Açúcar e café tiveram movimentos opostos nas bolsas nesta quinta-feira (29): o açúcar bruto subiu 0,7% em Nova York, impulsionado pela preocupação com a oferta brasileira, enquanto os contratos de café recuaram diante de sinais sobre estoques e da desvalorização do real.
A produção de açúcar no Centro-Sul do Brasil caiu 27,1% na primeira quinzena de outubro ante o mesmo período do ano passado, para 1,87 milhão de toneladas, informou o Ministério da Agricultura na quarta-feira (28), conforme a notícia retratada nas imagens. Chuvas excessivas relacionadas ao El Niño têm afetado as áreas canavieiras, e novas precipitações eram esperadas para o fim de semana e a semana seguinte.
Açúcar e café: chuvas pressionam oferta brasileira, enquanto estoques pesam sobre as cotações
A queda na produção quinzenal reforçou as preocupações com a disponibilidade de açúcar no curto prazo. O mercado também vinha recebendo sustentação, desde julho, por projeções de menor oferta global. Entre os fatores citados por uma corretora estão danos causados por calor e seca às lavouras de beterraba na Europa e expectativas de uma safra menor de cana na Índia, associadas a uma monção fraca.
O contrato de açúcar branco também encerrou em alta. A cotação subiu 0,4%, para US$ 527,60 por tonelada métrica.
Movimentos do açúcar registrados na sessão:
- Açúcar bruto na ICE: alta de 0,7%, a 19,47 centavos de dólar por libra-peso.
- Açúcar branco: alta de 0,4%, a US$ 527,60 por tonelada métrica.
- Centro-Sul do Brasil: produção de açúcar caiu 27,1% na primeira quinzena de outubro, para 1,87 milhão de toneladas.
Café arábica cai com atenção aos estoques certificados
O café arábica seguiu na direção oposta. Os futuros na ICE recuaram 1,3 centavo, ou 0,5%, e fecharam a US$ 2,8545 por libra-peso, depois de tocar US$ 2,8080, menor nível desde o fim de setembro.
O mercado avaliou sinais de que a sequência de queda dos estoques certificados da ICE pode estar perdendo força. Mais de 42 mil sacas chegaram aos armazéns da bolsa e aguardavam recomendação, segundo os dados citados na reportagem.
A desvalorização do real brasileiro também pressionou o arábica. Com a moeda local mais fraca, produtores, usinas e exportadores podem ter maior incentivo a vender contratos cotados em dólar, já que a conversão amplia a receita em reais.
Robusta recua com colheita em andamento no Vietnã
O café robusta caiu 0,7%, para US$ 3.176 por tonelada. O contrato havia atingido na segunda-feira o menor valor desde março de 2024. A pressão veio do aumento dos estoques nas bolsas e do avanço da colheita no Vietnã, maior produtor mundial da variedade, fatores que também pesam sobre os preços no mercado interno vietnamita.
Assim, açúcar e café tiveram desempenho distinto na sessão: o primeiro avançou com o mercado atento às chuvas e à produção brasileira; os cafés recuaram diante de sinais sobre estoques, câmbio e colheita. As cotações e variações citadas correspondem aos contratos e mercados mencionados na reportagem original reproduzida nas imagens.
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