O mosaico do pepino é uma virose relevante para a produção de hortaliças em diferentes regiões do mundo, porque pode afetar cucurbitáceas, solanáceas, folhosas e plantas daninhas.  

O agente causal, o CMV (Cucumber mosaic virus), apresenta ampla gama de hospedeiras e pode provocar mosaico, deformações em folhas e frutos, nanismo e perda do valor comercial. 

O manejo exige atenção desde a implantação da lavoura. Como não há defensivo capaz de eliminar o vírus de uma planta já infectada, o foco deve estar na prevenção, na eliminação de fontes de inóculo, no monitoramento de pulgões, na escolha de cultivares com resistência ou tolerância, quando disponíveis, e na combinação de medidas culturais, físicas e químicas.. A identificação correta também evita confundir virose com deficiência nutricional ou outras doenças. 

Ficha rápida 

Característica Resumo 
Agente causal Cucumber mosaic virus (CMV), vírus do gênero Cucumovirus e da família Bromoviridae. 
Hospedeiras Mais de 1.200 espécies em mais de 100 famílias botânicas, incluindo pepino, melão, abobrinha, tomate, pimentão, alface, espinafre e plantas daninhas. 
Transmissão Principalmente por afídeos em transmissão não persistente; também pode ocorrer por contato mecânico com a seiva de plantas infectadas e, em algumas espécies hospedeiras, por sementes. 
Danos Mosaico, clorose, bolhosidade, filimorfismo, nanismo, deformação de frutos e redução da produtividade e da qualidade comercial. 
Manejo Material propagativo sadio, cultivares resistentes ou tolerantes (quando disponíveis), controle de plantas hospedeiras, eliminação de plantas sintomáticas (roguing), barreiras físicas e culturais e manejo integrado de pulgões. 

Principais pontos 

  • O CMV possui ampla gama de hospedeiras e pode permanecer circulando entre culturas, plantas voluntárias e plantas daninhas. 
  • A transmissão por pulgões é não persistente: o inseto pode adquirir e transmitir o vírus em picadas de prova muito rápidas. 
  • A aplicação de inseticida não impede a transmissão inicial, pois o pulgão pode inocular o vírus antes de ser atingido pelo produto. Ainda assim, o manejo do vetor contribui para reduzir a colonização da lavoura e o dano direto. 
  • Mosaico irregular, deformações, filimorfismo e nanismo sugerem virose, mas a confirmação deve considerar o histórico da área, a distribuição dos sintomas na lavoura e o diagnóstico laboratorial, quando necessário. 
  • A prevenção depende de mudas sadias, cultivares resistentes ou tolerantes, quando disponíveis, eliminação de plantas hospedeiras que funcionam como reservatório do vírus, higiene de mãos e ferramentas, coberturas refletivas e monitoramento de pulgões desde o início do ciclo. 
  • Plantas sintomáticas devem ser retiradas e descartadas de forma adequada, evitando que continuem como fonte de vírus para os vetores. 

O que é o CMV (Cucumber mosaic virus) e seu impacto 

Características do vírus 

O CMV pertence ao gênero Cucumovirus, dentro da família Bromoviridae. É um dos vírus de plantas com maior gama de hospedeiras conhecida, com mais de 1.200 espécies em mais de 100 famílias botânicas. 

Essa ampla gama de hospedeiros amplia as possibilidades de sobrevivência do vírus entre safras e dificulta o controle quando a lavoura está próxima de outras áreas cultivadas ou de vegetação espontânea. 

A infecção altera o metabolismo da planta e compromete a fotossíntese, o que reduz a capacidade da planta de produzir e distribuir fotoassimilados.  

O resultado pode aparecer como redução do crescimento, desuniformidade do estande, frutos deformados e menor aproveitamento comercial. A severidade depende da espécie ou cultivar, da idade da planta no momento da infecção, da estirpe viral, da presença de RNA satélite e das condições ambientais. 

Impacto nas culturas 

Em cucurbitáceas, os sintomas podem comprometer folhas, ramas e frutos. Em tomate e pimentão, a infecção precoce tende a afetar o porte e a formação da parte aérea. Em folhosas, a redução do crescimento e a aparência irregular da cabeça ou do maço podem inviabilizar a comercialização.  

Por isso, o manejo deve começar antes do aparecimento dos primeiros sintomas na lavoura. 

A produção de hortifrúti reúne cultivos com ciclos, sistemas de condução e padrões comerciais diferentes. O plano de prevenção deve ser ajustado ao ciclo e ao sistema de condução de cada cultura, mas sempre considerar a presença de fontes de vírus na área e no entorno e o deslocamento de afídeos alados entre áreas vizinhas. 

