A adubação do feijão integra manejo de NPK, tipos de aplicação e estágios ideais para nutrir o feijoeiro em sequeiro e irrigado, reduzindo falhas nutricionais e elevando a produtividade. Saiba mais a seguir.

O feijão exige um manejo nutricional preciso para expressar seu máximo potencial produtivo. Nesse sentido, a correta oferta de nutrientes, nas doses e nos momentos certos, é o que distingue uma safra média de uma safra de alta performance, minimizando as deficiências nutricionais e fortalecendo a planta contra estresses.

A seguir, entenda como realizar a adubação do feijão, explorando como definir a estratégia ideal. Confira quais cuidados são essenciais tanto para sistemas irrigados quanto para sequeiro para lavouras mais sadias.

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Exigências nutricionais do feijoeiro: nitrogênio, fósforo e potássio

O feijoeiro, como toda leguminosa, possui exigências nutricionais específicas que precisam ser atendidas para um desenvolvimento pleno. Dentre os macronutrientes, nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) se destacam como os mais importantes em termos de quantidade demandada e impacto no rendimento

Nitrogênio (N)

O nitrogênio (N) é essencial para o crescimento vegetativo, sendo um componente vital de proteínas, enzimas e da clorofila, responsável pela fotossíntese.

Embora o feijoeiro seja uma leguminosa e possua a capacidade de fixar nitrogênio atmosférico por meio da simbiose com bactérias do gênero Rhizobium, uma dose inicial de nitrogênio (adubação de arranque) é frequentemente recomendada para suprir as necessidades da planta antes que a fixação biológica se estabeleça plenamente. 

A falta de N manifesta-se em amarelecimento generalizado das folhas mais velhas e redução do crescimento.

Fósforo (P)

O fósforo (P) é crucial para o desenvolvimento do sistema radicular, para a floração, a frutificação e a transferência de energia dentro da planta. 

É um dos nutrientes mais raros em solos tropicais brasileiros e, por sua baixa mobilidade no solo, deve ser aplicado preferencialmente no sulco de plantio. A sua disponibilidade é fundamental nas fases iniciais do feijoeiro. 

A deficiência de P pode afetar plantas jovens, causando coloração arroxeada nas folhas e atraso na floração e na maturação dos grãos.

Potássio (K)

O potássio (K) desempenha um papel importante na regulação hídrica da planta, na fotossíntese, no transporte de açúcares e na resistência a doenças e estresses. Assim como o fósforo, sua aplicação de base é vital, mas o feijoeiro demanda potássio em maior quantidade durante as fases de enchimento de grãos.

Sintomas de deficiência de K incluem a queima das bordas das folhas mais velhas e o desenvolvimento de frutos e grãos menores. 

Um manejo nutricional balanceado, que considere as exigências nutricionais do feijoeiro para NPK, é primordial.

Tipos de adubação do feijão

Para garantir que o feijoeiro receba os nutrientes necessários em todas as suas fases de desenvolvimento, o produtor rural utiliza diferentes tipos de aplicação da adubação para a cultura do feijão.

Adubação de base

A adubação de base é a aplicação de fertilizantes no momento do plantio ou pré-plantio, incorporados ao solo ou aplicados no sulco de semeadura. É o método primário para fornecer os nutrientes menos móveis no solo, como o fósforo (P) e uma parte do potássio (K), garantindo que estejam disponíveis para as raízes jovens desde o início do desenvolvimento do feijoeiro. 

Para o P, a localização próxima às sementes é crucial, pois as raízes do feijão ainda são pequenas e a mobilidade desse nutriente no solo é muito baixa.

Além de P e K, uma pequena dose de nitrogênio (N) de arranque pode ser incluída na adubação de base, especialmente em solos com baixo teor de matéria orgânica ou em cultivares que demandam um vigor inicial antes que a fixação biológica de nitrogênio se estabeleça. 

O cálcio (Ca) e o magnésio (Mg), fornecidos pela calagem em pré-plantio, são igualmente importantes, corrigindo a acidez do solo e melhorando a disponibilidade de outros nutrientes.

Adubação de cobertura

A adubação de cobertura consiste na aplicação de nutrientes após a emergência das plantas, geralmente para suprir as demandas de nutrientes mais móveis e exigidos em fases específicas de desenvolvimento. 

Para a cultura do feijão, o nitrogênio (N) é o principal nutriente aplicado em cobertura, visto que a fixação biológica pode não ser suficiente para atender a toda a demanda da planta, ou pode ter um estabelecimento mais lento em algumas condições.

 A aplicação de N em cobertura complementa a fixação, impulsionando o crescimento vegetativo e a formação de grãos. O momento da aplicação é crítico, geralmente entre os estágios V3 (terceiro trifólio expandido) e V4 (quarto trifólio expandido), antes do florescimento. 

Outros nutrientes, como potássio (K) e enxofre (S), também podem ser aplicados em cobertura, dependendo da análise de solo e foliar e das exigências nutricionais do feijoeiro. A técnica de aplicação deve ser cuidadosa para evitar danos às plantas, podendo ser aplicado diretamente sobre o solo, espalhado de forma uniforme entre as fileiras de plantas, ou por ferramentas mais precisas em sistemas de agricultura de precisão.

Adubação foliar

A adubação foliar é a aplicação de soluções nutritivas diretamente nas folhas das plantas. Ela é mais rápida que a absorção radicular para alguns nutrientes, principalmente micronutrientes, proporcionando uma resposta visível em um curto período.

Contudo, a capacidade da folha de absorver grandes quantidades de nutrientes é limitada, por isso a adubação foliar não substitui a adubação de base ou de cobertura via solo. Ela é uma ferramenta de “ajuste fino” e de correção de deficiências nutricionais pontuais.

Para que a adubação foliar do feijão seja eficaz, é crucial considerar a compatibilidade dos produtos na calda, as condições climáticas durante a aplicação (evitar sol forte e ventos), e o estágio de desenvolvimento da planta. 

Muitos produtores utilizam essa técnica para garantir a disponibilidade de micronutrientes críticos durante a fase de floração e enchimento de grãos, que são cruciais para a produtividade do feijão.

Campo de feijão em desenvolvimento com plantas vigorosas em linhas organizadas, evidenciando os efeitos da adubação adequada no crescimento saudável da cultura.

Como definir a adubação ideal para a lavoura de feijão?

Definir a adubação ideal para a lavoura de feijão é um processo técnico e estratégico que exige conhecimento aprofundado do solo, da cultura e do ambiente de produção. Não há uma receita única e a abordagem “uma adubação serve para todos” é um erro comum que pode comprometer a produtividade e a rentabilidade do feijão.

Os pilares para a definição da adubação do feijão incluem o conhecimento sobre as exigências da cultura e seu potencial produtivo, análise do solo e do histórico da área.

A combinação desses fatores permite uma recomendação de adubação para a cultura do feijão que é, ao mesmo tempo, eficiente, econômica e sustentável, maximizando o uso dos recursos e o retorno sobre o investimento.

Estágios ideais para realizar a adubação do feijoeiro

A eficácia da adubação do feijão está intrinsecamente ligada ao momento de sua aplicação, que deve estar sincronizado com os estágios de desenvolvimento do feijoeiro. A planta tem demandas nutricionais variadas ao longo do seu ciclo e fornecer o nutriente certo na hora certa é fundamental para que ele seja absorvido e utilizado de forma eficiente, evitando desperdícios e promovendo a máxima produtividade do feijão.

1. Pré-plantio ou plantio (adubação de base)

  • Nutrientes: fósforo (P), potássio (K), parte do nitrogênio (N) que geralmente é aplicado de forma parcelada cálcio (Ca) e magnésio (Mg) via calagem.
  • Estágio: antes ou no momento da semeadura.
  • Objetivo: garantir a disponibilidade imediata de P (pouco móvel) e K para as raízes jovens, e suprir o N inicial antes que a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN) se estabeleça. A calagem, se necessária, deve ser feita com antecedência para que o calcário reaja no solo, de 30 a 60 dias antes da semeadura.
  • Observação: a aplicação de P no sulco de plantio é crucial para a sua eficiência, pois as raízes do feijão crescem rapidamente e precisam do nutriente acessível.
Vista transversal do solo com plantas jovens de feijão em crescimento, destacando o desenvolvimento das raízes em solo fértil.

2. Período vegetativo inicial (V3-V4)

  • Nutrientes: nitrogênio (N) em cobertura e micronutrientes se houver deficiência.
  • Estágio: terceiro a quarto trifólios expandidos (V3-V4), aproximadamente 20 a 25 dias após a emergência.
  • Objetivo: suprir a demanda crescente de N para o desenvolvimento vegetativo, que pode exceder a capacidade da FBN nesse estágio. É um momento de alto crescimento e formação de biomassa.
  • Observação: a aplicação de N em cobertura não deve ser tardia para evitar o prolongamento excessivo do ciclo vegetativo e a competição com a fase reprodutiva. Para sistemas irrigados, o parcelamento pode ser feito via fertirrigação.

