Atualizado em 28/08/2025
A safra brasileira de milho 2024/25 caminha para ser uma das maiores da história, impulsionada, principalmente, pelo desempenho excepcional da segunda safra, o milho safrinha.
Segundo dados do 11º boletim de grãos da Conab, divulgado dia 14 de agosto de 2025, a produção total de milho deverá alcançar 137 milhões de toneladas, o que configura um novo recorde histórico, superando a safra 2022/23
A safrinha de milho, com colheita já na reta final, foi estimada em 109,6 milhões de toneladas no décimo primeiro levantamento, um forte aumento em relação à projeção de 101 milhões feita no 9º levantamento de junho/2025 (que por sua vez já superava os 99,8 milhões previstos no mês anterior).
As condições climáticas favoráveis durante o desenvolvimento das lavouras, especialmente as boas chuvas em abril e maio, contribuíram para elevadas produtividades na maioria das regiões produtoras.
Por outro lado, esse grande volume colhido vem exercendo pressão de baixa nos preços do milho no mercado interno, de acordo com levantamentos do Cepea. No início de junho, o indicador Cepea/Esalq (Campinas – SP) registrou valores em torno de R$ 68–69 por saca, patamar bem inferior ao observado no mesmo período do ano passado. Ao longo do avanço da colheita de inverno, as cotações recuaram ainda mais – por exemplo, em meados de agosto o indicador Cepea se situava na casa de R$ 63/saca
Analistas, entretanto, não descartam alguma recuperação de preços. De qualquer forma, no curto prazo o mercado permanece acomodado pela ampla disponibilidade do cereal, beneficiando setores consumidores (fábricas de ração, produtores de proteína animal) e desafiando os produtores de milho a buscarem estratégias de gestão de estoque e comercialização.
A seguir, detalhamos o panorama da reta final da safrinha de milho, o andamento da colheita e o balanço de oferta e demanda para esse grão tão importante. Confira!
Destaques do milho safrinha 2025
A segunda safra de milho, historicamente chamada de “safrinha”, ganhou enorme importância e hoje responde por cerca de 80% de todo o milho produzido no Brasil. Ou seja, a “pequena safra” de outrora se tornou, na verdade, a principal safra do cereal no país.
Em 2025, a área semeada na segunda safra seguiu a tendência de crescimento modesto, mas a produtividade média avançou graças ao clima favorável, resultando em uma colheita muito superior à da temporada anterior. Inicialmente projetada com aumento de ~12% sobre 2023/24, a produção da safrinha foi revista para uma alta de 21,7% em relação ao ano passado.

Observa-se um salto de produção estimado em 2025, alcançando 109,6 milhões de toneladas, recuperando-se da queda registrada em 2020/21 (devido à seca) e superando em 21,7% a safra 2023/24.
Esse volume também ultrapassa o recorde anterior (2022/23, com cerca de 102 milhões de t), consolidando a safra 2024/25 como a maior segunda safra de milho já registrada. A expansão deve-se, sobretudo, ao aumento de produtividade, uma vez que a área plantada variou pouco. Nesta temporada, muitos produtores enfrentaram atrasos no plantio (devido à colheita tardia da soja) e cultivaram parte da área fora da janela ideal, o que elevou os riscos climáticos.
De fato, de acordo com a Conab, em algumas regiões, como partes de Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, as lavouras implantadas mais tarde sofreram déficit hídrico no florescimento e no enchimento de grãos, o que pode limitar os rendimentos locais.
Porém, no geral, as chuvas se regularizaram na maior parte dos polos produtores durante o outono. As regiões do Centro-Oeste, por exemplo, que concentram quase 60% da safrinha nacional, receberam precipitações adequadas em abril e maio, garantindo o bom desenvolvimento das lavouras. Com isso, a produção do milho safrinha tende a crescer cerca de 21% em relação ao ano anterior, atingindo o maior volume da série histórica para a segunda safra. Vale ressaltar que a colheita da safrinha foi iniciada em junho e, nas próximas semanas de agosto, deve se encerrar nos principais Estados produtores, um calendário típico, visto que o milho safrinha é semeado após a soja e colhido durante o inverno (junho-julho, estendendo-se em algumas regiões até agosto).
