A adoção de biológicos no tratamento de sementes (TS) de soja cresceu de forma expressiva nas últimas safras, acompanhando a consolidação do manejo integrado como estratégia central de proteção de cultivos.  

Ainda assim, a prática levanta dúvidas técnicas que, quando não respondidas com precisão, comprometem a eficácia dos produtos e o retorno do investimento. 

As questões mais frequentes não giram em torno do “por quê usar”, mas do “como usar corretamente”: é possível misturar o biofungicida com o fungicida químico? Qual produto vai primeiro na semente? O biológico precisa de cadeia de frio? Como avaliar se o produto funcionou? Este conteúdo responde cada uma dessas perguntas com base técnica. 

A estrutura a seguir foi organizada para atender produtores e agrônomos com nível técnico intermediário a avançado, que já tomaram a decisão de incorporar biológicos ao TS e precisam de orientações práticas para executar o protocolo com assertividade. 

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O biológico no TS é compatível com fungicidas e inseticidas químicos? 

A compatibilidade entre biológicos e químicos no TS não é universal: ela varia conforme a cepa do microrganismo, a formulação do produto biológico e o ingrediente ativo do químico.  

De modo geral, fungicidas do grupo das estrobilurinas e triazóis apresentam maior risco de incompatibilidade com microrganismos como Trichoderma asperellum e Bacillus subtilis, enquanto inseticidas neonicotinoides tendem a ser mais neutros em relação à viabilidade microbiana. 

A tabela a seguir apresenta uma referência geral por grupo de produto químico. É imprescindível consultar sempre a tabela de compatibilidade específica do fabricante do biológico utilizado, pois as variações entre cepas e formulações são determinantes para o resultado final. 

Grupo do químico Exemplos de ingrediente ativo Fator determinante para a viabilidade do biológico 
Triazóis Difenoconazol, tebuconazol Cepa do biológico e tempo de secagem entre aplicações. Trichoderma spp. costuma ser o mais sensível. 
Estrobilurinas Azoxistrobina, piraclostrobina Ação fungicida de amplo espectro pode afetar microrganismos benéficos; secagem completa é imprescindível. 
Carboxamidas (SDHI) Fluxapiroxade, bixafem Menor impacto relatado, mas a formulação do biológico e a dose do químico devem ser verificadas na bula. 
Neonicotinoides Imidacloprido, tiametoxam Geralmente bem tolerados por Bacillus spp.; verificar cepa e concentração. 
Organofosforados Acefato, clorpirifós Incompatível 
Piretroides Bifentrina, lambda-cialotrina Formulação e concentração determinam o risco; realizar teste de UFC (Unidades Formadoras de Colônia) antes e após a mistura. 

A compatibilidade declarada em tabela é sempre uma referência inicial. O teste de compatibilidade na fazenda, com avaliação de UFC antes e após a mistura, é o protocolo mais confiável para confirmar a viabilidade do biológico após o contato com o químico. 

A sequência correta de aplicação no TS: critério técnico para preservar a viabilidade microbiana 

A sequência de aplicação no TS não é arbitrária: cada posição na ordem tem uma justificativa técnica relacionada à sensibilidade dos microrganismos e ao tempo de exposição a produtos potencialmente incompatíveis. A ordem recomendável é: 

1. Fungicida + inseticidas químico; 

2. Secaem completa; 

3. Biológico; 

4. Secagem parcial; 

5. Inoculante (sempre por último, o mais próximo possível da semeadura). 

Os produtos químicos são aplicados primeiro por serem os menos sensíveis à interação com outros componentes. Entre fungicida e inseticida químicos, a ordem é operacional: no TSI, essa etapa costuma ocorrer em mistura única ou em sequência imediata.  

O ponto crítico é a secagem completa antes de introduzir os biológicos, o que reduz o contato direto entre os químicos e os microrganismos vivos. 

O inoculante, por ser o componente mais sensível de toda a cadeia, ocupa sempre a última posição, minimizando o tempo de exposição a qualquer resíduo químico presente na semente. 

O intervalo entre cada etapa é determinante: aguardar a secagem completa antes de adicionar o próximo produto não é uma recomendação opcional. A aplicação sobre semente ainda úmida aumenta a concentração de ingredientes ativos em contato com os microrganismos e pode reduzir significativamente a viabilidade microbiana. 

Leia também: Tratamento de Sementes Industrial (TSI): eficiência no campo 

Quanto tempo o agente biológico permanece ativo após o tratamento da semente? 

A janela de proteção do biológico aplicado na semente varia conforme o produto, a cepa e as condições de armazenamento. 

Temperaturas elevadas reduzem essa janela de forma expressiva, comprometendo a concentração de UFC e, consequentemente, a eficácia do produto no sulco de plantio. 

