Os preços do milho seguem em trajetória de baixa neste início de junho na maior parte das regiões produtoras do Brasil, conforme aponta o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Apesar de o início da colheita ainda estar concentrado em poucos estados, a projeção de aumento da oferta nas próximas semanas tem sido suficiente para pressionar as cotações do cereal. 

Indicador Cepea acumula nova queda em junho 

Na sexta-feira (12/6), o indicador do milho do Cepea, baseado na região de Campinas (SP), foi cotado a R$ 64,21 a saca de 60 quilos, acumulando queda de 1,08% desde o início do mês. O movimento dá sequência à retração observada já na primeira semana de junho, quando, no dia 5/6, o mesmo indicador havia registrado R$ 64,50 a saca, recuo de 0,63% no acumulado parcial do mês. 

O comportamento das duas pontas do mercado ajuda a explicar o cenário. De um lado, segundo o Cepea, compradores estão atentos à possibilidade de uma safra volumosa e têm limitado o volume de negociações, à espera de desvalorizações mais expressivas nas próximas semanas. Do outro, vendedores mostram maior flexibilidade, reduzindo as pedidas e ajustando datas de entrega ou de pagamento como forma de escoar o cereal neste início de colheita. 

Conab e USDA reforçam pressão sobre os preços do milho 

A retração dos consumidores ganhou reforço com as estimativas mais recentes divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Os dois levantamentos apontam aumentos consistentes na produção brasileira da safra 2025/26 e também na oferta mundial projetada para 2026/27. 

No mercado interno, de acordo com pesquisadores do Cepea, a melhora nas estimativas está diretamente ligada ao desempenho da safra verão, que se beneficiou de condições mais favoráveis em regiões importantes. Já no cenário global, a expansão da oferta tem sido puxada por países como a Índia, que devem ampliar suas colheitas e contribuir para elevar os estoques mundiais do cereal. 

Mercado externo reduz paridade de exportação 

Outro fator que vem mantendo o mercado doméstico sob pressão é o comportamento das cotações internacionais. Segundo o Cepea, os compradores nacionais, além de possuírem estoques suficientes para o consumo no curto prazo, seguem atentos a dois movimentos centrais: o avanço da colheita da segunda safra e as quedas recentes dos preços internacionais. 

A combinação desses dois elementos reduz a paridade de exportação e, na sequência, pressiona as cotações domésticas, já que o cereal brasileiro perde competitividade relativa no mercado externo. O resultado, na prática, é um ambiente em que vendedores precisam ceder mais nas negociações para conseguir movimentar o estoque, enquanto compradores ganham margem para aguardar e pressionar por novos descontos. 

O que observar nas próximas semanas 

O mercado de milho deve seguir atento a três frentes principais nas próximas semanas: o ritmo da colheita da safra de inverno, especialmente nas principais regiões produtoras do Centro-Oeste; novas atualizações de Conab e USDA sobre oferta e demanda; e a evolução das cotações internacionais, que continuam influenciando diretamente os negócios no mercado interno. Enquanto esse quadro não se alterar, a tendência é de que o produtor brasileiro continue negociando em patamares pressionados. 

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