O conceito de ESG (Ambiental, Social e Governança) vem ganhando destaque como critério essencial para avaliar o desempenho das empresas para além dos aspectos financeiros. 

No agronegócio, o ESG tem papel estratégico, uma vez que o setor lida diretamente com recursos naturais, comunidades rurais e complexas cadeias produtivas, tornando-se um ator fundamental na sustentabilidade global. 

Neste conteúdo, conheça os pilares do ESG no agro, práticas que transformam o campo, os desafios enfrentados na implementação, maneiras de monitorar o desempenho e as oportunidades estratégicas para o setor. 

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O que é ESG? 

ESG é a abreviação para Environmental, Social and Governance, ou, em português, Ambiental, Social e Governança. Este conceito surgiu como um critério fundamental para analisar o desempenho de empresas, não apenas sob a ótica financeira, mas também em relação ao seu impacto no meio ambiente, na sociedade e na qualidade de sua gestão 

A sigla ganhou força e foi oficializada em 20045, com o relatório Who Cares Wins (Ganha Quem se Importa), uma iniciativa da Organização das Nações Unidas (ONU), que destacou a correlação entre boas práticas de sustentabilidade e desempenho financeiro.  

De forma objetiva, o ESG pode ser entendido como um conjunto de fatores não-financeiros que investidores e stakeholders utilizam para avaliar o compromisso de uma organização com a sustentabilidade e a responsabilidade social. Ele transcende a mera filantropia ou o cumprimento legal, propondo uma integração profunda desses princípios na estratégia e nas operações do negócio.  

No contexto do agronegócio, os pilares do ESG se tornam ainda mais relevantes, dadas as interações diretas e intensas do setor com os recursos naturais, comunidades rurais e cadeias de produção complexas.  

Como o ESG se aplica no agronegócio brasileiro? 

 O agronegócio brasileiro é um gigante global, com papel crucial na economia e na segurança alimentar. Em 2024, por exemplo, o PIB do agronegócio brasileiro cresceu 1,81% em 2024, alcançando R$ 2,72 trilhões, conforme publicação da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). 

Já no primeiro trimestre de 2025, o PIB do agronegócio avançou 6,49%, projetando perspectiva de alcançar cerca de R$ 3,79 trilhões e participação aproximada de 29,4% do PIB nacional, segundo dados levantados pelo Cepea, Esalq/USP e CNA. 

Diante dessa magnitude, a aplicação do ESG no agronegócio brasileiro não é apenas uma questão de imagem, mas de sustentabilidade operacional, acesso a crédito, mercados internacionais e valorização da marca.

Pessoa usando chapéu e camisa xadrez trabalha em uma plantação de milho verdejante ao pôr do sol, com folhas grandes em primeiro plano.

O Brasil, sendo um dos maiores exportadores de commodities agrícolas, está sob os holofotes, e a adoção de critérios ESG para produtores e empresas do agro é fundamental para manter e expandir sua competitividade. 

Empresas e produtores que integram esses princípios diferenciam-se, atraem investimentos e garantem a perenidade de seus negócios. Ignorar o ESG pode limitar o crescimento e fazer o país perder oportunidades estratégicas de desenvolvimento.  

Quais são os 3 Pilares de ESG no agro? Práticas que transformam o campo

Os três pilares do ESG (Ambiental, Social e Governança) fornecem uma estrutura robusta para que o agronegócio avalie e aprimore suas operações. No contexto rural, cada um desses pilares assume dimensões específicas e impactantes.  

Exemplos de práticas ambientais (E)

O pilar ambiental foca na gestão e na conservação dos recursos naturais, abordando a relação do agronegócio com o planeta. Produzir mais sem aumentar a área cultivada é um dos maiores desafios e uma meta essencial para o ESG no campo. 

  • Agricultura regenerativa e conservação do solo: a adoção de técnicas como plantio direto, rotação de culturas e uso de plantas de cobertura, que melhoram a saúde do solo, reduzem a erosão e sequestram carbono. Segundo a Embrapa, sistemas integrados (ILPF) recuperam pastagens e aumentam a resiliência.
  • Manejo hídrico eficiente: envolve uso racional da água com irrigação de precisão, captação da chuva e monitoramento do consumo, otimizando o recurso em regiões com escassez hídrica.
  • Redução de emissões e energia limpa: está relacionado ao investimento em energia renovável (solar, biomassa), uso eficiente de fertilizantes nitrogenados e gestão de resíduos para geração de biogás.
  • Biodiversidade e conservação: preservação de áreas nativas, criação de corredores ecológicos e proteção da fauna e flora, conforme exigido pelo Código Florestal (Lei 12.651/12) sobre APPs e RL.
  • Manejo de resíduos: implementação de sistemas para redução, reuso e reciclagem de resíduos agrícolas, como a logística reversa via inpEV/Sistema Campo Limpo, que atingiu 800 mil t destinadas corretamente (2002–2024/25).  

Produtor analisando a textura e umidade do solo em área agrícola, representando práticas de manejo e conservação do solo.

Exemplos de práticas sociais (S)

O pilar social refere-se à forma como a empresa ou propriedade rural se relaciona com seus colaboradores, fornecedores, clientes e comunidades. O ESG no campo tem um impacto direto na qualidade de vida e no desenvolvimento regional.  

  • Direitos humanos e relações trabalhistas: refere-se à garantia de condições de trabalho seguras e justas, sem trabalho escravo ou infantil, com salários adequados, benefícios e liberdade de associação.
  • Saúde e segurança no trabalho (SST): implementação de programas de prevenção de acidentes, fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e treinamentos constantes para os trabalhadores rurais.
  • Diversidade e inclusão: promoção de um ambiente de trabalho inclusivo, valorizando a diversidade de gênero, raça, idade e habilidades.
  • Desenvolvimento comunitário: investimento em programas sociais, educação, saúde e infraestrutura nas comunidades locais, fortalecendo a relação com o entorno.
  • Relação com fornecedores e clientes: transparência nas cadeias de suprimentos, garantindo que fornecedores também sigam critérios ESG e que os produtos finais sejam seguros e de qualidade.

Agricultores examinando plantação.

Exemplos de governança (G) 

 O pilar de governança foca nos sistemas de liderança, controles internos, auditorias, ética e transparência da empresa ou propriedade. Ele é a espinha dorsal que sustenta os pilares ambiental e social.  

  • Estrutura de gestão e tomada de decisão: definição clara de responsabilidades, funções e processos decisórios, especialmente em empresas familiares do agronegócio, onde a sucessão e a profissionalização são cruciais.
  • Transparência e compliance: adoção de políticas anticorrupção, canais de denúncia, auditorias independentes e o cumprimento rigoroso de todas as leis e regulamentações (tributárias, trabalhistas, ambientais). O agronegócio, com sua complexidade regulatória, exige um sistema de compliance robusto.
  • Gestão de riscos: identificação, avaliação e mitigação de riscos operacionais, financeiros, ambientais e sociais. A governança ambiental rural exige planos de contingência para eventos climáticos extremos ou pragas.
  • Ética e código de conduta: estabelecimento de um código de ética claro e treinamento para todos os colaboradores, promovendo uma cultura de integridade.
  • Relacionamento com stakeholders: diálogo aberto e constante com todas as partes interessadas (colaboradores, investidores, clientes, comunidades, órgãos reguladores).

Produtores rurais em lavoura ao pôr do sol, simbolizando parceria, cooperação e trabalho em equipe no agronegócio.

Brasil é referência no pilar ambiental do ESG  

É fundamental destacar que o Brasil é uma potência mundial em preservação, com mais de 66% de seu território recoberto por vegetação nativa.  

Segundo dados da Embrapa, baseados nas informações do Cadastro Ambiental Rural (CAR), apenas 9% do território nacional é utilizado para a produção de commodities como grãos (incluindo milho, arroz, soja e feijão), fibra (algodão e celulose) e agroenergia (cana-de-açúcar e florestas energéticas).  

Proprietários rurais reservam uma parcela maior de suas terras para a conservação da vegetação nativa em suas fazendas, totalizando 33,220,5% da área do Brasil (um percentual superior à soma de todas as unidades de conservação do país, que representam 13%). 

Essa é uma narrativa poderosa que demonstra o compromisso do setor com o pilar ambiental do ESG, merecendo reconhecimento e valorização. O produtor rural brasileiro é, de fato, um dos protagonistas da preservação da vegetação nativa. 

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Barreiras e desafios na implementação do ESG no agro brasileiro

Apesar da crescente importância da agenda ESG no agronegócio, a implementação efetiva enfrenta diversos obstáculos no contexto brasileiro.

O custo inicial para adotar práticas sustentáveis é elevado, abrangendo investimentos em tecnologia, maquinário e capacitação, enquanto o acesso a crédito “verde” ainda é limitado, particularmente para pequenos e médios produtores.

Além disso, muitos gestores rurais carecem de conhecimento aprofundado sobre ESG, suas ferramentas e indicadores, dificultando a aplicação efetiva dos conceitos – sem contar a resistência cultural dentro do setor.

A burocracia e a complexidade regulatória no Brasil também aumentam a dificuldade de adequação às normas ambientais, trabalhistas e fiscais, exigindo alto esforço para compliance.

Junto a isso, limitações logísticas e de infraestrutura precária em certas regiões (que comprometem a implantação de cadeias sustentáveis e a gestão eficiente de resíduos) e a vulnerabilidade climática do agronegócio brasileiro também impõe riscos.

Superar tais barreiras requer investimento contínuo, capacitação e políticas integradas entre setor público e privado para fortalecer a agenda ESG. 

Como implementar o ESG no agronegócio na prática

A implementação do ESG na propriedade rural não precisa ser um processo avassalador. Pode ser iniciado com passos práticos e um planejamento estruturado.

