O algodão brasileiro vem ganhando espaço no mercado internacional em meio à crise enfrentada pela cotonicultura do Paquistão. Problemas climáticos, ataques de pragas, sementes de qualidade inferior e queda na rentabilidade dos produtores locais têm reduzido a capacidade do país de suprir sua própria indústria têxtil, abrindo caminho para fornecedores externos.
Em junho, o Paquistão já respondia por cerca de 20% das exportações brasileiras de algodão, com compras de aproximadamente 43,4 mil toneladas, alta de 82% frente ao mesmo mês do ano passado. As estimativas do setor apontam que essa fatia pode chegar a 24% até setembro, o que colocaria o país entre os principais destinos da fibra nacional.
Produção paquistanesa não acompanha demanda da indústria têxtil
O tamanho da indústria têxtil do Paquistão é o principal fator por trás da dependência externa do país. Segundo projeções do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção paquistanesa de algodão na safra 2026/27 deve somar cerca de 1,1 milhão de toneladas, queda de 3% em relação ao ciclo anterior.
O volume, no entanto, está muito aquém da necessidade da cadeia têxtil local, que consome em torno de 2,2 milhões de toneladas por ano, o dobro do que o país produz. Esse descompasso amplia a dependência de importações e cria oportunidades para exportadores internacionais.
Entre os fatores que dificultam a retomada da produção local estão:
- Condições climáticas desfavoráveis
- Maior incidência de pragas nas lavouras
- Uso de sementes de baixa qualidade
- Queda de produtividade e de rentabilidade para os produtores
Algodão brasileiro ganha competitividade frente aos concorrentes
Diante da oferta insuficiente no Paquistão, os importadores locais buscam fornecedores com capacidade de entregar volume, regularidade e preços atrativos. Nesse contexto, o Brasil se destaca não só pela disponibilidade de produto, mas também por uma vantagem de preço em relação ao algodão dos Estados Unidos em parte das negociações.
Hoje, brasileiros e norte-americanos disputam a liderança no fornecimento ao mercado paquistanês. Caso o cenário de preços e oferta se mantenha, as projeções indicam que o Brasil pode assumir a primeira posição entre setembro e outubro.
Safra elevada sustenta avanço das exportações
A força do Brasil nesse movimento está apoiada em uma safra robusta. Conforme estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de algodão em 2025/26 deve alcançar 4,1 milhões de toneladas, das quais cerca de 80% devem seguir para o mercado externo.
Esse volume exportável permite ao país atender simultaneamente compradores tradicionais e novos mercados, aproveitando janelas de oportunidade como a criada pela crise paquistanesa.
Paquistão pode ultrapassar Bangladesh no ranking de compradores
O crescimento das compras paquistanesas também deve reorganizar o mapa dos principais destinos do algodão brasileiro. Com participação estimada em 24% até setembro, o Paquistão pode ultrapassar Bangladesh e se tornar o maior comprador do produto nacional.
Essa mudança teria peso estratégico para a cotonicultura brasileira ao:
- Diversificar os destinos das exportações
- Reduzir a dependência de poucos mercados consumidores
- Fortalecer a presença do país no sul da Ásia, região de forte relevância têxtil
Perspectivas para a cotonicultura brasileira
O momento reforça o potencial de expansão do Brasil no comércio internacional de algodão. A combinação entre produção elevada, excedente exportável, preços competitivos e demanda aquecida na Ásia cria condições favoráveis para o país ampliar sua fatia em mercados historicamente atendidos por outros grandes produtores.
O desafio, daqui para frente, será transformar o aumento pontual das compras paquistanesas em relações comerciais duradouras, consolidando o Brasil como um dos principais fornecedores globais da fibra.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo:


Deixe um comentário