O preço do trigo encerrou a semana com leve valorização nos contratos futuros da Bolsa de Chicago (CME), movimento sustentado principalmente pela dinâmica de alta observada em todo o complexo de grãos. No mercado doméstico brasileiro, o cenário caminhou na mesma direção, com o físico em alta puxado pela oferta ainda restrita da safra nova local.
Tours de safra nos EUA sustentam a alta em Chicago
O principal fator de sustentação para o trigo veio de fora do próprio mercado. Os tours de safra realizados nos Estados Unidos indicaram produtividades abaixo do esperado para milho e soja, o que gerou valorização também no trigo por efeito de arrasto. A alta do milho reforça a competitividade do trigo como substituto em rações animais, o que comprime a disponibilidade do grão destinado à moagem e ajuda a explicar parte do movimento recente nos futuros.
Qualidade menor na Europa limita recuos sazonais
Outro elemento que amorteceu a pressão de venda em Chicago veio do Hemisfério Norte. Relatos de heterogeneidade e perda de qualidade nas lavouras europeias, com destaque para a França, contribuíram para limitar os recuos que normalmente acompanham o período de colheita na Europa e na Ásia. Com uma oferta de qualidade mais irregular, o mercado encontrou menos espaço para acomodar a pressão sazonal típica dessa fase do calendário agrícola.
Oferta restrita eleva o preço do trigo no mercado brasileiro
No Brasil, o mercado físico segue com dinâmica própria de sustentação. Dois fatores centrais explicam a alta:
- Restrição de oferta de grãos da safra nova local
- Elevado custo de reposição do trigo importado, pressionado pela taxa de câmbio e pelos fretes marítimos internacionais
Como consequência direta desse cenário, moinhos têm se mostrado dispostos a pagar valores mais altos por lotes locais de qualidade superior, movimento que reforça a firmeza dos preços no mercado spot.
O que observar daqui para frente
A combinação entre o desempenho das lavouras americanas de milho e soja, a evolução da qualidade do trigo europeu e o ritmo de comercialização da safra nova brasileira deve seguir pautando o comportamento dos preços nas próximas semanas. No Brasil, o câmbio e o custo do frete internacional continuam como variáveis chave para o custo de reposição do grão importado, e qualquer mudança nesse cenário tende a repercutir rapidamente no mercado spot.
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