As orientações práticas para preservar a viabilidade microbiana após o TS são: 

  • Armazenar a semente tratada em ambiente fresco, seco e sem incidência de luz solar direta; 
  • Não tratar volume de sementes superior ao necessário para a operação de plantio; 
  • Monitorar a temperatura do ambiente de armazenamento; 
  • Evitar empilhamento excessivo de sacarias, que pode gerar calor por compressão e acelerar a degradação dos microrganismos 

Cadeia de frio é obrigatória para preservar a viabilidade do biológico no TS? 

Antes da abertura da embalagem, a maioria dos produtos biológicos exige armazenamento em temperatura controlada, para manter a concentração de UFC declarada no rótulo até a data de validade. Esse requisito é do produto formulado, não da semente tratada. 

Após a aplicação na semente, a cadeia de frio não é mais viável operacionalmente. O que passa a importar são as condições de armazenamento da semente tratada, conforme descrito na seção anterior.  

É fundamental verificar na bula de cada produto as temperaturas máximas toleradas após a aplicação, pois as tolerâncias variam entre cepas e formulações. Generalizar esse parâmetro para todos os biológicos é um erro técnico que pode comprometer o resultado do TS. 

Sinais práticos de que o biológico no TS está funcionando na lavoura 

A avaliação de eficácia do biológico no TS exige um protocolo de comparação com área testemunha (sem tratamento biológico). A metodologia varia conforme o tipo de produto: 

Bionematicidas 

Coletar plantas entre 30 e 40 dias após a emergência (estádio V4 a R1), retirando cada planta com auxílio de pá ou trado para preservar o sistema radicular. Lavar as raízes em água corrente sobre peneira e avaliar o nível de galhas (Meloidogyne spp.) ou de cistos (Heterodera spp.) em comparação com plantas da área sem tratamento biológico. 

Uma redução expressiva na densidade populacional do nematoide-alvo — medida em ovos e juvenis por grama de raiz para Meloidogyne spp., em cistos e ovos por volume de solo para Heterodera glycines e em formas móveis por grama de raiz para Pratylenchus brachyurus — já é considerada resposta positiva ao tratamento em ensaios de manejo integrado. 

Biofungicidas 

A avaliação exige três janelas complementares em comparação com a área sem tratamento biológico: 

  • Estande inicial (7 a 14 DAE): contar plantas emergidas por metro linear. Diferença positiva em favor do tratamento biológico indica proteção contra tombamento pré-emergência, sobretudo por Pythium spp. e Rhizoctonia solani
  • Tombamento pós-emergência (14 a 21 DAE): contar plântulas com sintomas de estrangulamento do hipocótilo, tombadas ou mortas. 
  • Sanidade radicular (25 a 35 DAE): coletar plantas com pá ou trado, lavar as raízes em água corrente e avaliar escurecimento, necrose e podridão radicular. Menor severidade de sintomas causados por Fusarium spp., Rhizoctonia solani, Pythium spp. e Phytophthora sojae indica resposta positiva ao biofungicida. 

Em ambos os casos, a comparação com testemunha é o método mais confiável. Avaliações sem área de referência não permitem isolar o efeito do biológico de outros fatores agronômicos. 

Biocontrole em áreas com alta pressão de nematoide: quando a biologia vence a química 

Em populações de nematoides elevadas, o biológico isolado pode não ser suficiente para proteger o estande de forma adequada. Esse é um ponto técnico que precisa ser comunicado com clareza: o bionematicida no TS é uma ferramenta de manejo integrado, não um substituto do nematicida químico em situações de alta infestação. 

Quando os laudos nematológicos indicam populações acima do nível de dano — considerando ovos e juvenis de segundo estádio para Meloidogyne spp., cistos e ovos para Heterodera glycines e formas móveis por grama de raiz para Pratylenchus brachyurus —, a integração com nematicida químico no TS é necessária para oferecer proteção adequada do estande inicial.  

O biológico, nesse contexto, complementa a ação do químico por mecanismos distintos: parasitismo de ovos, indução de resistência sistêmica e colonização da rizosfera, o que prolonga a proteção e reduz a pressão de seleção de resistência nos patógenos. 

Além do TS, a rotação de culturas com plantas não hospedeiras de Meloidogyne spp. e Heterodera spp. é a principal estratégia de longo prazo para reduzir a população de nematoides fitopatogênicos no solo. 

ARVATICO® o biológico da Syngenta para o tratamento de sementes em soja

Para uma nova agricultura, que busca o equilíbrio no controle e nos resultados, a Syngenta desenvolveu ARVATICO®, uma tecnologia exclusiva em biológicos.

