A infestação do ácaro-rajado (Tetranychus urticae) pode causar perdas severas na produção de rosas e flores de corte, comprometendo a qualidade comercial das hastes e botões. Em ambientes protegidos, como estufas, a rápida multiplicação dessa praga, aliada à resistência crescente a acaricidas, torna o manejo químico isolado cada vez menos eficaz. 

O controle biológico, por meio da liberação de ácaros predadores, surge como alternativa sustentável e tecnicamente recomendável para manter a população do ácaro-rajado sob controle, reduzindo o uso de defensivos e preservando a qualidade das flores. O sucesso dessa estratégia depende do conhecimento detalhado sobre a biologia dos predadores, o monitoramento preciso e a adoção de práticas culturais adequadas. 

Neste artigo, você encontrará informações técnicas sobre o ciclo do ácaro-rajado, as características dos principais ácaros predadores, estratégias de liberação, monitoramento, compatibilidade com defensivos e respostas às dúvidas mais frequentes sobre o controle biológico em rosas. 

Ficha rápida 

Item Resumo 
Praga Ácaro-rajado (Tetranychus urticae) 
Predador especialista Phytoseiulus spp. (P. macropilis, nativo, e P. persimilis) 
Predador generalista Neoseiulus californicus, usado na prevenção 
Estratégias de liberação Preventiva, em focos, combinada e inundativa 
Condição crítica Umidade relativa baixa prejudica o Phytoseiulus 

Principais pontos 

  • O Phytoseiulus é o predador mais especializado e voraz contra o ácaro-rajado nas rosas. 
  • O Neoseiulus californicus sobrevive com pouca presa e atua de forma preventiva. 
  • A estratégia combinada, com Neoseiulus em área total e Phytoseiulus nos focos, é a mais usada para controle estável. 
  • Os predadores devem ser liberados o quanto antes após o recebimento, nas horas mais frescas do dia. 
  • Acaricidas, inseticidas e alguns fungicidas podem prejudicar os predadores; consultar as tabelas de seletividade. 

Dinâmica do controle biológico de ácaros: princípios e aplicações 

O controle biológico do ácaro-rajado utiliza ácaros predadores da família Phytoseiidae, que se alimentam de ovos, larvas, ninfas e adultos da praga. Nas rosas, o Phytoseiulus é o predador mais especializado e voraz contra o ácaro-rajado, sendo frequentemente combinado com o Neoseiulus californicus para um controle mais estável. 

O uso de ácaros predadores é fundamental em rosas devido à facilidade com que o ácaro-rajado desenvolve resistência a acaricidas e à necessidade de manter hastes e botões livres de danos, já que a cultura exige padrão visual elevado e está sujeita a aplicações químicas frequentes ao longo do ano. 

Desafios do ácaro-rajado na produção de rosas 

O ácaro-rajado, Tetranychus urticae, pertence à família Tetranychidae e é um dos principais desafios fitossanitários em flores de corte. Com origem cosmopolita, essa espécie se dispersou globalmente por meio do comércio de mudas e flores, tornando-se praga recorrente em cultivos protegidos. 

No Brasil, o ácaro-rajado afeta principalmente regiões produtoras de flores de corte, com maior incidência em ambientes de clima quente e seco, onde o ciclo da praga é acelerado. As estufas, por proporcionarem condições estáveis de temperatura e umidade, favorecem o desenvolvimento e a multiplicação do ácaro-rajado, especialmente em períodos de baixa umidade relativa. 

O ácaro-rajado apresenta ciclo curto, podendo completar uma geração em menos de dez dias sob condições favoráveis. A praga se instala preferencialmente na face inferior das folhas, onde produz teias protetoras e se alimenta do conteúdo celular, causando danos fisiológicos e morfológicos significativos. 

Como o ácaro-rajado compromete a produtividade e a qualidade das flores 

O ataque do ácaro-rajado resulta em pontuações cloróticas nas folhas, bronzeamento, secamento e queda prematura das folhas. Em infestações elevadas, as teias podem cobrir folhas e botões, prejudicando a fotossíntese e a qualidade visual das hastes. A perda de folhas e o comprometimento do vigor reduzem o padrão comercial das flores, impactando diretamente a rentabilidade do cultivo. 

Folha com teia fina e pequenos pontos esbranquiçados, em close, sinais de infestação de ácaros

Phytoseiulus: predador-chave no combate ao ácaro-rajado 

O gênero Phytoseiulus, pertencente à família Phytoseiidae, destaca-se como predador especialista de ácaros do gênero Tetranychus. As espécies mais relevantes são Phytoseiulus macropilis, nativa do Brasil, e Phytoseiulus persimilis, amplamente utilizada em outros países. 

O Phytoseiulus apresenta coloração alaranjada a avermelhada, movimentação ágil e alta voracidade, sendo capaz de consumir grande quantidade de ovos e formas jovens do ácaro-rajado diariamente. Entre suas principais vantagens estão: 

  • Alta voracidade e desenvolvimento rápido; 
  • Capacidade de reduzir focos de ácaro-rajado em pouco tempo; 
  • Facilidade de deslocamento pelas teias produzidas pela praga. 

No entanto, o Phytoseiulus depende da presença do ácaro-rajado para sobreviver, podendo migrar ou morrer quando a população da praga diminui. Além disso, é sensível à baixa umidade, exigindo liberações repetidas em áreas onde a praga some e retorna. 

No Brasil, o uso de Phytoseiulus macropilis está registrado para controle biológico, conforme consulta ao Agrofit/MAPA. 

