A presença feminina no agro cresce de forma consistente, impulsionando inovação, eficiência e diversidade no setor. Entenda como as mulheres transformam o setor, os desafios enfrentados e as conquistas que marcam essa evolução.

O agronegócio brasileiro, um dos pilares da nossa economia e um dos setores mais dinâmicos do mundo, está em constante evolução. E, nesse cenário de transformações, um fenômeno cada vez mais visível e impactante é a crescente presença e influência das mulheres no agro. Longe dos papéis tradicionalmente secundários, elas emergem como inovadoras líderes e gestoras, redefinindo o futuro do campo. 

Neste artigo, vamos explorar a trajetória histórica da mulher no agronegócio, apresentar dados que comprovam seu avanço, discutir os desafios que ainda persistem e celebrar as conquistas que marcam essa nova era. 

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O papel crescente das mulheres no agronegócio 

Historicamente, a mulher no agronegócio desempenhava um papel fundamental, mas muitas vezes invisibilizado, atuando nos bastidores da propriedade rural, no cuidado com a família e na gestão doméstica, enquanto a figura masculina era predominantemente associada à tomada de decisões e à liderança no campo. Contudo, essa narrativa tem sido radicalmente reescrita nas últimas décadas, marcando uma transição de coadjuvante para protagonista.  

Hoje, observamos uma profunda reconfiguração que impulsiona a participação feminina no agro em diversas frentes, desde a operação diária nas lavouras e na pecuária até os altos escalões de gestão, pesquisa e inovação. Essa evolução reflete não apenas uma mudança social, mas também uma necessidade do setor em abraçar a diversidade e a inteligência feminina para prosperar.  

A mulher moderna no campo não apenas executa, ela planeja, inova e conduz, integrando novas tecnologias e práticas de manejo que elevam a produtividade e a sustentabilidade das operações agrícolas. 

Mulher trabalhando em campo de cultivo ao pôr do sol, ajustando sistema de irrigação entre plantas verdes. 

Dados sobre a participação feminina no agro brasileiro 

Segundo dados do relatório “Mulheres no Agronegócio”, elaborado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) entre 2004 e 2015, mesmo com uma redução geral da população ocupada no agronegócio, a participação feminina no setor cresceu de modo consistente: o número de mulheres trabalhando no agro aumentou 8,3%, enquanto o contingente masculino caiu 11,6%. Isso elevou a participação feminina no total de ocupados de 24,1% para 28%

Além desse crescimento relativo, o estudo mostra uma mudança no perfil da força de trabalho feminina no agro: houve aumento da formalização (mais mulheres com carteira assinada), além de crescimento no número de trabalhadoras com ensino médio e superior. Entre 2004 e 2015, a proporção de mulheres com ensino superior atuando no agronegócio dobrou.  

As transformações observadas (crescimento em número, formalização, qualificação e diversificação de funções) configuram um avanço estruturante: a presença feminina no agronegócio deixou de ser marginal ou secundária, ampliando sua relevância e abrindo caminho para maiores profissionalização, equidade de gênero e valorização do trabalho da mulher no campo. 

Duas mulheres e um homem em ambiente agrícola cercado por vegetação, analisando informações em uma prancheta, representando a presença ativa e colaborativa das mulheres no agronegócio. 

Já no segundo trimestre de 2025, a população ocupada (PO) no agronegócio no Brasil atingiu 28,2 milhões de pessoas – o maior valor já registrado desde o início da série histórica. Estudos mais recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) apontam que, nesse universo, a participação feminina cresceu a um ritmo mais acelerado que a masculina: entre 2024 e 2025, o número de trabalhadoras no agro subiu 1,9%, enquanto a ocupação masculina teve um aumento de apenas 0,2%. 

A crescente participação feminina no agronegócio brasileiro reflete não apenas uma mudança de paradigma, mas também o potencial de transformação do setor. 

Áreas em que as mulheres mais se destacam no agronegócio

A presença feminina no agronegócio se expande por um leque diversificado de atuações, demonstrando versatilidade e competência em áreas que demandam tanto conhecimento técnico quanto visão estratégica.  

Uma das frentes mais notáveis é a gestão e a sucessão familiar, em que as mulheres vêm assumindo papéis cruciais na administração das propriedades, na implementação de modelos de negócio mais eficientes e na garantia da continuidade do legado familiar, muitas vezes modernizando práticas e processos. 

Na área de pesquisa e desenvolvimento (P&D), agrônomas, engenheiras de alimentos e biotecnólogas contribuem para a inovação em sementes, defensivos, nutrição animal e técnicas de cultivo sustentáveis, impulsionando o avanço científico do setor. 

sustentabilidade e o ESG (Environmental, Social, and Governance) tornaram-se pilares essenciais e muitas mulheres estão à frente de iniciativas que promovem práticas mais responsáveis, certificações ambientais e programas de responsabilidade social, integrando os princípios de ESG no agro. 