Essa mudança de patamar da safrinha ao longo dos anos é evidente: há 20 anos, o milho de segunda safra era realmente “pequeno”, mas cresceu quase 9 vezes em volume desde meados dos anos 2000, enquanto a produção da primeira safra de verão diminuiu (muitos agricultores optaram por plantar soja no verão, cultura mais rentável e de menor risco climático). Hoje, a segunda safra não só domina em participação, como é decisiva para o abastecimento interno e para as exportações brasileiras de milho.
Andamento da colheita do milho safrinha por região
Até o início de agosto de 2025, a colheita do milho safrinha acelerou consideravelmente em relação ao mês de junho. Segundo o Progresso de Safra da Conab, 83,7% da área estava colhida até a semana de 09/08, aproximando-se da média dos últimos anos (84,3%).
Nos maiores Estados produtores, a retirada do milho das lavouras entra na fase final, com Mato Grosso praticamente concluindo os trabalhos. Abaixo, trazemos um panorama da colheita e as condições das lavouras em cada região:


Mato grosso
- Situação: colheita praticamente finalizada em todo o Estado, favorecida pelo clima seco no inverno.
- Produtividade: excelentes rendimentos, acima das expectativas preliminares, graças ao bom desenvolvimento das lavouras.
- Destaque: maior parte da área foi cultivada dentro da janela técnica recomendada. O Estado deverá produzir cerca de 53,5 milhões de toneladas, aproximadamente 49% do milho safrinha do país, consolidando sua liderança na cultura.
Paraná
- Situação: a redução das precipitações no inverno permitiu avanço acelerado na área colhida. Por volta de 75% da safra já estava colhida no início de agosto, adiantando-se em relação à média histórica.
- Desafio: lavouras semeadas tardiamente nas regiões de extremo oeste e norte tiveram o potencial produtivo impactado pelas condições climáticas menos favoráveis no desenvolvimento.
Mato Grosso do Sul
- Situação: colheita em ritmo mais lento, com cerca de 60% da área colhida até o início de agosto, em parte porque muitas lavouras aguardaram a redução da umidade dos grãos para serem colhidas.
- Problemas fitossanitários: observou-se aumento de cigarrinha, pulgão e doenças foliares (como mancha‑branca, diplodia, bipolaris), exigindo maior atenção dos produtores e podendo limitar os rendimentos em focos isolados.
Goiás
- Situação: a colheita se concentrou nas lavouras do sul do Estado, onde já avança bem e apresenta boas produtividades.
- Contraste: regiões do leste e parte do norte registraram rendimentos comprometidos pela escassez hídrica durante fases críticas, resultando em produtividades aquém do potencial.
Minas gerais
- Situação: colheita em ritmo ainda lento em algumas áreas devido à elevada umidade dos grãos no pós-maturação, embora tenha ganhado velocidade ao longo de agosto (aproximadamente 75% da área colhida na primeira quinzena do mês).
- Desafios: a safra enfrentou veranico inicial e elevadas pressões fitossanitárias (cigarrinha, lagarta e doenças foliares), fatores que podem ter limitado a produtividade em determinadas localidades.
Outros Estados
- Tocantins: colheita avança (já praticamente concluída) com produtividades acima do estimado inicialmente, surpreendendo positivamente.
- Maranhão e Pará: boa qualidade de grãos colhidos e produtividades satisfatórias, dentro ou acima da média, consolidando resultados favoráveis na safrinha.
- Nordeste (outros polos): situação irregular, com áreas afetadas por veranico (especialmente na Paraíba e em Pernambuco) resultando em quebras localizadas, enquanto outras regiões tiveram desempenho dentro do esperado.
Balanço de oferta e demanda do milho brasileiro: consumo em alta, exportações e estoques

Na tabela acima, estão apresentados os estoques iniciais, produção, importações, oferta total, consumo interno, exportações e estoques finais de cada ciclo. Nota-se a forte redução dos estoques finais em 2023/24, para aproximadamente 1,85 milhão de toneladas, seguida de uma recomposição expressiva em 2024/25 – elevando os estoques finais para cerca de 10,26 milhões de toneladas (estimativa de ago/2025). Esse alívio nos estoques decorre da oferta significativamente maior nesta temporada, com a produção total saltando de 115,5 milhões de t em 2023/24 para 137,0 milhões de t em 2024/25.
A oferta abundante de milho nesta safra vem ao encontro de uma demanda interna crescente. A Conab indica que 90,3 milhões de toneladas do milho 2024/25 serão consumidas internamente ao longo do ciclo, volume cerca de 7,5% superior ao do ciclo anterior (aprox. 84,0 milhões de t em 2023/24).
