A Phytophthora está entre as doenças de solo mais preocupantes para a cultura da soja, especialmente em áreas com excesso de umidade e drenagem deficiente. Como esse patógeno pode sobreviver no solo por muitos anos e se disseminar rapidamente em condições favoráveis, o problema exige atenção do produtor desde o planejamento da lavoura até o manejo do solo ao longo da safra.
Neste conteúdo, você vai entender o que é a fitóftora na soja, quais condições favorecem a doença, como reconhecer seus principais sintomas e quais práticas ajudam a reduzir o risco em áreas com dificuldade de drenagem.
Leia mais
- Doenças foliares da soja: características, danos e técnicas de manejo indicadas
- Nematoides e doenças de solo: nova molécula viabiliza fim do dueto
- É possível controlar doenças fúngicas na soja com potência?
O que é fitóftora na soja e como a doença se desenvolve
A Phytophthora na soja é uma doença que afeta principalmente o sistema radicular e o colo da planta, de alta importância econômica, capaz de causar perdas expressivas de produtividade, principalmente em áreas sujeitas a encharcamento. Seu desenvolvimento está diretamente relacionado às condições de umidade do solo, o que torna o problema mais frequente em lavouras com drenagem deficiente.
Diferentemente de muitos fungos de solo, o agente causal da fitóftora pertence ao grupo dos oomicetos. Essa característica é i é importante porque os oomicetos possuem parede celular com celulose (diferente dos fungos verdadeiros) e são sensíveis a fungicidas específicos como metalaxil e mefenoxam, influenciando diretamente as estratégias de manejo químico adotadas no campo.
O patógeno Phytophthora sojae
A podridão radicular por Phytophthora é causada por Phytophthora sojae, um patógeno de solo que produz estruturas de resistência chamadas oósporos. Esses oósporos podem permanecer viáveis no solo por vários anos, mesmo na ausência da cultura da soja, aguardando condições favoráveis para iniciar um novo ciclo de infecção.
Quando há excesso de umidade no solo e temperaturas entre 15-25°C, os oósporos germinam e liberam zoósporos, que são estruturas móveis capazes de se deslocar na água presente nos poros do solo em direção às raízes por quimiotaxia. Ao encontrar as raízes, os zoósporos se encistam, germinam e penetram no tecido radicular, iniciando a infecção. Essa mobilidade e atração específica pelas raízes explicam por que áreas encharcadas são tão favoráveis à doença.
Veja também: Produtos biológicos no controle de doenças na soja: vale a pena?
Condições ambientais que favorecem a doença
O principal fator que favorece a Phytophthora é o excesso de umidade no solo. Chuvas intensas, encharcamento, drenagem deficiente e baixa infiltração de água criam o ambiente ideal para a movimentação dos zoósporos e a infecção das raízes.
Além disso, temperaturas entre 24 e 28°C são ótimas para a atividade do patógeno, com desenvolvimento reduzido acima de 30°C. Solos com pH entre 6,0 e 7,5 também favorecem o desenvolvimento do patógeno. Solos compactados, com baixa aeração e histórico de retenção excessiva de água, também aumentam o risco de ocorrência da doença ao longo da safra.
Sintomas da fitóftora na lavoura de soja
Os sintomas da Phytophthora sojae podem aparecer em diferentes fases do desenvolvimento da soja, desde a emergência até estádios vegetativos avançados, sendo mais crítica nas fases iniciais de desenvolvimento (emergência a V4). A intensidade dos danos depende do nível de infestação do patógeno no solo, das condições ambientais e da suscetibilidade da cultivar.
Em geral, a doença tende a se manifestar em reboleiras ou em áreas mais baixas e mal drenadas da lavoura, o que já serve como um sinal importante para o diagnóstico em campo.
Sintomas nas raízes
Os primeiros sintomas da podridão radicular se desenvolvem no sistema radicular. As raízes atacadas apresentam podridão, escurecimento e perda de integridade dos tecidos. Em situações mais avançadas, o córtex pode se desprender com facilidade, revelando tecidos internos necrosados.
Esse comprometimento reduz a capacidade da planta de absorver água e nutrientes, o que prejudica diretamente seu crescimento e favorece o aparecimento dos sintomas na parte aérea.
Sintomas na parte aérea das plantas
Na parte aérea, os sintomas podem variar conforme o estágio em que a infecção ocorre. Em plantas jovens, Phytophthora spp. pode causar tombamento, falhas no estande e morte precoce. Em plantas mais desenvolvidas, os sinais mais comuns são amarelecimento, murcha e morte progressiva.
Outro sintoma importante é a presença de lesões escuras na base do caule e no colo da planta, que podem progredir tanto ascendentemente em direção à parte aérea quanto descendentemente para o sistema radicular. Em muitos casos, as folhas secam e permanecem presas à planta, indicando o comprometimento do sistema vascular.

Por que áreas com drenagem deficiente favorecem a fitóftora
A relação entre Phytophthora e drenagem do solo é direta. Em áreas bem drenadas, a incidência da doença tende a ser menor, mesmo quando o patógeno está presente. Já em áreas com dificuldade de infiltração e escoamento da água, as condições são muito mais favoráveis à infecção.
