A limitação de potássio disponível no solo é um dos principais gargalos para a produtividade agrícola em diversas regiões do Brasil. Embora os solos brasileiros sejam ricos em minerais potassiferos como feldspatos, micas e ilita, grande parte desse potássio estrutural está aprisionado na rede cristalina dos aluminosilicatos, indisponível para absorção pelas plantas. 

A crescente demanda por alternativas sustentáveis e economicamente viáveis para a adubação potássica tem impulsionado a pesquisa sobre bactérias solubilizadoras de potássio (KSB), grupo no qual Paenibacillus mucilaginosus se destaca como o agente mais estudado. 

Neste conteúdo, serão abordados os mecanismos de solubilização de potássio, o potencial do P. mucilaginosus como biofertilizante, as culturas e condições de solo mais propícias, as limitações técnicas e as recomendações para uso integrado. 

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Por que o potássio do solo pode ser abundante e ainda assim insuficiente 

O potássio é um macronutriente essencial para o metabolismo vegetal, participando de processos como regulação osmótica, ativação enzimática, abertura estomática e transporte de fotoassimilados. No solo, ele se distribui em três frações:  

  • potássio disponível na solução; 
  • potássio trocável (adsorvido nas argilas); 
  • potássio estrutural (fixado nos minerais). 

Em solos tropicais, a maior parte do potássio total concentra-se na fração estrutural, fortemente ligada à rede cristalina dos aluminosilicatos e, portanto, inacessível às plantas sem um processo de liberação química ou biológica. 

Essa situação faz com que os produtores dependam de fertilizantes potássicos, especialmente o cloreto de potássio (KCl). 

Porém a dependência exclusiva dessa fonte de potássio o sistema produtivo vulnerável a variações de preço no mercado internacional e, em solos arenosos com baixa CTC (capacidade de troca catiônica), pode resultar em perdas por lixiviação do K⁺ aplicado e em riscos de salinização. 

O papel do Paenibacillus mucilaginosus na solubilização de potássio dos minerais do solo 

Paenibacillus mucilaginosus, anteriormente classificado como Bacillus mucilaginosus, é uma bactéria formadora de esporos do grupo das KSB, reconhecida por dois mecanismos principais de liberação de potássio: 

  • Produção de ácidos orgânicos: ácidos glucônico, cítrico e oxálico, entre outros,reduzem o pH local da rizosfera, promovendo a dissolução das ligações cristalinas dos minerais e liberando os íons K⁺ para a solução do solo. 
  • Síntese de exopolissacarídeos (EPS): formam um biofilme ao redor das partículas minerais, aumentando o tempo de contato e intensificando a dissolução. Os EPS também contribuem para a agregação do solo e a retenção de água na rizosfera. 

O resultado desse processo é o aumento da concentração de potássio disponível na zona radicular, favorecendo a absorção pelas plantas. 

Close em plantas com raizes a mostra

Resultados de campo: culturas e ambientes que mais se beneficiam da solubilização do potássio 

Estudos conduzidos por instituições como a Embrapa e universidades brasileiras documentam o aumento da disponibilidade de potássio no solo após inoculação com P. mucilaginosus, specialmente em solos jovens ou pouco intemperizados, com alto teor de minerais potassíferos como feldspatos, micas e ilita. Culturas como soja, milho e trigo apresentaram melhora de vigor e, em alguns ensaios, ganhos de produtividade em relação à testemunha sem inoculação. 

O desempenho do P. mucilaginosus como biofertilizante depende diretamente dos minerais do solo.Além disso, vale destacar que o uso de P. mucilaginosus não substitui a adubação potássica mineral em situações de deficiência severa. É uma ferramenta complementar, capaz de melhorar o aproveitamento da adubação e reduzir a dose necessária ao longo das safras. 

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Aplicação estratégica do Paenibacillus mucilaginosus como biofertilizante em sistemas produtivos 

A aplicação do P. mucilaginosus pode ser realizada por diferentes métodos. A escolha deve considerar a cultura, o sistema de produção e os objetivos de manejo: 

  • Tratamento de sementes: favorece colonização da rizosfera,e a liberação de potássio desde a germinação. 
  • Aplicação no sulco de plantio: concentra a bactéria na zona radicular, aumentando o aproveitamento da solubilização. 
  • Integração ao programa de adubação: a dose do fertilizante potássico pode ser ajustada com base em análise de solo após ciclos consecutivos de inoculação do P. mucilaginosus, permitindo calibrar a contribuição biológica à nutrição potássica da lavoura. 

Oportunidades e desafios para adoção do Paenibacillus mucilaginosus no cenário agrícola brasileiro 

O potencial do P. mucilaginosus como biofertilizante é especialmente relevante para regiões com solos jovens, ricos em minerais potassíferos pouco intemperizados, como partes do Cerrado brasileiro. Nesses solos, a bactéria pode contribuir para a redução da dependência fontes de potássio importadas e o melhor aproveitamento das reservas minerais nativas. 

No entanto, os resultados podem variar conforme o tipo de solo, a cultura e as condições ambientais.  

O crescimento do mercado de biofertilizantes no Brasil, impulsionado pelo aumento do custo de fontes de potássio importadas e pela busca por práticas mais sustentáveis, cria um ambiente favorável para a expansão do uso de P. mucilaginosus. O desenvolvimento de formulações com maior estabilidade e persistência no solo é o principal desafio técnico para viabilizar o produto em larga escala. 

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Adubação potássica sustentável: o papel do Paenibacillus mucilaginosus no futuro da nutrição mineral 

A integração do Paenibacillus mucilaginosus ao programa de nutrição das culturas representa uma alternativa inovadora para ampliar o aproveitamento da adubação potássica e reduzir a dependência de fontes importadas. O uso complementar dessa bactéria, aliado à adubação mineral , pode contribuir para sistemas produtivos mais resilientes e economicamente viáveis. 

O avanço das pesquisas sobre cepas nativas de P. mucilaginosus adaptadas aos solos tropicais brasileiros e o desenvolvimento de formulações mais estáveis indicam que esse agente biológico terá um papel crescente na nutrição mineral sustentável das lavouras nacionais. 

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