Mulher e homem em campo de vegetação alta ao entardecer, um segurando um notebook e a outra apontando para o horizonte. 

No campo da tecnologia e agricultura digital, elas lideram startups e projetos que aplicam inteligência artificial, IoT e big data para otimizar a produção, monitorar lavouras e gado e aumentar a eficiência operacional, tornando o campo mais conectado e inteligente. 

No cooperativismo e associativismo, a liderança feminina no campo é vital para fortalecer as comunidades rurais, promover o intercâmbio de conhecimento e gerar valor coletivo, evidenciando o poder da união e da organização.  

Por fim, em finanças, comercialização e exportação, as mulheres demonstram habilidade em negociação, análise de mercado e estratégias de internacionalização, abrindo novos horizontes para os produtos agrícolas brasileiros no cenário global. 

Produtoras trabalhando em estufa agrícola, analisando a qualidade de hortaliças com uso de prancheta. 

Desafios enfrentados pelas mulheres no agro 

As mulheres têm desempenhado um papel essencial no agronegócio mundial, com uma participação significativa na produção agrícola. No entanto, apesar das contribuições notáveis, elas enfrentam uma série de desafios que limitam seu pleno desenvolvimento e valorização no setor.  

Levantamentos da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) aponta que, embora as mulheres componham cerca de 43% da força de trabalho agrícola global, sua participação está longe de ser equitativa em relação aos homens. Muitos fatores sociais, econômicos e culturais ainda impõem barreiras significativas para o avanço e o reconhecimento das mulheres no campo. 

Entre os principais desafios enfrentados pelas mulheres no agro, destacam-se: 

  • Sub-representação em cargos de liderança: embora as mulheres ocupem uma parcela importante da força de trabalho agrícola, elas ainda estão sub-representadas em posições de decisão e liderança no setor.
  • Desigualdade salarial: as mulheres frequentemente recebem menos que os homens, mesmo quando desempenham as mesmas funções agrícolas, refletindo uma disparidade salarial de gênero persistente. 
  • Trabalho informal e sazonal: a maioria das mulheres no campo está envolvida em atividades informais, temporárias ou sazonais, o que resulta em uma falta de estabilidade e benefícios trabalhistas. 
  • Carga de trabalho dupla: além das tarefas agrícolas, as mulheres acumulam responsabilidades domésticas, como o cuidado com a família, o preparo de alimentos e a coleta de recursos (como água e lenha), o que aumenta consideravelmente sua carga de trabalho. 
  • Acesso limitado a recursos: as mulheres enfrentam barreiras significativas para acessar recursos essenciais, como terra, crédito, insumos e tecnologias, o que limita seu potencial produtivo e seu crescimento no setor. 
  • Visibilidade limitada no mercado e nos dados: o trabalho das mulheres no agro muitas vezes não é devidamente reconhecido nas estatísticas e nas políticas públicas, tornando difícil quantificar sua contribuição real e implementar ações específicas para apoiá-las. 

Apesar dos avanços, os desafios enfrentados pelas mulheres no agronegócio continuam a ser profundos e multifacetados. Superar essas barreiras exige uma mudança estrutural que envolva políticas públicas inclusivas, a promoção de uma igualdade de gênero real e o reconhecimento do trabalho feminino no campo, de forma a garantir que as mulheres possam continuar a contribuir para um agro mais produtivo, sustentável e justo. 

Mulher agachada em campo agrícola verdejante, utilizando tablet para monitorar as plantações enquanto o sistema de irrigação está em funcionamento. 

Conquistas e avanços recentes 

O cenário do agronegócio brasileiro tem sido palco de inúmeras conquistas e avanços que celebram a crescente liderança feminina no agronegócio, transformando desafios em oportunidades e consolidando a presença das mulheres como agentes de mudança. Exemplos notáveis de iniciativas, programas e movimentos têm florescido, impulsionando a equidade e o reconhecimento. 

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) 

Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) tem se consolidado como o principal encontro de mulheres do setor no Brasil e América Latina, reunindo produtoras, pesquisadoras, gestoras e profissionais de diferentes elos do agronegócio, funcionando como espaço de debate, networking, capacitação e visibilidade feminina no campo. 

Homenagens no Expocafé 2025 

O reconhecimento feminino alcança também a cafeicultura: na recente edição da Expocafé 2025, foram entregues troféus de destaque a mulheres com atuação significativa no campo, como o Troféu Mulher Inspiração da Cafeicultura do Brasil e o Agro Mulher Brasil, que demonstram que o protagonismo feminino está cada vez mais visível e valorizado também em cadeias específicas como a do café.  

