A cultura da soja enfrenta desafios constantes que impactam diretamente a produtividade. Entre os patógenos de solo mais agressivos, o fungo Rhizoctonia solani destaca-se como causador de sérios prejuízos, principalmente no início do ciclo da cultura.
Essa doença resulta em falhas de estande, tombamento de plântulas e podridões radiculares, comprometendo o estabelecimento da lavoura desde os primeiros dias após a semeadura.
A utilização de microrganismos benéficos, como Trichoderma e Bacillus, oferece uma abordagem complementar e eficaz. Esses agentes atuam de diferentes formas, protegendo as plantas e promovendo um ambiente de solo mais saudável.
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O que é Rhizoctonia solani e como afeta a soja
Rhizoctonia solani é um fungo habitante natural do solo, que não produz esporos assexuados, sobrevivendo no solo por meio de estruturas de resistência chamadas escleródios.
É um patógeno necrotrófico de ampla gama de hospedeiros, sendo particularmente agressivo na emergência da soja. Sua presença pode levar a reduções significativas no estande inicial da cultura.
Biologia, grupos de anastomose e condições favoráveis à doença
A complexidade de Rhizoctonia solani reside em sua diversidade genética e fisiológica, manifestada em diferentes grupos de anastomose (AGs). Cada AG pode ter especificidades quanto ao hospedeiro e à agressividade.
A “mela da soja” é causada pelo grupo de anastomose AG-1 IA, enquanto o tombamento e a podridão radicular são causados predominantemente pelo AG-4.
A ocorrência da doença é favorecida por alta umidade do solo, temperaturas amenas a elevadas (20–30°C) e compactação, que dificultam a emergência das plântulas.
O patógeno sobrevive no solo na forma de micélio e escleródios, sendo capaz de permanecer viável por longos períodos. Essa persistência torna o controle de Rhizoctonia solani um desafio contínuo para os produtores, exigindo estratégias de manejo integrado.
Sintomas em diferentes estádios: do tombamento à podridão de raízes adultas
Na fase de emergência, o sintoma mais marcante é o tombamento de plântulas, caracterizado pela lesão aquosa e escura na região do colo que culmina na morte da plântula. As sementes podem apodrecer antes mesmo de germinar, resultando em falhas no estande.
Em plantas mais desenvolvidas, o fungo causa lesões secas e avermelhadas no colo e nas raízes, comprometendo a absorção de água e nutrientes e resultando em amarelecimento e murcha.
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Trichoderma no controle de Rhizoctonia solani:mecanismos e eficácia
O gênero Trichoderma é amplamente reconhecido por seu potencial no controle biológico de patógenos de solo.
Esses fungos promovem uma rizosfera saudável, colonizando rapidamente o ambiente radicular da soja, e sua eficácia contra Rhizoctonia solani tem sido demonstrada em diversos estudos científicos.
Micoparasitismo e competição por espaço e nutrientes na rizosfera
Um dos principais mecanismos de ação de Trichoderma é o micoparasitismo, onde o fungo benéfico ataca e se alimenta de outros fungos patogênicos, como Rhizoctonia solani.
O Trichoderma penetra nas células do patógeno e degrada suas paredes celulares por meio da produção de enzimas como quitinases e glucanases, resultando na lise e morte do fungo indesejável.
Além do micoparasitismo, Trichoderma exerce forte competição por substrato e nutrientes na rizosfera. Ao colonizar rapidamente o ambiente radicular e utilizar os recursos disponíveis, impede que Rhizoctonia solani tenha acesso ao que precisa para se desenvolver e infectar a planta.

Como Trichoderma protege a semente e coloniza o solo ao redor da raiz
No tratamento de sementes, agentes biológicos do gênero Trichoderma formam uma camada protetora ao redor da semente, atuando como uma barreira física e biológica nas primeiras horas e dias após o plantio — período em que a plântula está mais suscetível ao ataque de patógenos de solo. Essa proteção evita que Rhizoctonia solani estabeleça infecções precoces, garantindo emergência mais uniforme e vigorosa.
Uma vez no solo, Trichoderma demonstra excelente capacidade de colonizar a rizosfera e pode induzir resistência sistêmica na soja, ativando mecanismos de defesa da planta contra o patógeno. Esse efeito promove não apenas a proteção contra doenças, mas também o crescimento e o desenvolvimento da cultura.
Bacillus no controle de Rhizoctonia solani: mecanismos e eficácia
Bactérias do gênero Bacillus, como Bacillus subtilis e Bacillus amyloliquefaciens, são bioagentes amplamente empregados no controle biológico de doenças em diversas culturas.
Antibiose e produção de lipopeptídeos antifúngicos por Bacillus
Um dos mecanismos mais importantes de Bacillus contra Rhizoctonia solani é a antibiose, que envolve a produção de metabólitos secundários com atividade antimicrobiana. Entre esses metabólitos, destacam-se os lipopeptídeos antifúngicos — surfactinas, iturinas e fengicinas — capazes de inibir o crescimento do fungo patogênico, desorganizando sua membrana celular e levando à sua morte.
Como Bacillus atua na semente e na rizosfera de forma complementar ao Trichoderma
No tratamento de sementes, Bacillus forma um biofilme protetor que coloniza a superfície da semente e, posteriormente, as raízes da plântula. Essa colonização precoce é vital para a proteção contra Rhizoctonia solani nas fases críticas de germinação e emergência.
A atuação de Bacillus é complementar à de Trichoderma: enquanto Trichoderma se destaca pelo micoparasitismo e forte colonização do nicho radicular, Bacillus oferece potente ação antibiótica e promoção de crescimento, com boa resposta no tratamento de sementes.
Essa combinação cria um escudo protetor mais abrangente e duradouro contra Rhizoctonia solani.
Características e complementaridades entre Trichoderma e Bacillus no biocontrole de Rhizoctonia solani
| Característica | Trichoderma spp. | Bacillus spp. |
| Mecanismos de ação principal | Micoparasitismo, competição por nutrientes e espaço, antibiose e indução de resistência sistêmica (ISR) | Antibiose , competição, promoção de crescimento vegetal (PGP), indução de resistência sistêmica (ISR) |
| Local de atuação preferencial | Rizosfera, colonização radicular | Tratamento de sementes, rizosfera (produção de metabólitos) |
| Proteção da semente | Colonização da superfície, barreira física | Produção de metabólitos, formação de biofilme |
| Longevidade no solo | Boa, depende da espécie e condições | Muito boa (formação de endosporos resistentes) |
| Compatibilidade entre si | Geralmente compatíveis e sinérgicos | Geralmente compatíveis e sinérgicos |
Fonte: literatura científica de fitopatologia e biocontrole; UFV (2021); UTFPR (2019); Brazilian Journal of Development (2020). Valores indicativos; variam conforme cepa, solo e cultura.
Como estruturar um programa de biocontrole complementar para Rhizoctonia
Estruturar um programa eficaz de biocontrole para Rhizoctonia solani na soja exige uma abordagem integrada e estratégica. O objetivo é otimizar a proteção da lavoura desde as fases mais críticas, garantindo a formação de um estande saudável e produtivo.
O planejamento deve levar em conta o histórico da área, as condições de solo e clima e a tecnologia das sementes.
Combinação de Trichoderma e Bacillus: sinergia e compatibilidade técnica
A combinação de Trichoderma e Bacillus oferece uma sinergia poderosa no manejo biológico da podridão radicular da soja causada por Rhizoctonia solani.
Essa abordagem multifacetada aumenta a pressão de biocontrole sobre o patógeno, combinando micoparasitismo, antibiose e colonização competitiva da rizosfera.
A compatibilidade entre esses microrganismos é geralmente alta, permitindo sua aplicação conjunta no tratamento de sementes e no sulco de plantio.
Entretanto, é crucial consultar as recomendações dos fabricantes para garantir a correta aplicação e a manutenção da viabilidade dos bioagentes.
Integração com manejo cultural e rotação de culturas
O sucesso de um programa de biocontrole de Rhizoctonia solani depende também da integração com práticas de manejo cultural adequadas. O plantio direto melhora a estrutura do solo e a atividade microbiológica, criando um ambiente menos favorável ao patógeno.
A qualidade das sementes é outro fator crítico: sementes vigorosas e livres de patógenos favorecem emergência rápida e uniforme, reduzindo o tempo de exposição da plântula ao fungo.
A rotação de culturas com gramíneas, como milho ou braquiária, ajuda a quebrar o ciclo de Rhizoctonia solani, diminuindo o inóculo no solo. A escolha de cultivares de soja com tolerância ou resistência a doenças de solo também pode complementar o biocontrole, assim como o ajuste da densidade de plantio e o manejo de plantas daninhas, que contribuem para reduzir a pressão do patógeno na lavoura.
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