Isso acontece porque o excesso de água não apenas facilita a movimentação dos zoósporos, mas também provoca estresse hídrico e hipóxico nas plantas, reduzindo sua capacidade de defesa e aumentando a suscetibilidade ao ataque do patógeno.
Excesso de umidade no solo
O excesso de umidade é o principal gatilho para o desenvolvimento da podridão radicular por Phytophthora. Em solos saturados, a presença constante de água cria um ambiente ideal para a germinação dos esporângios e a liberação e movimentação dos zoósporos em direção às raízes da soja.
Quanto mais tempo o solo permanece encharcado, maior tende a ser o risco de infecção. Por isso, áreas baixas, talhões com histórico de acúmulo de água e solos com drenagem limitada exigem atenção especial.
Compactação e baixa infiltração de água
A compactação do solo agrava o problema porque reduz a porosidade, dificulta a infiltração de água e compromete a aeração. Com isso, a água tende a se acumular nas camadas superficiais devido à redução da infiltração, criando condições de encharcamento que favorecem o desenvolvimento de patógenos de solo, especialmente fungos causadores de doenças radiculares.
Além disso, solos compactados dificultam o desenvolvimento radicular da soja, deixando a planta mais sensível a doenças. Em áreas com esse histórico, o manejo físico do solo é uma parte importante da estratégia preventiva.
Estratégias de manejo para reduzir a fitóftora na soja
O controle de Phytophthora exige abordagem integrada. Como o patógeno é de solo e pode permanecer viável por vários anos (variando de 2 a 5 anos conforme a espécie e condições ambientais), o manejo precisa considerar cultivar, drenagem, rotação de culturas e melhoria das condições físicas e biológicas da área.
Quanto mais cedo o produtor incorpora essas práticas ao planejamento da lavoura, maior a chance de reduzir perdas e tornar o sistema menos favorável à doença.
Escolha de cultivares resistentes
A escolha de cultivares com resistência é uma das estratégias mais eficientes e econômicas no manejo da Phytophthora. O uso de materiais com genes de resistência ou com melhor comportamento em áreas de risco ajuda a reduzir a intensidade da doença e a proteger o potencial produtivo da lavoura.
Essa decisão deve considerar o histórico da área e a recomendação técnica para a região, já que a eficiência da resistência pode variar conforme as raças fisiológicas do patógeno presente na área.
Manejo do solo e drenagem
Melhorar a drenagem da área é uma medida central no manejo da Phytophthora. Isso pode envolver práticas como descompactação do solo, correção de problemas estruturais, construção de camalhões em áreas críticas e implementação ou melhoria do sistema de drenagem superficial (terraços, canais escoadouros, sistematização do terreno).
O objetivo é reduzir o tempo de permanência da água no solo e melhorar a aeração da zona radicular. Quanto melhor a infiltração e o escoamento, menor o ambiente favorável ao patógeno.
Rotação de culturas
A rotação de culturas contribui para reduzir a pressão de doenças de solo ao interromper a presença contínua do hospedeiro. Embora os oósporos de Phytophthora sojae possam sobreviver por longos períodos, a ausência da soja contribui para a redução gradual da densidade de inóculo no solo e diminui a pressão de seleção sobre o patógeno, resultando em menor impacto da doença ao longo do tempo.
Além disso, a rotação melhora a estrutura do solo e favorece a atividade de microrganismos antagonistas, reduzindo condições favoráveis ao patógeno e contribuindo para um sistema mais equilibrado e resiliente ao ataque de Phytophthora.
Como melhorar o manejo do solo para reduzir doenças radiculares na soja
O manejo do solo é parte fundamental da prevenção de doenças radiculares. Quando a área apresenta boa estrutura, adequada infiltração e drenagem de água, equilíbrio biológico e menor compactação, a soja tende a desenvolver raízes mais vigorosas e menos suscetíveis ao ataque de patógenos radiculares, especialmente fungos de solo como Fusarium, Rhizoctonia e Macrophomina.
Entre as práticas mais importantes estão a manutenção do plantio direto bem estruturado, o aumento da matéria orgânica, a correção da acidez, o manejo do tráfego de máquinas e o uso de plantas de cobertura. Em algumas situações, o uso de bioinsumos também pode contribuir para melhorar o ambiente radicular e a saúde do sistema.
Como tornar áreas com drenagem deficiente menos favoráveis à fitóftora
Reduzir a incidência de Phytophthora, oomiceto causador da podridão radicular na soja, depende de um conjunto de ações voltadas à melhoria do ambiente de solo e à redução da exposição das raízes ao excesso de umidade. Quanto melhor for a drenagem, a estrutura e o equilíbrio do sistema, menor tende a ser a pressão da doença sobre a lavoura.
Esse manejo preventivo é decisivo para proteger a produtividade da soja em áreas mais vulneráveis, e é nesse contexto que a Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário