Após um início de mês marcado por fortes recuos, o preço do café arábica voltou a reagir na segunda quinzena de junho. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o indicador Cepea/Esalq para o arábica fechou a terça-feira (16/6) em R$ 1.474,18 a saca de 60 quilos, alta de 4,38% em relação ao dia 10. As chuvas nas principais regiões produtoras explicam a guinada nas cotações, ao limitar pontualmente a oferta disponível para comercialização. 

A virada acontece após semanas de pressão baixista provocada pelo avanço da colheita da safra 2026/27, que tradicionalmente eleva a oferta no mercado físico e reduz preços. Mesmo com a recente recuperação, o saldo de junho continua negativo, com queda acumulada de 5,24%. 

Chuvas atrasam colheita e ameaçam qualidade dos grãos 

De acordo com pesquisadores do Cepea, as precipitações registradas nas áreas produtoras de arábica nas últimas semanas têm dois efeitos imediatos sobre o mercado. O primeiro é operacional: a umidade dificulta a operação das máquinas e prolonga o tempo necessário para secar os grãos colhidos, atrasando o cronograma dos cafeicultores. 

O segundo efeito é qualitativo. Chuvas em fase de colheita podem comprometer a granulometria e o aspecto dos grãos, fatores que pesam diretamente na formação do preço final. Apesar de estimativas oficiais apontarem para uma safra recorde no Brasil, agentes do setor relatam: 

  • Qualidade média do grão inferior à temporada anterior. 
  • Peneira menor, com grãos de calibre reduzido em parte dos lotes. 
  • Maior incidência de defeitos no café recém-colhido. 

Esse descompasso entre volume e qualidade ajuda a sustentar parte da reação das cotações, à medida que compradores buscam lotes premium em meio a uma oferta crescente, porém heterogênea. 

Preço do café arábica ainda acumula perdas no mês 

Mesmo com o repique recente, o preço do café arábica continua no vermelho em junho, com retração de 5,24% no acumulado mensal. O movimento reflete o peso estrutural do calendário de colheita sobre o mercado físico, que tende a manter a oferta elevada nas próximas semanas, à medida que os trabalhos avançam pelas regiões produtoras de Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia. 

A continuidade da recuperação depende, em grande parte, do comportamento do clima nos próximos dias. Caso as chuvas persistam, o atraso na colheita pode prolongar o ajuste de preços. Em cenário oposto, com tempo firme, a oferta tende a se normalizar rapidamente e devolver pressão sobre as cotações. 

Robusta segue firme com perspectiva de safra menor 

O cenário é distinto no mercado do robusta, variedade utilizada principalmente pela indústria de café solúvel e em blends. Os preços têm se mostrado mais resistentes que os do arábica, sustentados pelas projeções de safra inferior à colhida na temporada passada. 

Nesta terça-feira (16/6), o indicador Cepea/Esalq do robusta foi cotado a R$ 988,50 a saca de 60 quilos, alta de 3,77% desde o início de junho. A menor oferta esperada e a demanda firme da indústria têm dado suporte à variedade, que segue ganhando relevância no portfólio dos produtores brasileiros, com destaque para Espírito Santo e Rondônia. 

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