colheita de milho 2025/26 no Brasil já pode ser considerada recorde: o volume total passou a ser estimado em 142,8 milhões de toneladas, crescimento de pouco mais de 1% em relação ao ciclo anterior. O número é da AgRural, divulgado nesta segunda-feira, e reflete principalmente uma revisão positiva na segunda safra da região centro-sul do país. 

Segundo a AgRural, o ajuste veio da produtividade média, que subiu na maioria dos estados, com destaque para São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

O que puxou a revisão da colheita de milho 2025/26 para cima 

A melhora na expectativa está diretamente ligada ao desempenho de Mato Grosso, maior produtor brasileiro do cereal. Boas médias de produtividade seguiram sendo colhidas mesmo na reta final dos trabalhos no Estado, em áreas de plantio mais tardio, o que justificou a revisão para cima. 

Os principais números atualizados pela consultoria são: 

  • Produção total de milho: 142,8 milhões de toneladas (recorde, alta de pouco mais de 1% sobre o ciclo anterior) 
  • Segunda safra (safrinha): 110,5 milhões de toneladas, ainda abaixo do recorde histórico de 113,2 milhões registrado em 2025 
  • Segunda safra no centro-sul: revisada de 99,1 milhões para 103,1 milhões de toneladas 
  • Progresso da colheita da safrinha no centro-sul: 69% da área até a última quinta-feira, ante 60% na semana anterior e 81% no mesmo período do ano passado 

Safrinha não bate recorde, mas total do ano sim 

Mesmo com a segunda safra ainda projetada abaixo do pico histórico, o bom desempenho da safra de verão foi suficiente para garantir a produção total recorde de milho no Brasil. A “safrinha” não precisou ser a maior da história para que o ano fechasse com um novo teto de produção nacional. 

Demanda interna por etanol de milho sustenta o cenário 

A estimativa mais alta para a segunda safra chega em um momento oportuno para o mercado interno. O volume adicional ajuda o país a atender a demanda crescente para a produção de etanol de milho, num ano em que as exportações brasileiras do cereal enfrentam forte concorrência global. 

Exportações de milho enfrentam concorrência pesada 

Apesar da produção recorde, o Brasil não deve repetir facilmente o volume exportado em 2025. A demanda internacional tem buscado origens com preço mais competitivo, especialmente Estados Unidos e Argentina. Para que as exportações brasileiras superem as do ano anterior, seria necessário um cenário de preços mais altos em Chicago e/ou câmbio mais favorável. 

Os ganhos recentes nos preços do milho nos EUA já ajudam a melhorar a paridade de exportação do Brasil, mas o país ainda está longe de repetir facilmente o ritmo exportador dos últimos anos, diante de uma competição internacional considerada muito pesada. 

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