ARVATICO® é uma solução versátil para compor o manejo eficiente de nematoides e doenças, com excelente formulação, facilidade de aplicação e efeitos de crescimento. Protege o sistema radicular, o que proporciona plantas mais saudáveis, resultando em produtividade com sustentabilidade. 

E não são só as fases iniciais de desenvolvimento que são beneficiadas, a bactéria de ARVATICO® possui, ainda, a capacidade de proteger as raízes durante todo o ciclo da cultura, devido à formação de biofilme (uma espécie de “capa” protetora).

A inovadora formulação de ARVATICO® contém endósporos de Bacillus velezensis, isolado CNPSo 3602 (exclusivo Syngenta), estrutura resistente que confere compatibilidade com produtos químicos e biológicos disponíveis no mercado. Além disso, também possui metabólitos prontamente disponíveis, os quais protegem as sementes desde o momento do tratamento.

Como funciona ARVATICO®?

Os endósporos são depositados nas sementes no TS (tratamento de sementes), ou via sulco. Após a semeadura, no interior do solo, os endósporos da bactéria presente no TS ou no sulco de plantio germinam, dando origem ao Bacillus velezensis, que vai atuar prontamente na proteção das raízes da cultura.

Mecanismos de ação de ARVATICO®:

ARVATICO® age por meio de quatro principais mecanismos de ação, o que lhe confere mais uma vantagem, uma vez que inúmeras formas de atuação envolvem a produção de uma infinidade de compostos, que reduzem a possibilidade de nematoides e fungos de solo burlarem o controle, conferindo:

  • produção de um biofilme (camada protetora), que atua como barreira física e química contra a ação dos nematoides e dos fungos de solo, colonizando assim o sistema radicular da cultura;
  • redução da atração e da penetração de nematoides juvenis nas raízes, em função da produção de compostos e metabólitos secundários que agem diretamente na morte nos nematoides, inibindo ainda a eclosão dos ovos;
  • competição por espaço e nutrientes, produzindo lipopeptídeos (compostos com ação tóxica) que, além de causarem a morte dos micélios, inibem a germinação de conídios e esporos, agindo, portanto, duplamente: um único produto, com ação nematicida e biofungicida;
  • produção de fito-hormônios que estimulam o crescimento radicular e vegetativo, atuando, portanto, na promoção do crescimento da cultura.

ARVATICO® foi testado e aprovado para o controle dos principais patógenos de solo que desafiam a produtividade da cultura da soja, bem como nematoides, incluindo:

  • Fusariose (Fusarium solani);
  • Tombamento (Rhizoctonia solani);
  • Podridão cinzenta do caule (Macrophomina phaseolina);
  • Nematoide-do-cisto-da-soja (Heterodera glycines);
  • Nematoide-das-galhas (Meloidogyne incognita);
  • Nematoide-das-lesões (Pratylenchus brachyurus).

ARVATICO® é raiz biologicamente fortalecida para uma lavoura fortemente protegida por mais tempo.

Diferenciais de ARVATICO®

Controle e versatilidade em um único produto. ARVATICO® é composto por uma bactéria que produz metabólitos, como a fengicina e plantazolicina, que agem modificando os exsudatos das raízes (que é o que atrai o nematoide), assim o inimigo oculto (principalmente o juvenil, que tem pouca energia) não “encontra” a raiz e morre por inanição. 

Os benefícios de ARVATICO® incluem:

  • Excelente controle de nematoides e doenças, quando comparado a outros biológicos do mercado;
  • Plântulas com maior volume radicular, permitindo maior absorção de água e nutrientes;
  • Proteção do potencial produtivo das cultivares de soja;
  • Compatibilidade com produtos químicos (inseticidas, fungicidas e nematicidas), e biológicos;
  • Formulação diferenciada que permite proteção superior e aplicação no tratamento de sementes;
  • Seletivo para as sementes;
  • Melhoria de solo;
  • Facilidade de aplicação.

Além disso, plantas tratadas com a nova solução Syngenta em biológicos resultam em melhor nodulação:

  • Número e peso de nódulos pode ser até 30% superior em plantas tratadas com ARVATICO®, quando comparado com outros TS.

Tratamento de sementes como decisão estratégica: além da operacionalidade 

O tratamento de sementes com biológicos entrega resultados consistentes quando executado com rigor técnico: sequência correta, respeito ao intervalo de secagem entre produtos, armazenamento adequado da semente tratada e avaliação comparativa de eficácia.  

Cada um desses pontos influencia diretamente a viabilidade microbiana e, por consequência, a proteção que o produto vai oferecer no sulco de plantio. 

Para consultar os biológicos registrados para o TS de soja e verificar as especificações técnicas de cada produto, acesse o Agrofit, sistema oficial do MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária). A bula de cada produto é o documento técnico definitivo para doses, compatibilidades e condições de armazenamento. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

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