O reconhecimento institucional, os prêmios, os espaços de networking e o fortalecimento da visibilidade feminina mostram que a equidade de gênero está ganhando espaço e relevância no agronegócio brasileiro. Isso contribui para um ambiente mais inclusivo, diverso e inovador. 

Por que a diversidade de gênero fortalece o agronegócio? 

A inclusão e a valorização da diversidade no agro, especialmente a de gênero, transcendem a mera justiça social, configurando-se como um pilar estratégico que fortalece o agronegócio em múltiplos aspectos, desde a inovação até a resiliência operacional. 

Pessoas em campo cultivado, uma agachada observando as plantas e outra com laptop registrando dados.

No relatório “Diversity Wins: How Inclusion Matters” (2020), a McKinsey constatou que empresas que estão no quartil superior de diversidade de gênero em suas equipes executivas têm 25% mais probabilidade de apresentar rentabilidade acima da média, em comparação às empresas no quartil inferior. 

Além de rentabilidade, muitas dessas análises destacam que a diversidade de gênero (e a diversidade de perfil em geral) favorece tomadas de decisão mais robustas, diferentes perspectivas estratégicas e maior capacidade de inovação — fatores que ajudam empresas a se adaptar, inovar e competir em ambientes dinâmicos. 

No contexto do campo, isso se traduz em abordagens mais completas e criativas para desafios complexos. A perspectiva feminina complementa e enriquece a visão tradicional, resultando em estratégias mais equilibradas e resilientes. 

Mulher em campo de milho, vestindo jaleco branco e segurando tablet enquanto examina espiga parcialmente descascada. 

A liderança feminina no campo tende a promover uma gestão mais humanizada, com maior atenção às equipes, ao bem-estar social e às relações comunitárias, elementos cruciais para a retenção de talentos e a construção de um ambiente de trabalho positivo.  

Além disso, a presença de mulheres em todos os níveis do agronegócio impulsiona a adoção de práticas de ESG no agro, uma vez que elas frequentemente demonstram maior atenção para questões ambientais, sociais e de governança, o que agrega valor à marca e atrai investimentos de fundos que priorizam esses critérios.  

Essa pluralidade de ideias e experiências também abre portas para novos mercados, novas soluções tecnológicas e para uma comunicação mais eficaz com diferentes públicos, consolidando a imagem de um agronegócio moderno, inovador e socialmente responsável. 

Como incentivar e ampliar a participação feminina no agro? 

Para consolidar e expandir a participação feminina no agronegócio, é necessário adotar estratégias que abrangem desde o incentivo inicial até o apoio contínuo à ascensão profissional e à liderança feminina no setor. 

  • Capacitação e mentoria: criar programas de treinamento e mentoria voltados para mulheres, oferecendo cursos técnicos, de gestão e empreendedorismo, que as preparem para os desafios do setor e as conectem com profissionais experientes.
  • Acesso a crédito e recursos financeiros: disponibilizar linhas de crédito e fomento específicas para mulheres empreendedoras rurais, reconhecendo suas necessidades e garantindo que tenham ferramentas para investir e expandir seus negócios. 
  • Redes de apoio e associativismo: fomentar a criação de cooperativas e grupos de mulheres no agro, oferecendo espaços de troca de experiências, networking e fortalecimento mútuo. 
  • Políticas de sucessão familiar: revisar e ajustar as políticas de sucessão familiar para garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens para assumir a gestão da propriedade rural, derrubando barreiras culturais. 
  • Promoção de modelos de liderança feminina: visibilizar casos de sucesso e criar eventos que destaquem histórias inspiradoras de mulheres no agro, motivando outras a seguir o mesmo caminho. 
  • Cultura organizacional e equidade: trabalhar dentro das empresas e instituições do agro para combater preconceitos, promover a equidade salarial e garantir ambientes de trabalho inclusivos e respeitosos, alinhados aos princípios de ESG. 

A combinação dessas ações ajudará a transformar o agronegócio em um espaço mais diverso e justo, onde as mulheres podem participar, liderar e transformar o setor de maneira significativa. 

A crescente participação feminina no agronegócio reflete não apenas uma mudança social, mas também uma força transformadora para o setor. Apesar dos desafios persistentes, como desigualdade salarial e falta de acesso a recursos, as mulheres têm se destacado em áreas-chave, como gestão, sustentabilidade e inovação

Silhueta de homem e mulher apertando as mãos no campo ao entardecer. 

A implementação de ações estratégicas, como capacitação, acesso a crédito e políticas de sucessão familiar, é essencial para consolidar esse avanço. Com o fortalecimento do protagonismo feminino, o agronegócio brasileiro se torna mais inclusivo, inovador e resiliente, apontando para um futuro mais próspero e justo. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.  

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