A mancha-olho-de-rã é uma das doenças foliares que mais preocupam sojicultores em regiões do Cerrado e Centro-Oeste, especialmente após o ressurgimento da doença em áreas com cultivares suscetíveis.
Historicamente controlada pelo uso de variedades resistentes, a doença voltou a se destacar com a adoção de cultivares menos tolerantes e a presença de condições climáticas favoráveis. ao desenvolvimento do patógeno. A doença pode causar perdas significativas quando não controlada adequadamente.
Neste conteúdo, serão detalhados os sintomas característicos, o ciclo epidemiológico, as condições que favorecem a doença e as estratégias de manejo integrado.
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Cercospora sojina: identidade do patógeno e evolução da doença no campo
A mancha-olho-de-rã é causada pelo fungo Cercospora sojina, um patógeno especializado que afeta principalmente folhas, hastes e vagens da soja. Historicamente, a doença foi relatada pela primeira vez no Brasil em 1971, no Paraná.
A mancha-olho-de-rã ocorre em todas as regiões produtoras de soja do Brasil, mas sua incidência é mais elevada no Cerrado, especialmente em anos com períodos prolongados de alta umidade.
O desenvolvimento da doença é favorecido por temperaturas entre 25°C e 30°C, alta umidade relativa do ar e períodos prolongados de molhamento foliar.
Como a mancha-olho-de-rã compromete o potencial produtivo da soja
Cercospora sojina penetra nos tecidos foliares, formando lesões circulares com centro cinza-claro a branco e bordas marrom-avermelhadas, lembrando o olho de uma rã. Em condições favoráveis, as lesões coalescem, provocando desfolha precoce e redução da fotossíntese.

A transmissão por sementes infectadas é o principal mecanismo de entrada do patógeno em áreas novas. Grãos colhidos de plantas doentes podem carregar o patógeno e permitir a disseminação da doença em novas áreas.
Em condições de alta pressão e ausência de manejo adequado, as perdas de produtividade podem atingir 20% ou mais, dependendo da suscetibilidade da cultivar e da pressão de inóculo.
Leia mais: Estratégias de controle de doenças em soja: aplicação antecipada de fungicida reforça manejo
Manejo integrado: estratégias para conter a mancha-olho-de-rã
O manejo integrado deve ser baseado em múltiplas estratégias, visando reduzir o inóculo inicial, retardar a evolução da doença e proteger o potencial produtivo da lavoura. Os quatro pilares do manejo são:
Genética a favor do produtor: resistência varietal como barreira sanitária
A escolha de cultivares resistentes é a medida mais recomendável para o controle da mancha-olho-de-rã. O uso de materiais com tolerância ou resistência reconhecida reduz significativamente a pressão da doença e a necessidade de intervenções químicas. A consulta a fontes oficiais de recomendação varietal, como a Embrapa Soja, é fundamental para a escolha adequada.
Tratamento de sementes para redução do inóculo inicial
O tratamento de sementes com fungicidas é fundamental para Proteger a soja em seu período mais vulnerável.
A aplicação on-farm deve seguir rigorosamente as doses recomendadas em bula, respeitando o intervalo de segurança e as orientações técnicas do produto registrado. Já no caso do tratamento de sementes industrial o produtor já recebe as sementes tratadas prontas para o plantio.
Fungicidas pilares do controle químico
O controle químico é indicado em situações de alta pressão da doença, especialmente quando há histórico de cultivares suscetíveis na área. A rotação dos modos de ação é uma prática recomendável para evitar o desenvolvimento de resistência ao longo das safras.
Práticas culturais: aliados no manedo da doença
A rotação de culturas com espécies não hospedeiras, como milho, reduz o inóculo de Cercospora sojina nos talhões.
Ganhos agronômicos e econômicos do manejo integrado da mancha-olho-de-rã
A adoção de estratégias integradas, com ênfase na escolha de cultivares tolerantes ou resistentes, tratamento de sementes e controle químico consciente, contribui para a redução das perdas de produtividade.
Além do impacto direto na produtividade, o manejo corretoda doença contribui para a produção de sementes de alta qualidade, fortalecendo a sustentabilidade do sistema produtivo.
Diretrizes técnicas para o controle da mancha-olho-de-rã
As orientações técnicas consolidadas para o manejo da mancha-olho-de-rã são:
- Priorizar o uso de cultivares tolerantes ou resistentes.
- Realizar tratamento de sementes com fungicidas , seguindo as doses e intervalos de segurança indicados em bula.
- Monitorar a lavoura desde os estádios iniciais, inspecionando folhas inferiores para detecção precoce dos sintomas.
- Aplicar fungicidas , alternando os mecanismos de ação dentro do programa de aplicações para evitar resistência.
- Adotar rotação de culturas para reduzir o inóculo nos talhões.
Produtividade protegida: o papel do manejo assertivo e da informação qualificada
A mancha-olho-de-rã representa um desafio crescente para a sojicultura brasileira, especialmente em regiões com cultivares suscetíveis. A escolha de cultivares tolerantes ou resistentes, tratamento de sementes, monitoramento e controle químico são essenciais para o manejo consistente e economicamente sustentável da doneça;
É a diversificação das estratégias de manejo que entrega mais proteção ao longo das safras.
A atualização contínua sobre novas cultivares , fungicidas e recomendações técnicas da Embrapa Soja e do MAPA é o que faz a diferença no manejo da mancha-olho-de-rã.
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