A colheita de café 2026 começou em diversas regiões produtoras do Brasil. Embora as condições climáticas tenham imposto desafios em algumas áreas, produtores seguem otimistas com o potencial produtivo das lavouras e com a qualidade dos grãos que chegarão ao mercado nesta temporada.
Neste primeiro Giro de Safra da temporada, produtores de importantes regiões cafeeiras compartilham suas percepções sobre o andamento da colheita, as condições climáticas enfrentadas ao longo do ciclo e as expectativas para a safra de café 2026. Vale lembrarmos que as estimativas da Conab para esse ano, é de uma safra em torno de 66,7 milhões de sacas, uma alta de 18%.
Colheita de café avança, mas clima ainda preocupa produtores
Segundo Eduardo Renne, Coordenador Técnico da Cooxupé, a colheita do café arábica já está em andamento em todas as regiões acompanhadas pela cooperativa.

“O volume de café que está sendo colhido nesse momento já permite observar uma boa safra. Com relação ao clima, os produtores enfrentam um certo desconforto devido à elevada umidade e às chuvas durante a colheita, o que representa uma condição adversa. Ainda assim, os produtores seguem otimistas com o volume de café que está sendo colhido”, destaca.
A ocorrência de chuvas durante o período de colheita tem sido um dos principais pontos de atenção em várias regiões produtoras, exigindo planejamento e estratégias para preservar a qualidade dos grãos.
Cerrado Mineiro aposta em boa produtividade
Em Monte Carmelo, no Cerrado Mineiro, a produtora Mariana Jordão iniciou a colheita na última semana e relata expectativas positivas para a temporada.
“Começamos a colheita na semana passada em algumas áreas. A expectativa é de uma boa safra para nós. O pegamento dos frutos foi muito bom e as chuvas que aconteceram de janeiro em diante foram bastante significativas”, afirma.

Segundo a produtora, o manejo realizado ao longo do ciclo foi fundamental para sustentar o potencial produtivo das lavouras.
Sul de Minas registra safra promissora apesar da pressão de doenças
No Sul de Minas, Marcelo Barbosa, produtor rural de Campos Gerais, avalia que o ciclo apresentou desafios relacionados ao manejo fitossanitário, especialmente devido à maior incidência de chuvas.
“Foi um ano que começou um pouco mais seco, mas depois teve um bom período de chuvas. Foi um ciclo mais complicado para o controle de doenças, porém continua sendo um ano promissor para a cafeicultura”, comentou.

No Campo das Vertentes, em Santo Antônio do Amparo, o produtor Walysson Torquato destaca que a regularidade das chuvas durante a fase de granação contribuiu para o desenvolvimento das lavouras.
“O início da expansão dos grãos foi bastante seco, mas durante a granação tivemos uma regularidade interessante de chuvas. Isso nos permite trabalhar com expectativa de grandes resultados e de um café de boa qualidade”, relata.
Serra da Canastra espera recuperação produtiva
Na Serra da Canastra, a expectativa é de recuperação após os impactos climáticos observados na safra anterior.
“A expectativa é muito positiva. Além disso, as lavouras estão muito bem cuidadas e já conseguimos observar isso nas propriedades da região. Da mesma forma, a Canastra, por suas características climáticas e naturais, também traz essa segurança para o produtor”, afirma Paulo Henrique Guerra.

O produtor acredita que a região poderá registrar uma safra superior à do ano passado, quando a estiagem comprometeu parte do potencial produtivo.
“Teremos uma safra maior porque enfrentamos problemas climáticos severos em 2025. Além do aumento no volume, a expectativa é de uma excelente qualidade dos cafés produzidos na região.”
Alta Mogiana projeta recuperação após anos de adversidades
Na Alta Mogiana Paulista, o produtor Guilherme Vicentini avalia que as condições climáticas foram mais favoráveis ao desenvolvimento da cultura do café em comparação aos últimos anos.

“Há muitos anos enfrentamos dificuldades climáticas. Neste ciclo tivemos uma bela florada e um ano mais propício para a cafeicultura. Apesar da falta de chuva em alguns momentos no final do ano, as lavouras apresentam alta produtividade”, destaca.
Ainda segundo o produtor, a safra poderá representar uma recuperação importante após perdas acumuladas em temporadas anteriores.
“Após os impactos das queimadas e dos problemas climáticos dos últimos anos, acreditamos que 2026 poderá recuperar parte desses prejuízos.”
Região de Furnas acompanha início da colheita com cautela
Na região de Furnas, a produtora Marisa Contreras destaca que a safra começou com um desafio conhecido pelos cafeicultores: a chuva durante a colheita.
“Estamos iniciando a safra brasileira de café e já começamos a semana com um desafio. Está chovendo sobre nossas lavouras, impedindo a continuidade da colheita”, relata.
Apesar das dificuldades, Marisa acredita no potencial da safra brasileira e ressalta a resiliência dos produtores.

“Esperamos uma safra extraordinária neste ano. O produtor brasileiro vem enfrentando desafios climáticos, econômicos e financeiros, mas seguimos focados em produzir cafés de excelência. É hora de tranquilidade e serenidade, porque ainda teremos muitas coisas para celebrar.”
Espírito Santo registra avanço da colheita do conilon com atenção à produtividade
No Espírito Santo, principal estado produtor de café conilon do Brasil, a colheita avança em ritmo moderado. Segundo Luis Carlos Bastianello, presidente da COOABRIEL, a maturação dos frutos apresentou um ligeiro atraso nesta safra, e entre 20% e 25% da produção já foi colhida.
“Temos uma qualidade melhor em comparação com o ano passado, mas a quebra é real em relação à safra anterior”, afirma.
De acordo com Bastianello, o cenário reforça a importância do manejo contínuo das lavouras, especialmente em um contexto cada vez mais influenciado pelas condições climáticas. “O produtor precisa estar sempre atento aos cuidados com a nutrição, ao controle de pragas e doenças e às condições do clima. Os trabalhos preventivos realizados na pré-colheita e na pós-colheita são essenciais para garantir bons resultados na safra seguinte”, destaca.
Sobre o mercado, o presidente da COOABRIEL avalia que ainda é cedo para projetar o comportamento dos preços do café conilon ao longo da temporada. Segundo ele, a formação de preços remuneratórios depende de diversos fatores, especialmente da oferta disponível no mercado. “Neste momento não é possível prever o cenário com precisão. O produtor precisa fazer o dever de casa, reduzindo custos onde for possível, mas sem abrir mão dos cuidados necessários para manter a produtividade e a sustentabilidade da lavoura”, conclui.
Safra de café 2026 começa com expectativas positivas
Mesmo diante dos desafios climáticos observados em algumas regiões, o cenário predominante entre os produtores é de otimismo. Os relatos colhidos neste primeiro Giro de Safra indicam que, apesar dos desafios climáticos enfrentados ao longo do ciclo, a cafeicultura brasileira inicia a temporada 2026 com perspectivas mais favoráveis do que nos últimos anos. A consolidação desse cenário dependerá do comportamento do clima durante a colheita e dos resultados efetivos observados nos próximos meses.
Nos próximos meses, o avanço da colheita permitirá uma avaliação mais precisa dos volumes produzidos e da qualidade dos cafés, fatores que serão determinantes para o comportamento do mercado e para o abastecimento global da commodity.


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