O Giro de Safra deste mês, destaca a reta final da colheita do café 2026 em todas as regiões produtoras do Brasil, enquanto a safra 2027 já começa a ser construída nas lavouras. No Sul de Minas, Alta Mogiana e Cerrado Mineiro, o fim da colheita teve floradas antecipadas e decisões de manejo que ganharam ainda mais importância diante do El Niño.
Esse é o retrato da cafeicultura neste momento: de um lado, uma safra marcada por chuvas durante a colheita, maior volume de café no chão e impactos na qualidade em algumas regiões; de outro, a necessidade de olhar para a florada do café e proteger o potencial produtivo do próximo ciclo. Na prática, o produtor encerra 2026 enquanto já começa a construir 2027.

Como estamos na reta final da colheita de café 2026?
No Sul de Minas, a quantidade colhida ficou próxima do esperado, mas a qualidade dos grãos chamou atenção. Segundo André Moraes, pesquisador da Fundação Procafé, as chuvas durante a colheita favoreceram a fermentação dos frutos ainda nas plantas e aumentaram o volume de café no chão.
“Geralmente, colhemos em torno de 20% do café no chão e, neste ano, estamos encontrando cerca de 30% a 35%. Tivemos uma safra boa, mas com percentual de cafés finos abaixo do esperado”, explica Moraes. Ainda segundo ele, o rendimento ficou dentro das expectativas.
Na cooperativa Minasul, os dados reforçam esse cenário. No momento do levantamento, cerca de 90% da safra estava colhida no Sul de Minas, com aumento de 7% a 10% na participação de cafés médios, além de maior catação, café Rio e varrição. Segundo Heberson Vilas Boas Sastre, gerente da Mesa de Operações da cooperativa, as chuvas acima da média em junho e início de julho atrasaram o amadurecimento e prolongaram a colheita em aproximadamente 30 a 40 dias. Apesar disso, rendimento e peneira permaneceram dentro do esperado.

Na Alta Mogiana, em São Paulo, o cenário foi diferente. Segundo o Dr. Marcos Dutra, fitopatologista e pesquisador da Fundação Procafé, houve quebra de aproximadamente 30% em relação ao volume que se esperava colher, devido às questões climáticas. Ainda assim, os preços contribuíram para um resultado financeiro positivo em parte das propriedades.
“Isso evidencia a importância do produtor que investe em tecnologia, correção de solo, manejo de plantas daninhas e uma colheita bem-feita. Os desafios mostram como esses investimentos fazem diferença”, avalia Dutra.
Na região, quatro intervalos de chuva durante a colheita também elevaram a quantidade de frutos no chão, segundo Matheus Rodrigues, produtor rural e consultor do GTEC. Mas, enquanto os últimos frutos da safra 2026 ainda eram retirados das plantas, algumas lavouras já apresentavam outro fenômeno: cerca de 10% do potencial formado havia florescido, com a florada antecipada registrada em agosto.
Tivemos uma florada antecipada no café. E agora?
A florada antecipada do café não significa, isoladamente, perda de produtividade. Entretanto, exige atenção porque pode aumentar a desuniformidade da lavoura, com talhões em diferentes estágios fisiológicos e, consequentemente, diferentes necessidades de manejo.
Nesse cenário, mais importante do que tentar interferir em uma florada que já aconteceu é entender em qual estágio cada área se encontra e proteger o potencial produtivo que está sendo formado.
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Essa sobreposição faz parte da própria fisiologia do cafeeiro. “A cultura do café tem um ciclo perene. Você olha para o grão que está colhendo agora e, ao mesmo tempo, para botão e flor, pensando na próxima safra”, explica Acácio Dianin, produtor rural e consultor do GTEC em Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro.
Por isso, colheita, recuperação das plantas, sanidade, nutrição, manejo de plantas daninhas e proteção das estruturas reprodutivas precisam fazer parte de um planejamento integrado. Com o El Niño no radar, acompanhar as condições de cada lavoura se torna ainda mais importante.
El Niño: quais manejos não podem ser esquecidos?
O El Niño na safra de café 2027 adiciona uma variável ao planejamento. Mudanças na distribuição das chuvas, temperaturas elevadas e períodos de maior irregularidade podem interferir no desenvolvimento das plantas e na dinâmica de pragas e doenças. No entanto, seus impactos não acontecem da mesma maneira em todas as regiões.
No Sul de Minas, Heberson chama atenção para duas etapas decisivas: florada e granação. “Ainda não sabemos exatamente qual será o reflexo para o Sul de Minas. A nossa florada está chegando, então precisamos ficar atentos não apenas agora, mas também durante a granação, entre dezembro e fevereiro”, afirma.

Na pré-florada do café, o primeiro passo é acompanhar o estágio fisiológico de cada talhão, as condições de chuva, temperatura e umidade e o histórico fitossanitário da propriedade. O manejo preventivo de doenças ganha relevância, especialmente diante de condições favoráveis à mancha-de-phoma, que pode atingir folhas, ramos, botões florais, flores e frutos.
MIRAVIS® Duo integra o portfólio Syngenta para o manejo de doenças do cafeeiro, com posicionamento para estratégias na pré e pós-florada. Para Acácio, o planejamento antecipado é essencial: “Se existe algo que responde muito ao clima, são pragas e doenças. No Cerrado Mineiro, o manejo preventivo precisa estar no planejamento”.
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Na Alta Mogiana, Matheus também reforça a prevenção. “O produtor precisa se preparar. O clima interfere diretamente na ocorrência de pragas e doenças. Por isso, precisamos acompanhar principalmente ferrugem e bicho-mineiro e trabalhar sempre com manejo preventivo”, destaca.
Após a florada, a atenção deve continuar durante a formação dos chumbinhos. Além das doenças, o monitoramento de bicho-mineiro-do-cafeeiro (Leucoptera coffeella), broca-do-café (Hypothenemus hampei) e ácaros ganha importância. JOINER® Café, inseticida-acaricida da Syngenta, integra as ferramentas disponíveis para o manejo dessas pragas, sempre conforme as recomendações técnicas e integrado às demais estratégias da propriedade.
Assim, o manejo da safra 2027 precisa combinar quatro pilares: monitoramento do estágio de cada talhão, acompanhamento climático, prevenção de doenças e monitoramento contínuo de pragas.
O fim da safra 2026 já aponta para 2027
A reta final da colheita do café 2026 deixa cenários diferentes nas principais regiões acompanhadas. No Sul de Minas, volume próximo do esperado, mas atraso da colheita. Na Alta Mogiana, quebra produtiva e impactos das chuvas sobre a qualidade. No Cerrado Mineiro, o planejamento preventivo já ganha protagonismo diante do próximo ciclo.
Ao mesmo tempo, as floradas antecipadas mostram que, na cafeicultura, uma safra não termina para que outra simplesmente comece. Os ciclos se encontram.

Por isso, diante do El Niño e da variabilidade climática esperada para os próximos meses, três palavras devem acompanhar o cafeicultor na construção da safra 2027: monitoramento, prevenção e planejamento. Enquanto os últimos grãos de 2026 deixam as lavouras, parte do potencial produtivo da próxima colheita já está sendo definido.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
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