Sintomas do CMV nas principais culturas afetadas 

Os sintomas variam conforme a cultura, a cultivar e o momento da infecção. A tabela abaixo ajuda a organizar os sinais mais frequentes, mas não substitui a avaliação técnica, pois outras viroses e estresses também podem produzir clorose, mosaico ou deformações. 

Em cucurbitáceas, por exemplo, os sintomas podem ser confundidos com os de potyvírus como o PRSV-W (Papaya ringspot virus, estirpe melancia) e o WMV (Watermelon mosaic virus). 

Cultura Sintomas foliares Impacto nos frutos ou na parte comercial 
Pepino e melão Mosaico verde-claro e verde-escuro, bolhosidade, encrespamento, redução da lâmina e nanismo. Frutos menores, deformados, com superfície irregular, mosqueamento e perda de padrão comercial. 
Abobrinha e abóbora Mosaico, clorose, deformações foliares, redução do crescimento. Ramas menos vigorosas e frutos deformados, menores ou com aparência desuniforme. 
Tomate Mosaico, clorose, redução do porte e filimorfismo (folha em fita ou cordão), sintoma mais característico do CMV na cultura. Frutos menores e deformados, com perda de padrão comercial. 
Pimentão Mosaico, clorose, deformação foliar e, com o envelhecimento da planta, padrões em folha de carvalho e anéis. Frutos menores, deformados ou com descoloração. 
Folhosas Mosaico, clorose, deformação foliar e paralisação do crescimento. Cabeças ou maços com padrão visual inadequado e menor valor de mercado. 

Mosaico, filimorfismo e nanismo 

O mosaico aparece como alternância irregular entre áreas verde-claras, verde-escuras ou amareladas no limbo foliar. Diferentemente de uma clorose nutricional uniforme, o padrão tende a ser assimétrico e pode vir acompanhado de rugosidade, bolhosidade ou encrespamento.  

O filimorfismo , sintoma mais característico do CMV no tomateiro, é uma deformação em que a folha fica estreita e alongada, lembrando uma fita ou um cordão. 

Quatro fotos de tomateiro com folhas deformadas e mosaico, frutos com manchas alaranjadas e deformados e caule com necrose escura

Quando a infecção ocorre no início do desenvolvimento, o nanismo pode ser mais evidente. A planta apresenta crescimento lento, entrenós curtos e menor área foliar. Em frutos, a deformação e a redução do tamanho variam entre espécies e cultivares, por isso a inspeção deve considerar plantas da mesma idade e do mesmo lote de mudas. 

Como diferenciar de deficiência nutricional 

Os sintomas de deficiências nutricionais geralmente apresentam distribuição mais relacionada à idade da folha (folhas velhas ou novas, conforme a mobilidade do nutriente na planta), às nervuras, às bordas ou à disponibilidade do nutriente no solo. J 

á o CMV costuma combinar mosaico irregular com deformação foliar, filimorfismo, bolhosidade ou nanismo. A comparação entre plantas sadias e sintomáticas, o histórico de adubação, a distribuição dos sintomas e a análise laboratorial ajudam a separar as causas. 

Mecanismo de transmissão não persistente: por que inseticidas, isoladamente, não impedem a transmissão do vírus? 

  • O pulgão pode adquirir o CMV durante uma picada de prova e transmiti-lo imediatamente ao testar outra planta. 
  • A morte do inseto após a aplicação não desfaz a infecção que já ocorreu nos segundos anteriores. 
  • O manejo do vetor continua importante, mas deve ser combinado com barreiras físicas e culturais, eliminação de plantas hospedeiras e retirada de plantas infectadas. 

Mecanismo de transmissão e vetor do vírus 

Afídeos e transmissão não persistente 

Os principais vetores são afídeos, ou pulgões. Entre as espécies vetoras mais relevantes estão Aphis gossypii, conhecido como pulgão-do-algodoeiro, e Myzus persicae, o pulgão-verde-do-pessegueiro.  

O vírus fica retido no estilete, parte do aparelho bucal do inseto, por um período curto, sem precisar circular e se multiplicar dentro do vetor. Durante a picada de prova, o pulgão perfura superficialmente as células da epiderme para reconhecer se a planta é hospedeira adequada e, nesse processo, pode adquirir partículas virais. Ao pousar em uma planta sadia, novas picadas de prova podem inocular o vírus nas células da epiderme. 

Essa dinâmica explica por que a transmissão pode ocorrer antes de o inseticida aplicado agir sobre o inseto e por que a proteção precisa reduzir o pouso, eliminar as fontes de vírus e retirar plantas infectadas. 

