O mercado de algodão voltou a chamar atenção dos players globais na última semana. O contrato com vencimento em dezembro de 2026 encerrou a sexta-feira (21/08) cotado a US¢ 88,3/lb na ICE, o maior fechamento desde abril de 2024, depois de tocar US¢ 89,1/lb durante o pregão. O movimento reflete uma combinação de fatores: tensões geopolíticas, oferta mais apertada nos Estados Unidos e um ritmo forte de exportações tanto americanas quanto brasileiras.
Preços da fibra sobem com virada nas posições dos fundos
Um dado chama atenção no comportamento do mercado: pela primeira vez desde abril de 2024, as posições vendidas não fixadas (On-Call) superaram as posições compradas, com uma diferença de aproximadamente 5 mil contratos. Esse tipo de inversão costuma ser interpretado como um sinal de que o mercado físico está pressionando compradores a fixar preços, o que tende a sustentar a cotação no curto prazo.
Petróleo em alta reforça o suporte aos preços
O conflito no Oriente Médio empurrou o petróleo para o maior patamar desde o fim de julho, e esse movimento acabou contaminando outras commodities, incluindo o algodão negociado na ICE. Como a fibra concorre diretamente com sintéticos derivados do petróleo, a alta do barril tende a reduzir a competitividade das fibras artificiais e favorecer a demanda por algodão.
Lavouras do Texas seguem em deterioração
No campo, o cenário nos Estados Unidos preocupa. As condições das lavouras no Texas, principal estado produtor do país, continuam piorando:
- Apenas 21% da área está classificada como boa ou excelente
- No mesmo período da safra passada, esse percentual era de 49%
A diferença expressiva reforça o temor de uma safra americana menor, o que ajuda a explicar parte da força recente dos preços.
Exportações aceleram nos EUA e no Brasil
O ritmo de vendas externas também está mais forte que no ciclo anterior:
- Nos Estados Unidos, o total de negócios de exportação já soma cerca de 960 mil toneladas, volume 32% superior ao mesmo período da safra passada
- No Brasil, os embarques semanais somaram 55,7 mil toneladas até a segunda semana de agosto, com a média diária de embarques 50% acima da registrada em agosto de 2025
Esses números indicam demanda internacional aquecida, mesmo com o mercado de algodão operando em patamares mais altos.
O que observar daqui para frente
A combinação de clima adverso no Texas, tensão geopolítica sustentando o petróleo e um posicionamento de fundos mais favorável aos vendedores coloca o mercado em um momento de atenção redobrada. O comportamento das posições On-Call e a evolução das condições de lavoura nos próximos boletins semanais devem seguir como termômetros centrais para quem acompanha o setor.
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