O pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) é uma das pragas mais comuns e desafiadoras encontradas nas lavouras de algodão. Apesar do tamanho, o inseto possui um grande potencial destrutivo, impactando significativamente a produtividade e a qualidade da fibra. Compreender sua biologia, os danos que causa e as estratégias de manejo é essencial para proteger a cultura e garantir uma colheita rentável.
Neste guia completo, exploraremos em detalhes o universo do pulgão-do-algodoeiro, desde suas características e ciclo de vida até as técnicas mais eficazes para o seu controle. Acompanhe a leitura.
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Características do pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii)
O pulgão-do-algodoeiro (Aphis gossypii) é um inseto polífago, capaz de se alimentar de uma vasta gama de plantas hospedeiras. Apresenta grande variabilidade de cor, podendo ser encontrado em tons de amarelo, verde e até preto. Essa variabilidade dificulta a identificação precisa, exigindo atenção redobrada dos produtores e técnicos. Os pulgões são pequenos, medindo cerca de 1 a 2 mm de comprimento, e possuem um corpo mole e oval.

A reprodução do pulgão-do-algodoeiro é assexuada (partenogênese) em grande parte do ciclo, o que permite uma rápida multiplicação da população. As fêmeas dão origem a outras fêmeas, sem necessidade de acasalamento, acelerando a infestação nas lavouras.
Em condições ambientais desfavoráveis, como temperaturas extremas ou escassez de alimento, podem surgir formas aladas, que facilitam a dispersão da praga para outras áreas.
Ciclo de vida do pulgão-do-algodoeiro
O ciclo de vida do pulgão-do-algodoeiro é relativamente curto e influenciado pelas condições ambientais, especialmente a temperatura. Em climas favoráveis, o ciclo pode ser completado de 7 a 10 dias, permitindo um rápido aumento populacional. A fêmea partenogenética dá origem a ninfas, que passam por diversas mudas até atingirem a fase adulta.
As ninfas se alimentam da seiva da planta, causando danos diretos e indiretos. A alta taxa de reprodução e o curto ciclo de vida tornam o pulgão-do-algodoeiro uma praga de difícil controle, exigindo estratégias de manejo eficientes e contínuas.
Principais culturas afetadas pelo Aphis gossypii
Embora seja conhecido como pulgão-do-algodoeiro, o Aphis gossypii ataca uma ampla variedade de culturas, tornando-se uma praga polífaga de grande importância econômica. Além do algodão, o pulgão pode ser encontrado em diversas hortaliças, frutíferas e plantas ornamentais. Sua capacidade de se adaptar a diferentes hospedeiros contribui para a sua disseminação e persistência nas áreas agrícolas.
Entre as culturas mais afetadas, destacam-se:
- Algodão: principal hospedeiro, onde causa danos significativos na fase inicial de desenvolvimento.
- Melão e melancia: o ataque do pulgão pode prejudicar o desenvolvimento dos frutos, reduzindo a qualidade e a produtividade.
- Pepino e abóbora: a infestação pode causar deformação das folhas e redução do vigor das plantas.
- Tomate e pimentão: o ataque pode causar deformação dos frutos e reduzir a produção.
A diversidade de hospedeiros dificulta o controle do pulgão, pois ele pode se refugiar em outras culturas ou plantas daninhas do algodoeiro durante os períodos de entressafra.

Danos causados pelo Aphis gossypii
O pulgão-do-algodoeiro causa danos diretos e indiretos às plantas, impactando significativamente a produtividade e a qualidade da produção.
Os danos diretos são causados pela sucção da seiva, que debilita as plantas, prejudica o crescimento e causa deformação das folhas.
Os danos indiretos são causados pela transmissão de vírus e pela produção de “honeydew”, uma substância pegajosa excretada pelos pulgões que cobre as folhas e dificulta a fotossíntese.
Os principais danos causados pelo pulgão-do-algodoeiro incluem:
- Redução do vigor das plantas: a sucção da seiva causa um enfraquecimento geral da planta, tornando-a mais suscetível a outras pragas e doenças.
- Deformação das folhas: o ataque do pulgão pode causar o enrolamento e a deformação das folhas, prejudicando a fotossíntese e o desenvolvimento da planta.
- Transmissão de vírus: o pulgão-do-algodoeiro é vetor do Cotton leafroll dwarf virus (CLRDV), agente da “doença azul”.
- Produção de fumagina: a excreção de substâncias açucaradas pelos pulgões favorece o desenvolvimento de fungos que formam uma camada preta sobre as folhas, a chamada “fumagina”. A fumagina no algodoeiro dificulta a fotossíntese, reduzindo a capacidade da planta de produzir energia.
- Redução da produtividade: os danos causados pelo pulgão-do-algodoeiro podem levar a uma redução significativa da produtividade, com perdas que podem variar de 10% a 50%, dependendo da intensidade da infestação e das condições ambientais.
O monitoramento constante e a identificação precoce da infestação são fundamentais para evitar os danos causados pelo pulgão-do-algodoeiro. O controle deve ser realizado de forma integrada, utilizando diferentes estratégias para minimizar os impactos negativos na lavoura e no ambiente de cultivo.
Técnicas de manejo para controle do pulgão-do-algodoeiro
O manejo do pulgão-do-algodoeiro exige uma abordagem integrada, que combine diferentes estratégias para reduzir a infestação e minimizar os danos à lavoura.
O monitoramento constante da lavoura é fundamental para identificar a presença do pulgão e avaliar a intensidade da infestação. A ação deve ser realizada semanalmente, verificando a presença de pulgões nas folhas, brotos e ramos das plantas.
Controle biológico
O controle biológico consiste no uso de inimigos naturais do pulgão, como predadores (joaninhas, crisopídeos e sírfidos) e parasitoides (vespas Aphidiidae), para reduzir a população da praga.
Esse tipo de controle pode ser realizado de forma natural (através da conservação dos inimigos naturais presentes na área), ou de forma aplicada, através da liberação de inimigos naturais criados em laboratório.
Controle cultural
As práticas culturais podem contribuir para reduzir a infestação do pulgão.
- Rotação de culturas: dificulta a sobrevivência do pulgão, pois ele não encontra seu hospedeiro preferido na área.
- Uso de variedades resistentes: reduz a suscetibilidade da planta ao ataque da praga.
- Eliminação de plantas daninhas: remove os hospedeiros alternativos do pulgão.
- Adubação equilibrada: fortalece a planta, tornando-a mais resistente ao ataque da praga.
Controle químico
O controle químico consiste no uso de inseticidas para eliminar o pulgão.
A escolha do inseticida deve ser baseada na identificação da espécie de pulgão presente na área e na avaliação da resistência da praga aos diferentes produtos. Já a aplicação do inseticida deve ser realizada de acordo com as recomendações do fabricante, respeitando as doses e os intervalos de segurança.
A Syngenta possui um portfólio de produtos completo para manejo e controle de pragas do algodão, como o Aphis gossypii.
A chave para o sucesso no controle do pulgão-do-algodoeiro é a adoção de uma abordagem preventiva, que inclua o monitoramento constante da lavoura, a implementação de práticas adequadas. Ao adotar essas medidas, você estará protegendo sua lavoura e garantindo a rentabilidade de sua produção.
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