Transmissão mecânica 

O CMV também pode ser disseminado mecanicamente quando a seiva de uma planta infectada entra em contato com ferimentos em uma planta sadia. Mãos, luvas, tesouras, facas de poda, operações de desbrota e outras práticas que provocam ferimentos podem contribuir, principalmente em sistemas de cultivo que exigem manuseio intenso.   

Além disso, é recomendável trabalhar das áreas sadias para as áreas com plantas suspeitas e desinfetar as ferramentas ao passar de um setor para outro. 

Sementes e fontes de inóculo 

A importância da transmissão por sementes varia de acordo com a espécie hospedeira e o lote de sementes. Essa via não deve ser considerada a principal forma de disseminação em todas as culturas. O risco mais consistente de introdução e disseminação do vírus no campo costuma estar relacionado à presença de plantas infectadas na área ou no entorno e à movimentação de afídeos alados. Ainda assim, o uso de sementes e mudas de origem conhecida, com qualidade sanitária, reduz a possibilidade de introduzir o vírus no sistema. 

Plantas daninhas e voluntárias podem funcionar como pontes verdes, mantendo o vírus na área entre um ciclo e outro. A trapoeraba (Commelina spp.) é citada como reservatório do vírus no Brasil, e espécies como o picão-branco (Galinsoga parviflora) e a serralha (Sonchus spp.) já foram encontradas naturalmente infectadas em outros países. Essas e outras plantas espontâneas devem ser avaliadas como possíveis hospedeiras na propriedade. 

Como a suscetibilidade das plantas daninhas pode variar conforme a espécie e o isolado viral, a identificação deve ser apoiada por diagnóstico e recomendação técnica local. 

Estratégias de manejo integrado do CMV no campo 

Material propagativo e prevenção 

Comece com sementes e mudas de procedência confiável. Separe os lotes de mudas por origem, evite adquirir mudas sem rastreabilidade e inspecione as mudas no viveiro antes do transplante.  

No campo, não misture plantas de diferentes origens sem identificação. A prevenção apresenta resultados mais consistentes quando o material entra na propriedade livre de sintomas e é acompanhado durante as primeiras semanas após o transplante. 

Eliminação de plantas sintomáticas (roguing) e descarte 

Ao identificar plantas com sintomas compatíveis com o CMV, marque o local de ocorrência, reduza o trânsito de pessoas e equipamentos no setor e solicite a avaliação de um profissional habilitado.  

Se a retirada for indicada, envolva a planta em saco plástico antes de arrancá-la, para evitar a dispersão de pulgões, e descarte o material longe da área de cultivo e dos reservatórios e canais de irrigação.  

Não deixe plantas arrancadas ou restos de plantas doentes nas bordaduras, pois elas continuam fornecendo vírus aos pulgões que visitarem a lavoura. 

Controle de plantas hospedeiras 

Mantenha as bordaduras, carreadores, canais de irrigação e áreas em pousio livres de plantas daninhas que possam abrigar vírus e afídeos. O controle deve ser contínuo, pois a vegetação espontânea pode se recompor rapidamente. Também elimine plantas voluntárias de cultivos anteriores e evite instalar lavouras novas próximas a lavouras velhas, sobretudo no sentido do vento predominante, sem uma faixa de proteção e monitoramento. 

Barreiras físicas e culturais 

  A cobertura do solo com filme plástico prateado ou refletivo (mulching) pode dificultar o pouso de afídeos alados, especialmente durante a fase inicial da cultura, quando as plantas ainda deixam grande parte da superfície do solo exposta.   

Telas antiafídeo são úteis em estufas e viveiros de mudas quando corretamente instaladas, sem frestas, e mantidas íntegras durante o ciclo. Barreiras vivas com milho ou sorgo nas bordaduras podem retardar as infecções iniciais: ao realizar picadas de prova nessas plantas, que não são hospedeiras do CMV, o afídeo tende a perder as partículas virais retidas no estilete antes de alcançar a cultura. Ainda assim, as barreiras não substituem o controle das fontes de vírus. 

O desempenho das barreiras depende da instalação antes do período de maior chegada dos vetores, da cobertura adequada do solo e da manutenção durante o ciclo.  

Avalie também a temperatura do solo sob a cobertura, a disponibilidade de água para irrigação, o custo, a logística de instalação e a compatibilidade com o sistema de cultivo. 

Óleo mineral e manejo de afídeos 

Óleos minerais podem interferir na aquisição e na inoculação de vírus não persistentes possivelmente por interferir na retenção das partículas virais no estilete do afídeo, mecanismo ainda não totalmente esclarecido.  

O uso deve seguir o registro no Agrofit (Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários), o rótulo, a bula e a orientação agronômica, a concentração da calda, a compatibilidade com outros produtos, o intervalo entre aplicações e as condições climáticas no momento da aplicação influenciam o resultado e o risco de fitotoxicidade. 

O monitoramento de afídeos deve combinar a inspeção da face inferior das folhas, a observação das brotações novas, o uso de armadilhas amarelas (adesivas ou de bandeja com água) e o registro da chegada de indivíduos alados.  

Quando houver necessidade de inseticidas, priorize produtos seletivos para preservar inimigos naturais, como joaninhas, crisopídeos e parasitoides, e faça rotação de mecanismos de ação conforme a classificação do IRAC (Insecticide Resistance Action Committee)  

O objetivo do controle químico é reduzir a população de pulgões e o dano direto causado pela sucção de seiva, considerando que o inseticida não impede a transmissão inicial do CMV.   

O conteúdo do Mais Agro sobre pragas do hortifrúti reforça a importância do monitoramento e da identificação correta dos insetos. Para decisões de uso de produtos, consulte sempre a bula atualizada e a recomendação de profissional habilitado. 

Higiene e organização do trabalho 

  • Começar o manejo pelas áreas sadias e deixar as áreas suspeitas para o final. 
  • Evitar tocar plantas sadias depois de manipular plantas com sintomas sem antes lavar as mãos ou trocar as luvas. 
  • Limpar e desinfetar as ferramentas com detergente e solução de hipoclorito de sódio sempre que houver contato com seiva ou tecido suspeito. 
  • Reduzir operações que causem ferimentos quando a presença do vírus estiver sendo investigada. 
  • Registrar o lote de mudas, a data de plantio, a localização das plantas com sintomas e as ações realizadas para apoiar a rastreabilidade. 

Diagnóstico e tomada de decisão 

Sintomas visuais são importantes para a triagem, mas não identificam sozinhos qual vírus está presente. Em áreas com sintomas atípicos, alta incidência ou impacto comercial relevante, envie amostras para diagnóstico laboratorial, por testes sorológicos, como ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay), ou moleculares, como RT-PCR (reação em cadeia da polimerase com transcrição reversa). 

A confirmação ajuda a separar CMV de outras viroses, doenças bacterianas, distúrbios nutricionais e danos de herbicidas. 

A Embrapa Hortaliças reúne publicações técnicas e informações de apoio à produção de hortaliças. Use publicações técnicas específicas para cada cultura, os registros oficiais de produtos e a assistência técnica local para adaptar o programa de manejo à cultura, à região e ao sistema de cultivo. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo. 

Perguntas Frequentes 

1. Existe cura para plantas infectadas pelo CMV? 

Não. Não há defensivo capaz de eliminar o vírus de uma planta infectada. O manejo é preventivo e inclui retirada rápida de plantas doentes para reduzir a fonte de inóculo. 

2. Por que o inseticida nem sempre evita a transmissão? 

Porque o CMV é transmitido de forma não persistente. O pulgão pode adquirir e transmitir o vírus em picadas de prova muito rápidas, antes de ser afetado pelo produto. 

3. Quais são os principais vetores do CMV? 

Afídeos, com destaque para Aphis gossypii e Myzus persicae. A composição das espécies de afídeos presentes na lavoura pode variar conforme a cultura e a região. 

4. Quais plantas daninhas podem abrigar o vírus? 

A trapoeraba é citada como reservatório do vírus no Brasil, e espécies como picão-branco e serralha já foram encontradas naturalmente infectadas em outros países. 

5. Como a cobertura plástica prateada (mulching) ajuda no manejo? 

A superfície refletiva dificulta a orientação e o pouso de afídeos alados na fase inicial da cultura, enquanto a superfície do solo ainda está exposta, reduzindo as oportunidades de transmissão. Os resultados são mais consistentes quando a prática integra um programa de manejo. 

6. O CMV pode passar pelas mãos e ferramentas? 

Sim. A seiva de plantas infectadas pode transmitir o vírus mecanicamente. Lavagem das mãos, troca de luvas e outros EPIs, fluxo de trabalho das áreas sadias para as suspeitas e desinfecção de ferramentas reduzem esse risco. 

7. Quais culturas são afetadas pelo CMV? 

Pepino, melão, abobrinha, tomate, pimentão, alface, espinafre e muitas outras espécies podem ser afetadas, devido à ampla gama de hospedeiras do vírus. 

8. Como diferenciar CMV de deficiência nutricional? 

O CMV tende a combinar mosaico irregular com deformações, filimorfismo ou nanismo. Deficiências costumam seguir padrões ligados à idade da folha, nervuras ou bordas. A confirmação pode exigir análise laboratorial..