Esse aumento no consumo doméstico é impulsionado principalmente pelo setor de rações para animais – a pecuária brasileira quebrou recordes de produção de carnes em 2024, elevando a demanda por milho – e pela expansão da indústria de etanol de milho no Brasil. Estima-se que cerca de 70% do milho consumido internamente seja destinado à nutrição animal e aproximadamente 15% à fabricação de etanol, com o restante dividido entre uso em sementes e alimentos industriais. Esse dinamismo do mercado interno tem importante impacto no equilíbrio de oferta: mesmo com a safra volumosa, grande parte do cereal encontra uso dentro do país.
Em relação às exportações, a Conab revisou para cima a estimativa de embarques de milho em 2024/25, agora projetando 40,0 milhões de toneladas. Esse volume supera inclusive o recorde de 38,5 milhões exportado no ciclo passado e fica bem acima dos 34 milhões previstos no levantamento de junho.
Ou seja, o Brasil não apenas se mantém como um dos maiores exportadores globais de milho (atrás apenas dos Estados Unidos), como deve inclusive ampliar os embarques em 2025 graças à safra abundante. Analistas indicam que, apesar do consumo interno aquecido, com os setores de carnes e de biocombustíveis absorvendo uma fatia maior da safra, o volume excepcional colhido permite atender ao mercado doméstico e sustentar exportações recordes, sem comprometer o abastecimento interno. Os volumes exportados permanecem robustos e o Brasil consolida sua posição de destaque no mercado internacional de milho, reflexo direto da supersafra em curso.
Um dado muito positivo é a recuperação dos estoques de passagem. Em 2023/24, devido à safra menor e às exportações elevadas, os estoques finais brasileiros de milho caíram a um nível mínimo em torno de 1,8 milhão de toneladas, praticamente um esgotamento de estoques. Já em 2024/25, com a produção ampliada e apesar das exportações recordes, projeta-se que os estoques finais se elevem para cerca de 10,3 milhões de toneladas, mais de cinco vezes acima do volume do ano anterior, reforçando a segurança do abastecimento interno.
Essa recomposição dos estoques é ressaltada pelos novos números da Conab, sinalizando alívio após a forte contração dos inventários no ciclo passado. Vale notar que tanto a projeção de exportações quanto a de estoques de passagem foram revistas para cima no levantamento de agosto, superando consideravelmente as expectativas de junho.
Do ponto de vista do mercado e dos preços, a entrada dessa grande safra tem resultado em cotações mais baixas em 2025. Nas principais praças, os preços internos do milho recuaram durante o avanço da colheita de inverno, refletindo a oferta elevada. Por exemplo, no início de junho, o indicador Cepea/Esalq (Campinas – SP) registrou valores em torno de R$ 68–69 por saca (60 kg), patamar bem inferior ao observado no mesmo período do ano passado.
Conforme reportou o Cepea, “os preços do milho seguem em queda” sob a pressão da safra volumosa. Entretanto, analistas não descartam alguma recuperação nas cotações no segundo semestre. Caso ocorram perdas nas lavouras mais tardias (devido a geadas ou falta de chuva no final) ou se o ritmo de exportações ganhar força acima do previsto, os preços podem reagir moderadamente nos próximos meses.
De qualquer forma, no curto prazo, o mercado permanece acomodado pela ampla disponibilidade do cereal, beneficiando setores consumidores, como fábricas de ração e produtores de proteína animal, enquanto desafia os produtores de milho a buscarem estratégias de gestão de estoque e comercialização.
Perspectivas e recomendações
Em suma, o Brasil colhe em 2024/25 uma safra de milho excepcional, que estabeleceu um novo recorde de produção, puxada pelo milho safrinha que atingiu produtividade elevada graças ao clima favorável. Com isso, o país assegura tranquilamente o abastecimento interno (inclusive recompondo seus estoques de passagem) diante de uma demanda doméstica em ascensão, seja para ração animal ou para etanol, segmentos que crescem e agregam valor à cadeia do milho.
Por outro lado, o excesso de oferta momentâneo pressiona os preços para baixo, exigindo atenção dos produtores na gestão de custos e na comercialização da produção. Ainda assim, a perspectiva geral é positiva: o Brasil consolida mais um grande ciclo de milho, garantindo abastecimento, mantendo-se competitivo no comércio exterior, com embarques recordes, e demonstrando a resiliência e a evolução tecnológica de sua agricultura.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário