A adoção da fertirrigação em sistemas irrigados pode elevar significativamente a eficiência do uso de nutrientes , segundo dados da Embrapa. Ao fornecer os nutrientes dissolvidos na água de irrigação a a fertirrigação diminui o número de operações no manejo da lavoura e permite ajustar a nutrição conforme a demanda da cultura.
s. A técnica é especialmente indicada em culturas de alto valor agregado.
Neste conteúdo, serão abordados os princípios da fertirrigação, as culturas que mais se beneficiam, o passo a passo para calcular as doses, as regras de compatibilidade entre fertilizantes e os cuidados com a manutenção do sistema.
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Desvendando a fertirrigação: fundamentos técnicos e dinâmica operacional
A fertirrigação é a técnica de aplicar fertilizantes solúveis diretamente na água de irrigação, permitindo que os nutrientes cheguem à zona radicular de forma precisa. A injeção dos fertilizantes pode ser feita por dtrês métodos principais:
- Tanque de derivação de pressão: o mais simples e acessível, indicado para áreas de pequeno porte. Oferece menor controle da concentração ao longo da aplicação, pois a solução se dilui progressivamente.
- Injetores Venturi: utilizam a diferença de pressão para aspirar a solução nutritiva para o sistema. Representam uma opção de custo intermediário, com maior uniformidade de injeção que o tanque de derivação.
- Bombas injetoras (dosadoras): mais precisas e indicadas para grandes áreas, permitem controle preciso da concentração e vazão da solução, com possibilidade de automação.
A principal vantagem da fertirrigação é o fracionamento das doses, permitindo aplicações frequentes e ajustadas ao estádio fenológico da cultura. Isso reduz o risco de perdas dos nutrientes no solo e aumenta a eficiência de absorção pelas plantas.
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Cultivos que alcançam alto desempenho com fertirrigação
A fertirrigação é amplamente adotada em culturas de ciclo curto e alta demanda nutricional, mas seus benefícios se estendem a diferentes sistemas de produção:
- Hortaliças: alface, tomate, pimentão e pepino apresentam resposta rápida, com ganhos de produtividade e qualidade quando a nutrição é ajustada por estádio.
- Fruticultura: citros, uva, mamão e banana utilizam a fertirrigação como padrão tecnológico, promovendo uniformidade de crescimento e qualidade dos frutos.
- Grandes culturas irrigadas: milho e cana-de-açúcar irrigados se beneficiam do fracionamento de nutrientes via fertirrigação, com destaque para a aplicação de nitrogênio em milho e de potássio em cana-de-açúcar, especialmente em solos com maior risco de perdas por lixiviação.
- A escolha do sistema de irrigação (gotejamento, microaspersão ou pivô central) deve considerar a cultura, o tipo de solo e o objetivo da fertirrigação. O gotejamento é o mais recomendável para hortaliças e fruticultura, pois aplica a solução diretamente na zona radicular, enquanto o pivô central predomina em grandes culturas irrigadas.

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Cálculo preciso de doses na fertirrigação: metodologia técnica detalhada
O cálculo das doses de fertirrigação deve partir da análise de solo e da recomendação nutricional para a cultura. O método é aplicado em cinco etapas:
- Determinar a dose total de nutrientes para a safra, com base na análise de solo e nas tabelas de recomendação técnica para a cultura e a região.
- Calcular a concentração da solução nutritiva, levando em conta o volume de água aplicado por irrigação e a área irrigada.
- Fracionar a dose total em aplicações semanais ou quinzenais, ajustando conforme o estádio fenológico e a demanda da planta.
- Monitorar a condutividade elétrica da solução, evitando que a condutividade elétrica do extrato de saturação do solo ultrapasse o limiar tolerado pela cultura (no caso do tomate, cerca de 2,5 dS/m).
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Misturas de fertilizantes: diretrizes técnicas de compatibilidade
A compatibilidade dos fertilizantes é um ponto crítico na fertirrigação. Misturas inadequadas podem causar precipitação de sais, entupimento dos gotejadores e menor aproveitamento dos nutrientes pela planta.
A regra geral é: fontes de cálcio não devem ser misturadas com fontes de fósforo nem com fontes de sulfato em solução concentrada no mesmo tanque.
Além disso é recomendável dissolver os fertilizantes separadamente antes de adicionar ao tanque principal e verificar se há formação de precipitado antes de injetar a solução no sistema.
Tabela de compatibilidade dos principais fertilizantes na fertirrigação
A tabela a seguir orienta a combinação dos fertilizantes mais utilizados em fertirrigação.
| Fertilizante | Nitrato de cálcio | MAP | Ácido fosfórico | Nitrato de potássio | Cloreto de potássio | Sulfato de potássio | Sulfato de magnésio | Ureia |
| Nitrato de cálcio | — | Incompatível¹ | Incompatível¹ | Compatível | Compatível | Incompatível² | Incompatível² | Compatível |
| MAP | Incompatível¹ | — | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível |
| Ácido fosfórico | Incompatível¹ | Compatível | — | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível |
| Nitrato de potássio | Compatível | Compatível | Compatível | — | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível |
| Cloreto de potássio | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | — | Compatível | Compatível | Compatível |
| Sulfato de potássio | Incompatível² | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | — | Compatível | Compatível |
| Sulfato de magnésio | Incompatível² | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | — | Compatível |
| Ureia | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | Compatível | — |
¹ Forma fosfato de cálcio insolúvel.
² Forma sulfato de cálcio (gesso) de baixa solubilidade.
Fonte: adaptado de Burt et al. (1995) e Trani, Tivelli & Carrijo (Boletim Técnico IAC 196, 2011).
Sempre dissolver os fertilizantes separadamente antes de adicionar ao tanque principal e verificar se há formação de precipitado antes de injetar no sistema.
Cuidados essenciais para manter o sistema de fertirrigação livre de obstruções
O entupimento dos gotejadores é um dos principais riscos da fertirrigação, podendo comprometer a uniformidade da aplicação e exigir substituição de componentes do sistema. As práticas de manutenção preventiva são:
- Instalar filtros antes dos gotejadores, dimensionados conforme o tipo de fertilizante e a vazão do sistema.
- Realizar limpeza periódica das linhas com injeção de solução ácida (ácido nítrico ou fosfórico) em concentração adequada ao tipo de obstrução, conforme orientação técnica.
- Monitorar a pressão do sistema, pois quedas podem indicar entupimento parcial.
- Limpar as linhas com água pura após cada fertirrigação.
- Utilizar fertilizantes de alta solubilidade e qualidade , reduzindo o risco de formação de resíduos insolúveis.
Boas práticas para implementar a fertirrigação com sucesso
Para resultados consistentes, as seguintes práticas são recomendadas:
- Realizar análise de solo e água antes de iniciar o manejo.
- Escolher fertilizantes compatíveis e de alta solubilidade.
- Fracionar as doses conforme o estádio da cultura e a demanda nutricional.
- Monitorar a condutividade elétrica da solução e ajustar as doses para evitar salinização.
- Manter o sistema limpo, com filtragem adequada e limpeza periódica das linhas.
- Consultar as recomendações técnicas da Embrapa Hortaliças e da Embrapa Milho e Sorgo para cada cultura e sistema de irrigação.
Fertirrigaçãopara mais sustentabilidade no manejo nutricional
O sucesso da fertirrigação depende da integração de três elementos: cálculo correto das doses, compatibilidade dos fertilizantes e manutenção preventiva do sistema. Falhar em qualquer um desses pontos pode comprometer toda a estratégia nutricional da lavoura.
A evolução das tecnologias de monitoramento, como sensores de condutividade elétrica e sistemas de automação da injeção, amplia progressivamente a precisão da fertirrigação e reduz a dependência do monitoramento manual, abrindo perspectivas promissoras para sistemas cada vez mais eficientes e sustentáveis.
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