Ficha rápida: lagarta-rosada do algodão
| Nome científico | Pectinophora gossypiella |
| Classificação | Ordem Lepidoptera, família Gelechiidae |
| Origem | Ásia |
| Estruturas atacadas | Botões florais, flores e maçãs |
| Ciclo completo | Cerca de 30 dias em condições favoráveis |
| Monitoramento | Armadilhas com feromônio sexual e amostragem de maçãs |
| Desafio atual | Preservação da tecnologia Bt por meio do manejo da resistência |
Principais pontos
- O dano da lagarta-rosada é majoritariamente interno: o diagnóstico visual externo é pouco confiável, e abrir a maçã continua sendoo principal método de confirmação.
- Armadilhas de feromônio indicam a presença e a flutuação populacional dos adultos, orientando o momento de intervenção.
- A resistência ao Bt (Bacillus thuringiensis) jjá foi documentada em outros países, como a Índia, e a área de refúgio (20% da área com algodão não Bt) é uma das principais ferramentas para preservar a tecnologia.
- O controle químico funciona melhor combinado com destruição de soqueiras, vazio sanitário e agentes biológicos, como parasitoides de ovos do gênero Trichogramma.
- O que é a lagarta-rosada e por que ela é uma praga crítica do algodão
Entender de onde veio essa praga e como ela se desenvolve dentro da planta é o primeiro passo para dimensionar corretamente o risco que ela representa para o algodoeiro.
Taxonomia, origem e distribuição no Brasil
A lagarta-rosada do algodão pertence à ordem Lepidoptera, família Gelechiidae, e tem como nome científico Pectinophora gossypiella. É originária da Ásia e foi introduzida no Brasil , acompanhando o comércio de algodão em fibra e sementes.
Hoje a praga está presente nas principais regiões produtoras do país.. Por se desenvolver no interior das estruturas reprodutivas, a lagarta-rosada exige monitoramento específico e integração de diferentes ferramentas no manejo integrado de pragas do algodoeiro.
Ciclo de vida e biologia da praga
Entender o ciclo biológico da Pectinophora gossypiella é essencial para qualquer estratégia de monitoramento e controle:
- Ovo: depositado isoladamente ou em pequenos grupos, principalmente sob o cálice de maçãs jovens; no início da safra, também em folhas, ramos e ponteiros.
- Lagarta: passa por quatro ínstares. Permanece no interior da estrutura atacada durante todo o desenvolvimento larval; no último ínstar, perfura a parede da maçã e cai ao solo para empupar ou permanece em diapausa em sementes e restos culturais.
- Pupa: forma-se no solo ou em restos culturais deixados na área.
- Adulto: mariposa de hábito noturno, com voo e oviposição concentrados durante a noite.
O ciclo completo dura cerca de 30 dias em condições favoráveis, o que permite múltiplas gerações dentro de uma mesma safra e explica a rapidez com que a infestação pode escalar em condições favoráveis.
Como identificar a lagarta-rosada na lavoura
O maior desafio no diagnóstico dessa praga é que boa parte do dano acontece dentro da planta, longe da vista. Por isso, reconhecer os sinais externos e saber diferenciar de outras lagartas é fundamental para não perder omomento de controle.
Sintomas externos nas maçãs e botões florais
A identificação da lagarta-rosada é mais difícil do que a de outras pragas do algodoeiro justamente porque boa parte do dano ocorre dentro da estrutura da planta:
- Botões floraise flores: a flor atacada fica ‘rosetada’, com as pétalas unidas por fios de seda que impedem a abertura completa.
- Maçãs verdes: o orifício de entrada é circular, pequeno e quase imperceptível a olho nu.
- Maçãs em início de abertura: apresentam abertura precoce e irregular,com fibra manchada e orifícios de saída da lagarta na parede da maçã.
O diagnóstico mais assertivo continua sendo abrir a maçã manualmente e verificar internamente a presença da lagarta ou de galerias na pluma, sementes danificadas e sementes unidas por fios de seda.

Como diferenciar de outras pragas que atacam maçãs
Para não confundir o diagnóstico em campo, é importante comparar o padrão de dano com o de outras lagartas comuns no algodoeiro:
- Alabama argillacea (curuquerê): ataca principalmente as folhas, sem entrar na maçã.
- Spodoptera frugiperda (lagarta-militar): provoca ataque mais agressivo, com lagarta maior e dano mais visível externamente.
- Chloridea virescens(lagarta-das-maçãs): lagarta maior, que abre orifícios mais largos na maçã e deixa excrementos visíveis do lado de fora.
- Lagarta-rosada: apresenta orifício de entrada discreto, sem excrementos externos, com dano concentrado em câmaras internas.
Uso de armadilhas de feromônio para monitoramento
O monitoramento de pragas com armadilha de feromônio é a principal ferramenta para antecipar a chegada da praga antes que o dano nas maçãs se instale:
- O feromônio sexual da fêmea atrai os machos adultos, permitindo acompanhar a flutuação populacional dos adultos.
- É recomendável instalar armadilhas do tipo funil ou delta antes do florescimento, em densidade definida conforme orientação técnica regional”
- As leituras devem ser periódicas e registradas para acompanhar a flutuação populacional.
- O nível de ação varia conforme a orientação técnica regional; por isso, é fundamental verificar a recomendação local antes de definir o gatilho de intervenção.
Danos causados pela lagarta-rosada e impacto econômico
O prejuízo causado pela lagarta-rosada não se limita à perda direta de fibra: a praga também abre caminho para problemas fitossanitários secundários que agravam ainda mais o resultado da safra.
Dano direto nas maçãs e na fibra
A lagarta se alimenta das sementes dentro da maçã, escavando câmaras entre os lóculos. Esse processo gera três consequências diretas para a produção:
- Fibra manchada: a alimentação da lagarta e a contaminação com excrementos reduzem a classificação comercial da pluma.
- Abertura irregular: maçãs atacadas abrem de forma incompleta, o que compromete a colheita e a qualidade da pluma.
- Perda de rendimento: segundo levantamentos da Embrapa, infestações severas podem resultar em perdas expressivas na produção e na qualidade da pluma, dependendo do momento e da intensidade do ataque.
Dano indireto: abertura precoce e facilitação depatógenos
Além do prejuízo direto, a lagarta-rosada abre portas para problemas fitossanitários adicionais:
- Os orifícios abertos pela lagarta na parede da maçã favorecem a entrada de fungos e bactérias causadores de podridão de maçãs, como Colletotrichum spp. e Fusarium spp., sobretudo em condições de alta umidade.
- Para dimensionar o problema em campo, é recomendável amostrar maçãs jovens em diferentes pontos do talhão e calcular o percentual com dano interno, o que ajuda a orientar a decisão de manejo com base em dados reais da área.
Resistência ao Bt: um risco a ser manejado
A experiência de outros países produtores mostra que a lagarta-rosada é capaz de desenvolver resistência às proteínas Bt, o que torna o manejo da resistência um dos pontos mais importantes da estratégia contra a praga.
Como a resistência se desenvolve
O algodão Bt produz proteínas Cry que matam as lagartas quando ingeridas. O mecanismo por trás disso envolve alterações em receptores intestinais das toxinas, como a caderina, que reduzem a ligação da proteína Cry às células do intestino médio da lagarta.
Sem refúgio adequado, a pressão de seleção contínua favorece o aumento da frequência de indivíduos resistentes ao longo das gerações.
Como o produtor identifica falha de controle por resistência
Alguns sinais de campo ajudam a suspeitar de resistência ao Bt na área:
- Presença de lagartas vivas desenvolvidas dentro de maçãs em lavoura de algodão Bt é o principal indicador de possível falha.
- Danos em maçãs de algodão Bt acima do esperado, confirmados pela amostragem, também indicam necessidade de investigação.
Para confirmar o diagnóstico, é recomendável coletar lagartas e enviá-las para laboratório.
Estratégias de manejo da resistência
O manejo da resistência da lagarta-rosada ao Bt depende de um conjunto coordenado de práticas:
- Área de refúgio: plantar 20% da área com algodão não Bt, a até 800 m da lavoura Bt, mantém uma população suscetível.
- Rotação de inseticidas: organizar as aplicações em janelas, de acordo com o ciclo da praga, alternando os grupos do IRAC (Comitê de Ação à Resistência a Inseticidas) entre janelas.
- Monitoramento contínuo: a combinação de armadilhas de feromônio com avaliação periódica de maçãs é a base de qualquer estratégia de manejo de resistência.
Como montar o programa de controle integrado
Nenhuma ferramenta isolada controla a lagarta-rosada: o manejo integrado combina inseticidascom práticas culturais e biológicas que atuam em diferentes momentos do ciclo da praga.
Inseticidas químicos: grupos e momento de aplicação
O controle químico da lagarta-rosada do algodão deve considerar tanto espectro de controle sobre o alvo quanto a rotação de mecanismos de ação:
- Diamidas (grupo 28 do IRAC): atuam sobre as lagartas e apresentam seletividade a diversos inimigos naturais, conforme registro e bula.
- Piretroides (grupo 3A do IRAC): atuam principalmente sobre adultos e lagartas recém-eclodidas, antes da penetração nas estruturas, e devem ser usados em esquema de rotação.
- Organofosforados(grupo 1B do IRAC): opção para rotação de modos de ação, respeitando o estágio da lavoura e as indicações de bula.
Antes de qualquer aplicação, é fundamental verificar no Agrofit os produtos registrados para o alvo na cultura do algodão.
O momento de aplicação é decisivo: o posicionamento deve considerar o aumento das capturas nas armadilhas e a amostragem de maçãs, com foco em adultos e lagartas recém-eclodidas, já que a lagarta penetra na estrutura poucas horas após a eclosão.
Manejo cultural e integração com biológicos
O controle químicoentrega resultados mais consistentes quando combinado com práticas culturais e biológicas:
- A destruição de soqueiras logo após a colheita reduz a população de lagartas em diapausa em maçãs remanescentes, sementes e restos culturais.
- Vazio sanitário, definido por normas estaduais nas principais regiões produtoras, reduz a população da praga entre safras.
- Parasitoides de ovos, como Trichogramma spp., atuam antes da eclosão e da penetração da lagarta nas estruturas; é recomendável verificar os registros disponíveis no Agrofit.
A integração entre monitoramento com feromônio, amostragem de maçãs, refúgio, rotação de modos de ação e práticas culturais forma a base de um programa de controle integrado contra a lagarta-rosada, protegendo a produtividade e a qualidade da fibra ao longo de toda a safra.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.
Perguntas frequentes
1. É possível identificar a lagarta-rosada sem abrir a maçã do algodão?
Dificilmente pelo lado de fora. O orifício de entrada é pequeno e discreto, sem excrementos visíveis. O diagnóstico confiável exige abrir a maçã manualmente.
2. Qual a diferença entre lagarta-rosada e lagarta-da-maçã (Chloridea virescens)?
A lagarta-da-maçã é maior, abre orifícios mais largos na maçã e deixa excrementos visíveis do lado de fora. A lagarta-rosada tem orifício discreto e dano concentrado em câmaras internas, sem sinais externos evidentes.
3. Algodão Bt protege totalmente a lavoura contra a lagarta-rosada?
Não. A resistência da lagarta-rosada ao algodão Bt já foi documentada em outros países, como a Índia. Por isso, o Bt precisa ser combinado com área de refúgio, monitoramento e rotação de modos de ação de inseticidas.
4. Com que frequência as armadilhas de feromônio devem ser avaliadas?
As armadilhas devem ser instaladas antes do florescimento e avaliadas periodicamente, com densidade e frequência de leitura definidas conforme orientação técnica regional.
5. O que fazer ao encontrar lagartas vivas em algodão Bt?
É o principal sinal de possível resistência. É recomendável coletar amostras e enviar para bioensaio em laboratório, para confirmar o diagnóstico.


Deixe um comentário