A queda prematura  e a baixa uniformidade de frutos estão entre os principais fatores que limitam a rentabilidade na fruticultura, em culturas como uva, tomate, citros e maçã. Em condições adversas,  parcela significativa do potencial produtivo pode ser perdida devido à abscisão excessiva e ao desenvolvimento desigual dos frutos. 

O uso de bioestimulantes hormonais à base de citocininas tem se destacado como alternativa técnica para ampliar o potencial produtivo, desde que aplicados de forma criteriosa e no estádio fenológico adequado. 

Nesteconteúdo, serão abordados os fundamentos fisiológicos das citocininas, sua diferença em relação às auxinas, as principais fontes naturais e sintéticas, além de recomendações técnicas para aplicação visando maximizar o pegamento e a qualidade dos frutos. 

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O que são citocininas e como funcionam nas plantas 

As citocininas  são fitormônios sintetizados principalmente nas raízes e também em tecidos em ativa divisão, como ápices caulinares e sementes em desenvolvimento; das raízes, são transportadas pelo xilema até a parte aérea.  

Sua função principal é estimular a divisão celular (citocinese), processo fundamental para o crescimento dos tecidos vegetais. Sem concentração adequada de citocininas, o desenvolvimento dos frutos é interrompido precocemente, resultando em abscisão ou frutos pequenos. 

Além da divisão celular, as citocininas desempenham outros papéis fisiológicos relevantes: 

  • Retardo da senescência foliar: prolonga a vida útil das folhas e cdo período de fotosíntese ativa. 
  • Regulação da dominância apical: influencia a arquitetura da planta e o estímulo à ramificação lateral. 
  • Resposta a estresses ambientais: participa das rotas de sinalização que regulam respostas a déficit hídrico e temperaturas extremas. 

As principais citocininas naturais são a zeatina e a kinetina. A 6-benzilaminopurina (6-BA) é a forma sintética mais utilizada em aplicações agrícolas. 

Citocininas:  papel no pegamento e no desenvolvimento dos frutos 

O pegamento de frutos é um processo fisiológico sensível ao balanço hormonal. Frutos jovens com baixos níveis de citocininas apresentam maior suscetibilidade à abscisão.  

A aplicação de citocininas no início do desenvolvimento dos frutos tem efeito descrito na literatura técnica para reduzir a queda precoce, pois estimula a divisão celular no fruto jovem, aumentando o número de células e o potencial de crescimento. 

Em culturas como uva, tomate, citros e maçã, a literatura técnica documenta ganhos significativos em calibre, peso e uniformidade dos frutos quando as citocininas são utilizadas corretamente, especialmente em condições de estresse ambiental ou baixa fertilidade. 

Close em mãos segurando cacho de uva

Sinergia hormonal: como citocininas e auxinas se complementam no desenvolvimento dos frutos 

Embora tanto as citocininas quanto as auxinas sejam fitormonios essenciais para o desenvolvimento dos frutos, seus mecanismos de ação são distintos e complementares: 

Hormônio Mecanismos principais Efeito no fruto 
Citocininas  Estímulo à divisão celular (citocinese); retardo da senescência  Aumento do número de células por fruto; sustentação do dreno; maior potencial de calibre 
Auxinas  Estímulo à elongação celular; inibição da camada de abscisão  Aumento do tamanho das células; retenção de frutos jovens 

Um desequilíbrio entre auxina e citocinina pode comprometer o resultado, levando à abscisão, deformidades ou frutos de baixo valor comercial. Por isso, os  bioestimulantes que combinam os dois grupos hormonais tendem a apresentar resposta superior à aplicação isolada. 

 Fontes de citocininas para uso agrícola: naturais e sintéticas 

As citocininas para uso agrícola podem ser obtidas de fontes sintéticas ou naturais. Cada opção apresenta características distintas quanto à estabilidade, espectro de ação e adequação para diferentes sistemas de produção: 

  • 6-benzilaminopurina (6-BA): citocinina sintética mais utilizada em fruticultura, devido a sua  alta estabilidade. 
  • Extrato de Ascophyllum nodosum (alga marinha): fonte natural rica em zeatina e outras citocininas. Além das citocininas, fornece outros compostos bioativos com ação sinérgica, promovendo vigor vegetativo e tolerância ao estresse. 

