cortando as plântulas rente ao solo durante a noite. As lagartas são robustas e se enrolam em forma de “C” quando perturbadas.

Sintomas e danos da lagarta-rosca no tomate:

  • corte de plântulas na base, deixando-as caídas;
  • falhas no estande da cultura e necessidade de replantio;
  • redução no estabelecimento da lavoura;
  • maior incidência em áreas com restos culturais.
Lagarta-rosca (Agrotis ipsilon).

Impactos econômicos das pragas do tomateiro

A infestação por pragas do tomateiro não se limita a manchas nas folhas ou deformidades nos frutos. Ela se traduz em perdas econômicas substanciais que afetam a sustentabilidade e a rentabilidade da produção. Os impactos econômicos são diretos e multifacetados:

  • Queda de produtividade (TCH): a destruição de folhas, caules e flores, o abortamento de frutos e o definhamento geral da planta, causados por pragas, como mosca-minadora, tripes, traça e mosca-branca, resultam em uma menor produção de toneladas de cultura por hectare (TCH).
  • Perda de qualidade comercial: pragas, como o percevejo-do-tomate e a broca-pequena-do-tomateiro, atacam diretamente os frutos, causando manchas, deformidades, podridões e galerias. Isso inviabiliza a comercialização in natura e pode desvalorizar a produção para a indústria, levando à desclassificação de lotes inteiros.
  • Aumento de custos de produção: o controle de pragas exige investimentos em monitoramento, defensivos agrícolas, mão de obra para aplicação e, em casos extremos, replantio. Falhas no manejo podem demandar aplicações adicionais, elevando os custos operacionais.
  • Disseminação de doenças: a mosca-branca e os tripes, como vetores de viroses incuráveis, podem levar à perda total da lavoura, representando o risco mais alto e mais difícil de reverter.

A soma dos danos causados por pragas no tomate pode inviabilizar a lavoura e impactar toda a cadeia produtiva.

Tomate com lesão escura e afundada na extremidade.

Manejo Integrado de Pragas (MIP) no cultivo do tomate

O Manejo Integrado de Pragas (MIP) do tomate é a abordagem mais eficiente e sustentável para controlar pragas. Ele combina diferentes táticas (culturais, biológicas, químicas e de monitoramento) para manter a população de invasores abaixo do nível de dano econômico, minimizando os impactos ambientais e garantindo a rentabilidade da lavoura.

No MIP, o monitoramento é a espinha dorsal. Realizar inspeções regulares na lavoura (diariamente ou em intervalo de poucos dias) é crucial para garantir a identificação precoce, quantificar a infestação e auxiliar a tomada de decisão.

Controle químico: complemento estratégico e responsável

O controle químico é uma ferramenta valiosa e complementar dentro do manejo integrado de pragas do tomate, especialmente em situações de alta pressão ou quando outras medidas não são suficientes. É fundamental que seu uso seja estratégico e consciente, sempre seguindo as melhores práticas:

  • Rotação de modos de ação (IRAC): para evitar o desenvolvimento de resistência das pragas do tomateiro aos inseticidas, é crucial alternar produtos com diferentes modos de ação, conforme classificação do IRAC (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas). Isso garante a eficácia dos defensivos a longo prazo.
  • Dose correta e tecnologia de aplicação: utilizar a dosagem recomendada pelo fabricante e por um engenheiro-agrônomo, e aplicar o produto com a tecnologia adequada (equipamento calibrado, bicos corretos, volume de calda, condições climáticas favoráveis) para garantir a cobertura e o contato com a praga, maximizando a eficácia.
  • Uso correto de EPI: sempre utilizar os Equipamentos de Proteção Individual (EPI) recomendados no rótulo do produto para proteger a saúde do aplicador.
  • Intervalos de segurança e carência: respeitar rigorosamente os intervalos de segurança (reentrada na área) e os períodos de carência (tempo entre a última aplicação e a colheita) para garantir a segurança alimentar e a conformidade legal do produto.

Controle biológico e manejo ecológico

O controle biológico no tomateiro é uma estratégia cada vez mais importante no MIP, utilizando inimigos naturais para reduzir as populações de pragas do tomateiro. O manejo ecológico visa criar um ambiente que favoreça esses agentes.

  • Insetos predadores e parasitoides: o uso de ácaros predadores (Amblyseius swirskii para tripes e mosca-branca), vespas parasitoides (Encarsia formosa para mosca-branca, Trichogramma pretiosum para ovos de lagartas) e outros insetos benéficos, como joaninhas e crisopídeos.
  • Microrganismos: aplicação de bioinseticidas à base de bactérias (Bacillus thuringiensis para lagartas, como a traça-do-tomateiro) e fungos entomopatogênicos (Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae para mosca-branca e tripes).
  • Preservação de inimigos naturais: reduzir o uso de inseticidas de amplo espectro, oferecer plantas que sirvam de abrigo e alimento para inimigos naturais.
  • Armadilhas cromáticas e feromônios para monitoramento e, em alguns casos, para controle massivo de pragas do tomateiro.

Essas ferramentas são especialmente eficazes em estufas e em programas de MIP que buscam reduzir a dependência de produtos químicos.

Controle cultural

As práticas de controle cultural completam a base do manejo integrado de pragas do tomate, focando na prevenção e na criação de um ambiente desfavorável às pragas:

  • Rotação de culturas: alternar o tomateiro com culturas não hospedeiras de suas pragas-chave (ex.: gramíneas) ao invés de solanáceas para quebrar o ciclo de vida dos insetos e nematoides.
  • Eliminação de restos culturais: remover e destruir plantas de tomateiro e plantas daninhas após a colheita para eliminar fontes de inóculo de pragas e doenças.
  • Manejo de plantas daninhas: muitas plantas daninhas servem como hospedeiras alternativas para pragas do tomate (ex: mosca-branca, tripes). O controle eficiente dessas plantas na lavoura e em suas bordas é fundamental.
  • Escolha de variedades resistentes: o uso de variedades de tomate com resistência ou tolerância a viroses (especialmente TSWV e begomovírus) é uma medida preventiva crucial contra as pragas vetores.
  • Barreiras físicas: em estufas, o uso de telas anti-insetos nas aberturas pode impedir a entrada de moscas-brancas, tripes e traças.
  • Adubação equilibrada: plantas bem nutridas são mais vigorosas e tolerantes ao ataque de pragas. Evitar o excesso de nitrogênio, que pode favorecer alguns insetos-praga, devido ao desbalanço nutricional e de açúcares.
  • Época de plantio: em regiões com histórico de alta pressão de pragas, ajustar a época de plantio para evitar picos populacionais de insetos-praga.

O desafio das pragas do tomateiro é uma realidade constante para os produtores brasileiros, exigindo um compromisso contínuo com a informação e a aplicação de estratégias eficientes.

A combinação de monitoramento constante, controles químico e cultural e o uso estratégico de controle biológico no tomateiro é o caminho para um controle de pragas eficaz e sustentável.

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.