A pressão de pragas nas lavouras brasileiras pode causar perdas expressivas de produtividade em culturas como soja, milho e hortícolas, especialmente quando o manejo integrado de pragas (MIP) não é adotado de forma estratégica.  

Por isso, o uso de inseticidas botânicos, como a azadiractina, a rotenona e as piretrinas naturais, tem ganhado espaçono campo, além de ser uma estratégia complementar para o manejo de pragas. 

A crescente demanda por  por práticas agrícolas mais sustentáveis  tem estimulado a adoção dessas soluções naturais para o controle de pragas. No entanto, o desempenho desses produtos depende de conhecimento técnico sobre o modo de ação, o espectro de controle e as limitações  de cada um. 

Neste conteúdo, serão detalhados os mecanismos de ação, as pragas-alvo, as recomendações de uso e as limitações dos principais inseticidas botânicos, com foco em como posicioná-los corretamente no MIP para ampliar a proteção das lavouras. 

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Entendendo o papel dos inseticidas botânicos no manejo integrado de pragas 

Inseticidas botânicos são substâncias extraídas de plantas com ação inseticida reconhecida, utilizadas há séculos no controle de pragas agrícolas. Entre suas principais vantagens está a maior seletividade para inimigos naturais, favorecendo o equilíbrio ecológico nas lavouras. 

O uso de inseticidas botânicos é especialmente relevante em sistemas de produção  onde o controle químico convencional é restrito, e em programas de MIP que buscam reduzir a pressão de seleção para resistência e preservar inimigos naturais. 

Azadiractina: referência no controle de pragas com efeito regulador de crescimento 

A azadiractina é o composto ativo extraído das sementes da árvore Azadirachta indica, conhecida como nim. Trata-se do inseticida botânico mais utilizado no Brasil, reconhecido por sua ação como regulador de crescimento de insetos (IGR). 

O modo de ação da azadiractina  envolve a interferência no sistema neuroendócrino responsável pela regulação da ecdisona — hormônio associado à muda e à metamorfose dos insetos —, além de efeitos sobre a síntese de quitina e sobre a fisiologia reprodutiva. 

Diferentemente de inseticidas neurotóxicos, a azadiractina não causa efeito de choque imediato. Seu impacto é observado ao longo do ciclo da praga, apresentando melhor desempenho quando aplicada no início da infestação ou de forma preventiva.  

As principais pragas-alvo para esse inseticida botânico são: 

  • lagartas (várias espécies) em soja, milho e hortaliças; 
  • tripes; 
  • pulgões; 
  • Para ampliar o desempenho da azadiractina, recomenda-se a aplicação por pulverização foliar com cobertura ampla, preferencialmente ao amanhecer ou no final da tarde, minimizando a degradação pela luz solar. 

Rotenona: ação de contato extraída das raízes de Derris 

A rotenona é um inseticida natural extraído das raízes de plantas dos gêneros Derris e Lonchocarpus. Seu modo de ação consiste na inibição do complexo I da cadeia respiratória mitocondrial dos insetos,  interrompendo a produção de energia celular (ATP) e causando paralisia e morte. 

Diferentemente da azadiractina, a rotenona apresenta efeito de choque mais rápido,e sua ação é predominantemente de contato. 

 Observação regulatória: o uso da rotenona na agricultura sofre restrições em diversos países e teve seu status revisto por questões toxicológicas e de impacto ambiental. Antes de considerar qualquer aplicação, é indispensável consultar o Agrofit (MAPA) para verificar produtos formulados com registro ativo no Brasil e as respectivas indicações e restrições de uso. 

Piretrinas naturais: resposta rápida no controle de pragas 

As piretrinas naturais são compostos extraídos das flores de Chrysanthemum cinerariifolium. Seu mecanismo de ação envolve a modulação dos canais de sódio nos neurônios dos insetos, resultando em paralisia e morte rápida. 

O espectro de ação das piretrinas naturais é amplo, abrangendo lepidópteros, coleópteros, dípteros e outros grupos de importância agrícola. Sua principal  característica é o efeito de choque, com ação rápida sobre as pragas presentes no momento da aplicação. 

No entanto, diferentemente dos piretroides sintéticos, as piretrinas naturais apresentam degradação ambientalacelerada, com residual de poucas horas sob exposição à luz solar.  

