O preço do arroz segue em trajetória de alta no mercado brasileiro. O Indicador CEPEA encerrou a semana cotado a BRL 76,17/sc, avanço de aproximadamente 3,4% em sete dias e acumulando alta de cerca de 11% somente em agosto. O movimento é sustentado pela combinação de oferta física restrita, retenção dos produtores e disputa das indústrias pelos poucos lotes ainda disponíveis no mercado.
Oferta restrita e retenção sustentam o preço do arroz
A dinâmica de curto prazo segue favorável aos produtores. Com estoques mais enxutos, as indústrias têm encontrado dificuldade para fechar negócios em volume, o que mantém a pressão altista sobre as cotações. Essa retenção, combinada à necessidade das processadoras de manter o ritmo de moagem, tende a continuar sustentando o mercado interno enquanto a disponibilidade de grãos permanecer limitada.
Balança comercial reforça a saída líquida de produto
No comércio exterior, os números da parcial de agosto (atualização do dia 17/08) mostram um cenário de saída líquida de arroz do mercado brasileiro:
- Exportações (base casca) somaram 157,3 mil toneladas
- Importações ficaram em 87,9 mil toneladas
O diferencial entre embarques e compras externas indica que mais produto está deixando o país do que entrando, o que ajuda a explicar parte da sustentação recente dos preços domésticos.
Chuvas atrasam preparo do solo no Rio Grande do Sul
No campo, um novo fator de atenção começa a ganhar espaço nas discussões sobre a próxima safra. Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, o avanço das chuvas tem retardado o preparo das lavouras:
- Apenas 60% a 70% das áreas estavam com as taipas prontas
- O normal para o período é de 90% a 95%
Caso as chuvas persistam, a janela ideal de plantio pode ficar mais curta, e uma semeadura fora do período recomendado tende a comprometer o potencial produtivo da lavoura gaúcha, região que concentra parte relevante da produção nacional de arroz.
O que observar daqui para frente
Com a oferta ainda restrita, o comportamento das exportações e a evolução do calendário de plantio no RS devem seguir como os principais pontos de atenção para quem acompanha o setor. Caso o atraso na semeadura se confirme, a expectativa de área e produtividade para a próxima safra pode precisar ser revisada, o que tende a manter o mercado de arroz sensível a qualquer nova informação climática nas próximas semanas.
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