Profissional analisando grãos em lavoura com tablet nas mãos, representando práticas de ESG no agro voltadas à sustentabilidade, tecnologia e gestão responsável.

1. Diagnóstico inicial e priorização

  • Mapeie as práticas atuais: realize um levantamento das ações já existentes relacionadas a cada pilar (E, S, G) na sua propriedade ou empresa.
  • Identifique gaps e oportunidades: avalie onde há deficiências e onde melhorias podem gerar maior impacto, considerando os critérios ESG para produtores.
  • Defina prioridades: com base no diagnóstico, estabeleça quais ações são mais urgentes e quais trarão o melhor retorno sobre o investimento, tanto financeiro quanto de sustentabilidade.

2. Desenvolvimento de plano de ação e metas

  • Estabeleça metas claras: defina objetivos mensuráveis para cada pilar, por exemplo: “reduzir o consumo de água em 15% até 2025” ou “implementar programa de capacitação para 100% dos colaboradores”.
  • Crie um cronograma: detalhe as etapas, responsáveis e prazos para cada ação.
  • Invista em tecnologia: busque soluções inovadoras, como agricultura de precisão, sistemas de monitoramento remoto e softwares de gestão que otimizem o uso de recursos e simplifiquem o compliance.

3. Capacitação e engajamento

  • Treine a equipe: invista na capacitação de colaboradores sobre as práticas de ESG no agronegócio, segurança no trabalho e o uso de novas tecnologias.
  • Engaje stakeholders: comunique-se com fornecedores, clientes e comunidades para alinhar expectativas e criar parcerias em prol da sustentabilidade.
  • Busque por certificações e selos: considere a obtenção de certificações de sustentabilidade. Elas agregam valor ao produto, abrem portas para mercados exigentes e demonstram compromisso com o ESG no agronegócio.

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Como monitorar o desempenho das ações ESG no campo 

O monitoramento contínuo é fundamental para garantir que as ações ESG estejam gerando os resultados esperados e para permitir ajustes estratégicos. Para começar, é necessário definir indicadores de desempenho por setor.

Por exemplo, no âmbito ambiental, pode-se acompanhar o consumo de água por hectare/tonelada produzida, uso de energia renovável ou área de floresta preservada.

Plataformas de gestão agrícola, sensoriamento remoto, drones e inteligência artificial permitem a coleta e análise de dados de maneira eficiente e precisa, otimizando o controle ambiental e produtivo. 

Já para o pilar social, taxa de acidentes de trabalho, número de horas de treinamento por colaborador e percentual de mulheres/minorias em cargos de liderança são exemplos de indicadores.

Em governança, é possível acompanhar taxa de conformidade com regulamentações, existência de código de ética e participação em conselhos, por exemplo.

É importante elaborar relatórios de sustentabilidade periódicos, que aumentam a transparência, fortalecem a reputação da propriedade e atendem às demandas de investidores e mercados rigorosos. 

Outra prática recomendada é a realização de auditorias externas independentes, que validam as informações e certificam as práticas, conferindo maior credibilidade às ações adotadas. Essas auditorias auxiliam na melhoria contínua das estratégias ambientais, sociais e de governança, além de servir como um diferencial competitivo no mercado.  

Oportunidades e tendências para o ESG no agro

O ESG no agronegócio apresenta oportunidades claras para o futuro, especialmente no acesso a mercados e financiamentos diferenciados. Produtos com certificações de sustentabilidade ganham destaque e preferência globalmente, e o acesso a linhas de crédito “verdes” é facilitado, oferecendo condições mais vantajosas. Essa valorização se traduz em melhores preços para produtores que adotam o ESG, elevando sua competitividade. 

Outro fator estratégico é a atração e retenção de talentos, já que as novas gerações de profissionais priorizam empresas com forte propósito social e compromisso ambiental. Uma performance robusta em ESG aprimora a reputação e a marca da companhia junto a consumidores, investidores e à sociedade em geral. 

Paralelamente, a adoção de práticas sustentáveis gera otimização de custos, por exemplo, pelo uso mais eficiente de água e energia, além de reduzir o desperdício, garantindo maior eficiência operacional no longo prazo.

Trator realizando pulverização em lavoura alinhada, simbolizando o uso de tecnologia e boas práticas agrícolas sustentáveis dentro dos princípios de ESG no agro.

 A inovação tecnológica também está diretamente ligada à agenda ESG, fomentando o avanço da agricultura regenerativa, bioinsumos e tecnologias de precisão, que aumentam a produtividade e a resiliência das culturas.  

Adicionalmente, a gestão integrada de impactos socioambientais reforça a resiliência do negócio, preparando-o para regulamentações mais rígidas, crises e pressão do mercado, o que assegura sua longevidade.  

No futuro, o sucesso do agronegócio dependerá tanto do volume produzido quanto da sustentabilidade e qualidade dos seus processos, indicando uma nova métrica de valor para o setor. 

A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.

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