Leia mais: Inseticida biológico para controle de tripes 

Comparação prática: azadiractina, rotenona e piretrinas naturais 

 A tabela a seguir sistematiza as principais diferenças agronômicas e regulatórias entre os três inseticidas botânicos abordados, servindo como referência de consulta para o posicionamento no MIP: 

Critério Azadiractina Rotenona Piretrinas naturais 
Origem botânica Sementes de Azadirachta indica (nim)  Raízes de Derris spp. e Lonchocarpus spp. Flores de Chrysanthemum cinerariifolium 
Mecanismo de ação Regulador de crescimento; interfere no sistema neuroendócrino que controla a ecdisona, com efeito antialimentar e sobre a reprodução Inibição do complexo I da cadeia respiratória mitocondrial Modulação dos canais de sódio nos neurônios dos insetos 
Velocidade de resposta Lenta sobre a mortalidade; efeito antialimentar perceptível em horas Rápida por contato e ingestão Muito rápida (efeito de choque) 
Residual em campo Poucos dias, sensível à radiação ultravioleta (UV) Horas a poucos dias  Horas, sob exposição solar 
Principais alvos Lagartas, mosca-branca, tripes, pulgões e cigarrinhas Pulgões, ácaros, tripes e mosca-branca Lepidópteros, coleópteros, dípteros e hemípteros de partes aéreas 
Estádios afetados Larvas e pupas; não atua sobre ovos nem adultos Todos os estádios móveis Todos os estádios expostos no momento da aplicação 
Pontos de atenção  Sensibilidade a UV; observar bula quanto a período de floração e reentrada Alta toxicidade a peixes e organismos aquáticos; status regulatório restrito Toxicidade a abelhas e outros polinizadores; evitar aplicação no período de floração 
Posicionamento no MIP Preventivo ou início da infestação Uso restrito; avaliar registro ativo e viabilidade regulatória Situações de alta pressão que exigem resposta imediata, com preservação de inimigos naturais 

A escolha entre os três princípios ativos depende do estádio da praga, da janela de manejo disponível e do arcabouço regulatório aplicável a cada situação.  

Azadiractina se posiciona bem em programas preventivos e em cenários com foco na regulação do ciclo da praga; rotenona, quando houver produto formulado com registro ativo, aplica-se a infestações estabelecidas com as devidas cautelas ambientais; piretrinas naturais atendem a situações de alta pressão que exigem resposta imediata, sempre com atenção ao impacto sobre polinizadores. 

Inclusão  dos inseticidas botânicos no MIP 

O uso estratégico de inseticidas botânicos no MIP requer compreensão de suas limitações e potencialidades. Esses produtos apresentam melhor desempenho quando aplicados preventivamente ou no início da infestação. 

Além disso, em grande parte dos casos, a frequência de aplicação precisa ser maior do que a dos inseticidas sintéticos, devido à baixa residualidade. Em sistemas orgânicos, é fundamental verificar se o produto está certificado para uso, como pelo OMRI (Organic Materials Review Institute) ou equivalente nacional. 

A integração com agentes biológicos, como Beauveria bassiana, pode ampliar o espectro de controle e contribuir para a sustentabilidade do sistema. Além disso, a rotação de mecanismos de ação é recomendável para evitar  resistência. 

Práticas recomendadas para aplicação segura e otimizada 

Paraampliar o desempenho dos inseticidas botânicos com mais segurança ambiental, as seguintes práticas são recomendadas: 

  • Realizar aplicações preventivas ou no início da infestação, evitando populações elevadas de pragas. 
  • Utilizar bicos de pulverização que promovam cobertura ampla das partes infestadas. 
  • Aplicar preferencialmente ao amanhecer ou no final da tarde, minimizando a degradação pela luz solar. 
  • Respeitar as doses e intervalos de segurança recomendados em bula. 
  • Verificar a certificação do produto para uso em produção orgânica. 
  • Integrar o uso de inseticidas botânicos com agentes biológicos e outras práticas do MIP

Inseticidas botânicos: ferramentas essenciais para a sustentabilidade agrícola 

O uso de azadiractina, rotenona e piretrinas naturais representa uma alternativa viável para o controle de pragas em sistemas orgânicos e convencionais, desde que posicionados corretamente no MIP.  

Compreender suas limitações, especialmente a baixa residualidade e a sensibilidade à radiação ultravioleta (UV), é fundamental para ampliar a proteção das lavouras e promover a sustentabilidade agrícola. 

A tabela comparativa apresentada neste conteúdo oferece um ponto de partida para a escolha do inseticida botânico mais adequado para cada situação.  

Em qualquer cenário, o monitoramento contínuo da lavoura, a identificação correta da praga e a orientação de um agrônomo habilitado são os elementos determinantes para que esses produtos entreguem seu potencial real no campo. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável. 

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