Setor entra no ano com mais otimismo, mas ainda com desafios estruturais

A cafeicultura brasileira entra em 2026 com um sentimento diferente. Embora o ano anterior tenha sido intenso, com oscilações climáticas, barreiras comerciais inesperadas e dificuldades estruturais, o setor encerrou o período com sinais claros de recuperação.

De acordo com especialistas, o Brasil atravessou 2025 mais forte do que começou e chega a 2026 com consumo global resiliente, mercados importantes reabertos e expectativa de uma safra mais equilibrada.

Recuperação do mercado externo: um passo crucial para 2026

O superintendente comercial da Cooxupé, Luiz Fernando Reis, destaca que o setor terminou 2025 com um balanço positivo, apesar dos sustos.

Sobre as expectativas para o próximo ano, ele afirma. “Provavelmente teremos que aguardar um pouco mais, mas depois de cinco anos com frustrações no arábica, acredito que temos um cenário mais positivo. Ainda é cedo para números concretos, mas as condições climáticas dos próximos meses serão decisivas.”

Ele também reforça que o consumo global continua firme, mesmo com preços elevados, e isso sustenta o otimismo para 2026.

“Vejo um futuro bastante promissor. Mas será um ano desafiador. O produtor precisa aproveitar as oportunidades e se preparar para momentos em que o mercado não estiver tão favorável.”

Cecafé projeta avanço nas exportações e ambiente regulatório mais favorável

Para Marcos Matos, CEO do Cecafé, 2026 começa com menos incertezas externas.
Segundo ele, o setor conseguiu “virar páginas importantes” ao longo de 2025. “Entramos em 2026 com mais otimismo. Dos graves problemas que enfrentamos, conseguimos resolver 90% da tarifa dos Estados Unidos e avançamos nas discussões da Lei Antidesmatamento da União Europeia. O Brasil tem tudo para ocupar mais espaço.”

Ele reforça ainda que o país recuperou credibilidade junto ao mercado internacional por meio de uma atuação técnica, diplomática e articulada entre setor privado e instituições públicas. “Desmistificamos estatísticas equivocadas e mostramos o Brasil real e isso fortaleceu a previsibilidade comercial e, reforçou a confiança dos Estados Unidos, o nosso principal mercado.”

Com exportações para mais de 120 países, o Brasil segue como pilar da segurança alimentar global. Assim, mesmo que a safra de 2026 não seja recorde, a expectativa é de uma produção suficientemente robusta para garantir liquidez e abastecimento.

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Safra 2026: não será recorde, mas deve ser sólida

Modelos meteorológicos ainda indicam um cenário influenciado pela La Niña, porém em intensidade baixa e com efeitos mais tardios. Para Matos, isso não impede uma safra consistente. “Esperamos uma safra boa. Mesmo que não seja recorde, ela deve garantir grandes volumes de exportação, mais parecidos com o que tivemos em 2024.”

Com isso, o Brasil tende a oferecer maior estabilidade ao mercado global, reduzindo a volatilidade extrema vista nos últimos anos.

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Logística segue como o maior obstáculo estrutural

Apesar do otimismo, o setor entra em 2026, no entanto, com um desafio central: a infraestrutura portuária brasileira. Nesse contexto, Matos é direto. “Continuamos com o mesmo problema. É estrutural. Temos um esgotamento dos portos e terminais, e o café concorre com outras cargas que também crescem.”

Além disso, ele reforça que a falta de expansão portuária é histórica, um problema que, segundo o executivo, deveria ter sido enfrentado há décadas. “Embora haja projetos no Espírito Santo, ainda assim não temos novos portos operando. Como resultado, isso pressiona toda a cadeia.”

Por isso, o Cecafé manterá monitoramento contínuo, segundo Matos, acompanhando terminal por terminal. “Registramos atrasos, custos adicionais, muitos deles ilegais, e levamos tudo à Antaq e à Frente Parlamentar da Agropecuária para garantir que infraestrutura seja pauta prioritária no Congresso em 2026.”

Brasil deve conquistar mais espaço no mercado global

Com tarifas revertidas, avanços regulatórios e consumo aquecido, o setor passa, portanto, a enxergar 2026 como um ano estratégico para reposicionar o café brasileiro no mundo, destacando sua qualidade, volume e confiabilidade. Além disso, Luiz Fernando reforça. “Países emergentes estão desenvolvendo o hábito de consumo entre os jovens. Com isso, novas oportunidades se abrem para o setor.”

Depois de um 2025 turbulento, a cafeicultura brasileira chega, portanto, a 2026 mais madura, mais preparada e, sobretudo, com perspectivas claramente melhores.

Preços melhores em 2026?

O Gerente da Mesa de Operações da Minasul, Heberson Vilas Boas, explica que o mercado tem expectativa de preços melhores para o próximo ano e o cenário que se desenha é positivo. “O preço é sempre uma incógnita, o mercado vai oscilar e continuar volátil. Mas temos boas perspectivas, não temos motivos para esse preço cair muito e a estimativa é que fique de R$2.000 para cima pelo menos até março e abril”. 

E se tratando dessa volatilidade, há necessidade de um melhor monitoramento e acompanhamento de como esse mercado irá se desenvolver. Para que boas oportunidades sejam aproveitadas, como o Barter Syngenta.   

Outro alerta, segundo Herberson, são as projeções do mercado, que podem impactar no preço. “Teremos atenção com o Vietnã, que tem para 2026 a projeção de uma safra maior. Mas o Brasil também tem uma projeção relativamente boa, assim como os demais países produtores. No entanto o produtor precisa ficar atento, fazendo médias para garantir a boa lucratividade”.

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Entre clima, mercado e infraestrutura, o ano será desafiador, mas também repleto de oportunidades para quem se planejar e acompanhar de perto o ambiente global.

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