Os preços do trigo registraram leves ajustes no mercado brasileiro, sustentados pela retração de vendedores e pela nova projeção oficial para a safra de trigo 2026, que aponta a menor produção nacional em cinco anos. Segundo pesquisadores do Cepea, a baixa liquidez e o abastecimento confortável dos moinhos ainda pressionam os valores, mas a oferta mais restrita começa a dar sustentação às cotações em algumas praças.
Safra de trigo 2026 recua 23,5% frente ao ciclo anterior
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a estimativa da produção brasileira, reduzindo em 4,5% o volume esperado em relação ao levantamento anterior. A projeção passou de 6,30 milhões para 6,03 milhões de toneladas.
Caso o número se confirme, o resultado será:
- O menor desde 2020.
- 23,5% inferior ao registrado na safra passada.
De acordo com o Cepea, a revisão reflete principalmente a redução da área cultivada no Sul do país e a menor produtividade em parte do Centro-Oeste.
Cenário regional: Rio Grande do Sul e Paraná em movimentos opostos
No Rio Grande do Sul, a baixa liquidez, a demanda reduzida da indústria moageira e o abastecimento relativamente confortável dos moinhos mantêm a pressão sobre os preços. Já no Paraná, a menor disponibilidade do cereal tem sustentado as cotações no mercado de lotes, mesmo com o ritmo de negócios ainda tímido.
Cotações Cepea/Esalq
No fechamento de segunda-feira (20), os indicadores registraram os seguintes patamares:
- Paraná: R$ 1.395,99 por tonelada, com recuo de 0,28% no dia e alta acumulada de 2% em julho.
- Rio Grande do Sul: R$ 1.304,61 por tonelada, queda de 0,22% na sessão e baixa de 1,87% no mês.
O comportamento distinto entre os dois principais estados produtores reforça o cenário de oferta desigual pelo país e ajuda a explicar os movimentos pontuais observados no mercado ao longo do mês.
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