3. Fase de pré-florescimento e florescimento (R5-R6)

  • Nutrientes: potássio (K) e micronutrientes (boro, molibdênio, zinco) via foliar.
  • Estágio: início do florescimento e plena floração.
  • Objetivo: garantir a energia e os elementos essenciais para a formação de flores, o pegamento de vagens e o desenvolvimento dos grãos. Boro e molibdênio são cruciais para a viabilidade do pólen e a formação de grãos, e o K é altamente demandado nessa fase. Além disso, o molibdênio é fundamental para que a fixação biológica de nitrogênio (FBN) ocorra de forma eficiente.
  • Observação: aplicações foliares são estratégicas aqui para fornecer micronutrientes que têm absorção mais limitada via solo, ou para um reforço rápido.

4. Fase de enchimento de grãos (R7-R8)

  • Nutrientes: potássio (K) e enxofre (S), se ainda houver demanda.
  • Estágio: início do enchimento das vagens.
  • Objetivo: suprir a alta demanda de K para o enchimento de grãos e S para a síntese de proteínas, impactando diretamente o peso e a qualidade final dos grãos.
  • Observação: normalmente, a maior parte do K já foi aplicada na base ou em cobertura, mas, em sistemas de alta produtividade e irrigados, um reforço pode ser benéfico.

A sincronia entre as necessidades da planta e a oferta de nutrientes é um dos segredos da alta produtividade do feijão.

"Mãos humanas colhendo vagens de feijão em planta saudável, cultivada com suporte e solo fértil, representando os efeitos positivos da adubação.

Cuidados com adubação do feijão em sistemas irrigados e de sequeiro

A estratégia de adubação do feijão deve ser cuidadosamente ajustada de acordo com o sistema de cultivo adotado, seja ele irrigado ou de sequeiro. As condições de disponibilidade hídrica impactam diretamente a absorção de nutrientes pelas plantas e a dinâmica dos elementos no solo, exigindo abordagens distintas para garantir a eficiência e a produtividade do feijão.

Em sistemas de sequeiro

Nos sistemas de sequeiro, a conservação da umidade é essencial. Práticas, como o plantio direto, com manutenção da palhada, reduzem a evaporação e estabilizam a temperatura do solo. 

As doses de nitrogênio devem ser moderadas, evitando excesso em períodos secos, e o parcelamento só é indicado com previsão de chuvas. Já o fósforo e o potássio continuam sendo fundamentais na adubação de base, devendo ser posicionados em profundidade acessível às raízes, para favorecer o aproveitamento mesmo em condições de baixa umidade.

A calagem assume papel estratégico nesses sistemas, pois o pH corrigido amplia a disponibilidade de nutrientes e a eficiência da adubação. 

Além disso, o uso de cultivares de feijão tolerantes à seca complementa o manejo nutricional e contribui para a estabilidade da produção em sistemas de sequeiro.

Em sistemas irrigados

Em sistemas irrigados, a disponibilidade controlada de água possibilita explorar o máximo potencial produtivo do feijoeiro, exigindo um manejo nutricional mais intensivo e preciso. Com o suprimento hídrico garantido, as plantas apresentam maior capacidade de absorção, o que permite ajustar as doses de nutrientes de forma mais assertiva e eficiente.

As doses de N, P, K e micronutrientes podem ser elevadas conforme as análises de solo e foliar e as demandas da espécie, já que o risco de perdas por lixiviação ou volatilização é menor. 

A fertirrigação se destaca como ferramenta estratégica, permitindo o parcelamento frequente dos nutrientes diretamente na zona radicular, otimizando a absorção – especialmente de nitrogênio e potássio, essenciais em diferentes estágios da cultura.

A adubação foliar também tem papel relevante, garantindo o suprimento de micronutrientes em fases críticas e complementando a nutrição via solo. 

Em áreas com água de irrigação de qualidade inferior, o monitoramento da salinidade deve ser constante, para evitar o acúmulo de sais e manter a eficiência da adubação. Assim, o sistema irrigado oferece flexibilidade e alto potencial produtivo, mas requer planejamento detalhado e acompanhamento contínuo.

A adubação do feijão é um componente intransferível para o sucesso da lavoura e sua execução eficiente é a ponte para a alta produtividade do feijão.

Investir em análises de solo, acompanhamento técnico e seguir boas práticas de adubação é um investimento que garante a saúde das plantas, minimiza as deficiências e maximiza o retorno sobre o investimento. 

A precisão no manejo nutricional do feijoeiro é a chave para uma colheita abundante e rentável.

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