A escolha entre fontes sintéticas e naturais deve considerar o objetivo do manejo, a cultura, o estádio fenológico e as recomendações técnicas do produto registrado. 

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Estratégias de aplicação:  uso de citocininas na fruticultura 

O momento de aplicação é crítico para o sucesso do manejo. A janela mais responsiva é o período que antecede a floração e o início do pegamento dos frutos, quando a demanda por divisão celular é máxima. As recomendações por cultura são: 

  • Uva: aplicação no estádio BBCH 69 (final da floração), frequentemente com uso de CPPU (forchlorfenurom) associada ao ácido giberélico, favorece o aumento do calibre das bagas e a uniformidade do cacho. 
  • Citros: aplicação no início do pegamento reduz a abscisão e aumenta o número de frutos viáveis. 
  • Tomate: aplicação durante a antese e o início do desenvolvimento dos frutos promove maior uniformidade e calibre. 
  • Maçã: aplicação no estádio de queda de pétalas / frutos de 8 a 15 mm, com efeito de raleio químico. Reduz o número de frutos por rosácea e favorece o crescimento dos remanescentes. 

A dose e a frequência devem seguir rigorosamente a recomendação do produto registrado para cada cultura. O excesso de citocininas pode causar efeitos indesejados, como deformidades ou atraso na maturação. 

Evidências científicas: impactos positivos das citocininas na produtividade e qualidade 

Diversos estudos conduzidos por instituições como a Embrapa demonstram que a aplicação de citocininas em culturas de alto valor pode: 

  • Reduzir a abscisão de frutos.Aumentar o calibre e o peso dos frutos. 
  • Melhorar a uniformidade de maturação, facilitando a colheita e favorecendo a padronização do lote na comercialização. 
  • Promover maior tolerância ao estresse abiótico, como déficit hídrico e altas temperaturas. 

Esses resultados dependem da correta identificação do estádio fenológico, da escolha da fonte de citocinina e do ajuste da dose e frequência conforme as recomendações técnicas. 

Boas práticas para potencializar resultados com citocininas em fruticultura e olericultura 

Para maximizar os benefícios das citocininas, as seguintes práticas são recomendadas: 

  • Identificar o estádio fenológico ideal para cada cultura: pré-floração, antese ou início do pegamento. 
  • Utilizar produtos registrados, respeitando as doses e intervalos de segurança indicados em bula. 
  • Realizar aplicações homogêneas, evitando excessos que possam comprometer o desenvolvimento dos frutos. 
  • Integrar o uso de citocininas com nutrição equilibrada e controle fitossanitário. 
  • Consultar sempre um engenheiro agrônomo habilitado para adequar o manejo às condições específicas da lavoura. 

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Citocininas: tecnologia para ampliar o potencial produtivo e a qualidade dos frutos 

O manejo hormonal com citocininas representa uma ferramenta estratégica para ampliar o pegamento, o calibre e a uniformidade dos frutos em culturas de alto valor. A adoção criteriosa dessa tecnologia, baseada no estádio fenológico correto e nas recomendações técnicas do produto, pode contribuir para ganhos expressivos em produtividade e qualidade. 

A sinergia entre citocininas e auxinas é um dos princípios mais sólidos da fisiologia vegetal aplicada à fruticultura. Bioestimulantes que combinam os dois grupos hormonais de forma calibrada oferecem resultados superiores à aplicação isolada, especialmente em culturas com janelas fenológicas estreitas e alto valor econômico. 

O extrato de Ascophyllum nodosum como fonte natural de citocininas representa uma opção sustentável e com efeito sistêmico ampliado, sendo especialmente indicado em sistemas de produção  que buscam reduzir o uso de moléculas sintéticas. 

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