A adoção de extrato de algas como bioestimulante na agricultura brasileira cresce de forma consistente, motivada pela busca por maior produtividade e resiliência frente a estresses abióticos.
A escolha da espécie de alga utilizada como fonte do bioestimulante é determinante para o sucesso do manejo, podendo influenciar desde o crescimento radicular até a tolerância à seca e à salinidade.
No cenário atual, Ecklonia maxima e Ascophyllum nodosum destacam-se como as principais espécies empregadas em bioestimulantes agrícolas. Apesar de ambas serem algas marinhas, suas diferenças bioquímicas e fisiológicas resultam em respostas agronômicas específicas, exigindo análise criteriosa por parte de técnicos e produtores.
Este conteúdo apresenta um comparativo técnico entre os dois extratos, abordando composição, mecanismos de ação, culturas indicadas e critérios práticos para a escolha do bioestimulante mais adequado a cada situação.
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Fatores que diferenciam os extratos de algas
O mercado de bioestimulantes à base de algas marinhas reúne produtos de diferentes espécies e métodos de extração, com perfis bioquímicos distintos entre si. Dois fatores são determinantes para a eficácia do produto final:
- Espécie de alga: define a composição natural de fitormônios, polissacarídeos e compostos bioativos, que variam significativamente entre Ecklonia maxima e Ascophyllum nodosum.
- Método de extração: extração a frio, extração alcalina ou enzimática podem alterar a concentração de fitormônios e intensificar ou limitar determinados efeitos fisiológicos.
Ecklonia maxima: características agronômicas e efeitos fisiológicos
Ecklonia maxima é uma alga parda originária das costas da África do Sul, reconhecida por sua elevada concentração de fitormônios naturais, especialmente citocininas (zeatina), auxinas e giberelinas. Quando obtido por processos de extração a frio, o extrato tende a preservar maior concentração dos fitormônios naturais da alga.

O principal mecanismo de ação é o estímulo hormonal direto ao crescimento radicular e ao pegamento de frutos.
Os diferenciais do extrato de Ecklonia maxima são:
- Elevada concentração de citocininas naturais, com destaque para a zeatina, que estimula a divisão celular e o pegamento.
- Presença combinada de auxinas e giberelinas, que atuam de forma complementar no crescimento vegetativo e reprodutivo.
- Presença de betaínas, para a osmorregulação e a proteção celular sob estresse.
- Alta concentração de compostos ativos, com doses que variam conforme o produto comercial
Culturas como frutíferas e hortaliças (tomate, pimentão, berinjela) apresentam respostas superiores, especialmente quando o objetivo é estimular o crescimento radicular, o pegamento de flores e frutos e a recuperação pós-estresse.
Ascophyllum nodosum: propriedades funcionais e impacto no desenvolvimento vegetal
Ascophyllum nodosum é uma alga parda do Atlântico Norte, coletada principalmente nas costas da Noruega, Escócia e Canadá. Seu extrato é caracterizado por alta concentração de polissacarídeos, betaínas, manitol e vitaminas, além de compostos fenólicos.
O mecanismo central é a indução de resistência a estresses abióticos e o estímulo à microbiota do solo. Os principais diferenciais são:
- Alta concentração de laminarina, fucoidana e alginato.A laminarina, em particular, atua como elicitor, ativando rotas de defesa nas plantas, enquanto os alginatos contribuem para o condicionamento do solo e a disponibilização de nutrientes.
- Presença de betaínas e manitol, que contribuem para a osmorregulação e proteção celular.
- Capacidade de induzir ISR (Resistência Sistêmica Induzida) e estimular a microbiota benéfica do solo.
- Ação documentada em tolerância a estresses, especialmente em culturas de grãos expostas a seca, salinidade e calor.
Culturas como soja, milho, café e hortaliças de folha apresentam maior resposta, principalmente em situações de estresse abiótico.
Ecklonia maxima e Ascophyllum nodosum : quadro comparativo
A tabela a seguir sintetiza as principais diferenças entre os dois extratos para orientar a decisão técnica:
| Critério | Ecklonia maxima | Ascophyllum nodosum |
| Composição principal | Citocininas (zeatina), auxinas, giberelinas, betaínas | Polissacarídeos (laminarina, fucoidana, alginato), betaínas, manitol, vitaminas |
| Mecanismo predominante | Estímulo hormonal direto ao crescimento radicular e pegamento de frutos | Indução de ISR (Resistência Sistêmica Induzida) e estímulo à microbiota do solo |
| Principal indicação | Crescimento radicular, pegamento floral e frutificação, recuperação pós-estresse | Tolerância a seca, salinidade, calor e fortalecimento geral da planta |
| Culturas com maior resposta documentada | Frutíferas, hortaliças, culturas perenes, entre outras | Soja, milho, café, hortaliças |
| Estádio fenológico ideal | Pré-florada, pegamento de frutos, pós-estresse | Estádios iniciais, períodos de estresse abiótico |
Nota: a resposta varia conforme o produto comercial, o método de extração, a dose e o momento de aplicação, não sendo exclusiva da espécie de alga.
Critérios técnicos para selecionar o bioestimulante com o extrato de alga mais adequado
A escolha entre Ecklonia maxima e Ascophyllum nodosum deve ser orientada pelo objetivo agronômico e pela cultura em questão:
- Ecklonia maxima é indicada quando: o foco for crescimento radicular vigoroso, pegamento de flores e frutos ou recuperação pós-estresse em frutíferas e hortaliças.
- Ascophyllum nodosum é indicada quando: o desafio for a tolerância a seca, salinidade ou outros estresses abióticos, especialmente em culturas de grãos como soja, milho e café.
- Combinação dos dois extratos: a associação pode sempre ser considerada, respeitadas as recomendações técnicas e as necessidades específicas de cada cultura e ambiente.
Extratos de algas marinhas: uma decisão técnica, não genérica
A diferença entre Ecklonia maxima e Ascophyllum nodosum é mais do que química: é estratégica. Escolher o extrato de algas certo para o momento e a cultura certos um passo importante para que o bioestimulante contribua o resultado esperado.
O método de extração também importa. Dois produtos da mesma espécie podem ter perfis bioquímicos muito distintos conforme o processo industrial empregado para fabricação do bioestimulantes. Por isso, a consulta à ficha técnica e à bula do produto, aliada ao acompanhamento de um agrônomo habilitado, é indispensável para orientar a decisão.
O avanço das pesquisas sobre extratos de algas no Brasil, conduzidas pela Embrapa e por universidades públicas, indica um horizonte promissor para o uso estratégico dessas ferramentas em diferentes sistemas produtivos. O conhecimento técnico sobre as diferenças entre as espécies é o que permitirá ao produtor e ao consultor extrair o pleno potencial dessa tecnologia.
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