A exportação de algodão do Brasil caminha para um novo recorde histórico em 2026. A Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) elevou sua projeção para os embarques do primeiro semestre a 1,83 milhão de toneladas, marca inédita para o período, refletindo o aquecimento da demanda internacional, especialmente vinda da China, e a consolidação do país como maior fornecedor global da pluma.
Safra 2025/26 será a segunda maior da história
A produção brasileira da safra 2025/26 foi revisada para cima e agora deve atingir mais de 4 milhões de toneladas, segundo a Anea. O volume coloca o ciclo atual como o segundo maior já registrado pelo país, atrás apenas do recorde anterior.
Entre os fatores que sustentam o desempenho positivo estão:
- Condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras
- Avanço da área plantada de segunda safra
- Boa sanidade das lavouras até o momento
- Demanda externa firme, com China retomando protagonismo nas compras
Mato Grosso e Bahia consolidam liderança na produção
Mato Grosso e Bahia seguem como os pilares da cotonicultura nacional, concentrando a maior parte da produção e respondendo pelo grosso dos embarques projetados. Em Mato Grosso, a expansão da área de segunda safra e o manejo intensivo das lavouras explicam o desempenho. Já na Bahia, a regularidade hídrica no Oeste do estado tem favorecido o enchimento dos capulhos e a qualidade da pluma colhida.
Em ambas as regiões, o cotonicultor tem se beneficiado de janelas de plantio bem definidas e de um pacote tecnológico cada vez mais sofisticado, que combina cultivares de alto potencial, tratamento de sementes, controle químico e biológico de pragas (com destaque para o bicudo), além de programas robustos de manejo de plantas daninhas e doenças foliares.
China retoma protagonismo entre os destinos
A volta da China às compras de algodão brasileiro é um dos motores centrais da revisão para cima. O país asiático, que é o maior consumidor mundial da pluma, vinha operando com estoques internos elevados e ritmo de importação reduzido, mas voltou a posicionar o Brasil como fornecedor preferencial pela competitividade de preço e qualidade da fibra.
Outros destinos relevantes para a exportação de algodão do Brasil em 2026 incluem Vietnã, Paquistão, Bangladesh, Turquia e Indonésia, mercados estratégicos para a indústria têxtil global.
Desafios de manejo seguem no radar
Apesar do cenário otimista, o cotonicultor precisa manter atenção redobrada a riscos que podem comprometer produtividade e qualidade da pluma, sobretudo nesta fase final de ciclo e na preparação para a próxima safra. Entre os pontos críticos:
- Monitoramento contínuo do bicudo-do-algodoeiro, principal praga da cultura
- Manejo integrado de plantas daninhas resistentes
- Controle preventivo de ramulária e mancha-alvo
- Janela adequada para tratamento de sementes na safra 2026/27
Perspectivas para o segundo semestre
Com a logística portuária operando em ritmo intenso, especialmente no Porto de Santos e no Arco Norte, a expectativa é que o segundo semestre confirme o cenário recorde para a exportação de algodão do Brasil em 2026. A combinação de oferta interna abundante, demanda chinesa aquecida e câmbio favorável reforça a posição do país como fornecedor estratégico para a indústria têxtil mundial e abre espaço para que o cotonicultor brasileiro capture margens mais competitivas no ciclo seguinte.
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