Neoseiulus californicus: aliado estratégico do Phytoseiulus no manejo integrado 

O Neoseiulus californicus é um ácaro predador generalista, capaz de se alimentar de diferentes espécies de ácaros e sobreviver com baixa densidade de presas, utilizando pólen e outros recursos alimentares. Sua principal função no manejo é a prevenção, mantendo a população do ácaro-rajado em níveis baixos e estáveis. 

A combinação de Neoseiulus californicus com Phytoseiulus permite um controle mais robusto, pois o primeiro atua de forma preventiva e o segundo elimina rapidamente os focos de infestação. 

Tabela comparativa entre Phytoseiulus spp. e Neoseiulus californicus 

Característica Phytoseiulus spp. Neoseiulus californicus 
Tipo de predador Especialista em Tetranychus Generalista, preferência por ácaros 
Voracidade Muito alta Moderada 
Sobrevivência sem presa Baixa Maior, pode usar pólen 
Tolerância a baixa umidade Menor Maior 
Tolerância a temperaturas altas Moderada Maior 
Melhor uso Controle de focos Prevenção e manutenção 

Táticas recomendadas para a introdução de ácaros predadores 

A escolha da estratégia de liberação depende do histórico da estufa, do nível de infestação e das condições ambientais. As principais abordagens são: 

Tabela de estratégias de liberação 

Estratégia Como funciona Quando usar 
Preventiva Liberações periódicas antes do aumento da praga, geralmente com Neoseiulus californicus Estufas com histórico de ácaro-rajado e períodos de risco 
Em focos Liberação concentrada de Phytoseiulus nos pontos infestados Quando o monitoramento identifica focos 
Combinada Neoseiulus californicus em área total e Phytoseiulus nos focos Estratégia mais usada para controle estável 
Inundativa Liberação de grande número de predadores para rápida redução da praga Infestações altas, com orientação técnica 

A proporção entre predador e presa deve ser definida conforme recomendação do fornecedor e do responsável técnico, considerando o nível de infestação e as condições da estufa. 

Procedimentos práticos para a liberação eficiente de ácaros predadores em ambientes protegidos 

  1. Receber e liberar os predadores o quanto antes, pois são organismos vivos e perdem qualidade com o tempo. 
  1. Armazenar, se necessário, conforme orientação do fornecedor, longe do calor e do sol. 
  1. Girar suavemente o frasco antes de liberar para distribuir os ácaros no material de suporte. 
  1. Distribuir o material sobre as folhas, priorizando os focos e o terço onde a praga está presente. 
  1. Realizar a liberação nas horas mais frescas do dia. 
  1. Marcar os pontos de liberação para acompanhamento do resultado. 
  1. Evitar aplicações de produtos incompatíveis antes e depois da liberação. 

Fatores ambientais determinantes para o sucesso do controle biológico 

  • Umidade relativa: umidade muito baixa prejudica ovos e sobrevivência do Phytoseiulus. 
  • Temperatura: temperaturas elevadas favorecem o ácaro-rajado e podem reduzir a eficiência dos predadores. 
  • Manejo da estufa: ventilação, sombreamento e nebulização contribuem para manter condições favoráveis aos predadores. 

Técnicas de monitoramento e avaliação da eficácia do controle biológico 

  • Inspecionar as folhas com lupa, principalmente na face inferior. 
  • Estimar a porcentagem de folhas com ácaro-rajado e com predadores. 
  • Mapear e marcar os focos de infestação. 
  • Acompanhar a relação entre predadores e presas ao longo das semanas. 
  • Registrar todas as liberações, aplicações e condições climáticas. 

Interação entre controle biológico e defensivos agrícolas: pontos de atenção 

O uso de acaricidas, inseticidas e alguns fungicidas pode prejudicar os ácaros predadores. É fundamental consultar as tabelas de seletividade dos fornecedores para escolher produtos compatíveis e planejar os intervalos entre aplicações e liberações. Produtos como enxofre e piretroides costumam ser prejudiciais aos fitoseídeos, devendo ser evitados próximos às liberações. 

Práticas culturais que potencializam o controle biológico de ácaros 

  • Controlar plantas daninhas hospedeiras do ácaro-rajado. 
  • Evitar o estresse hídrico das plantas. 
  • Manter adubação nitrogenada equilibrada. 
  • Remover folhas muito infestadas. 
  • Realizar limpeza da estufa entre ciclos. 
  • Controlar o trânsito de pessoas e materiais entre áreas infestadas e limpas. 

Principais falhas e como evitá-las no manejo biológico de ácaros 

  • Liberar Phytoseiulus sem a presença do ácaro-rajado. 
  • Realizar a liberação apenas quando a infestação já está muito alta. 
  • Aplicar produtos incompatíveis logo antes ou depois da liberação. 
  • Deixar os predadores expostos ao calor antes da liberação. 
  • Não monitorar a presença dos predadores após a liberação. 
  • Manter a estufa com umidade muito baixa. 

Controle biológico: Syngenta – eficiência sustentável para rosas de alta qualidade 

O controle biológico do ácaro-rajado em rosas, por meio da integração de Phytoseiulus e Neoseiulus californicus, representa uma estratégia sustentável e tecnicamente recomendável para manter a qualidade das flores e reduzir a dependência de acaricidas. O sucesso depende do monitoramento constante, da escolha correta dos predadores, do manejo ambiental e da compatibilidade com defensivos. Consulte sempre o responsável técnico e os fornecedores para adequar as liberações à realidade da sua estufa. 

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Perguntas Frequentes 

1. Entenda o funcionamento do controle biológico contra o ácaro-rajado 

Ácaros predadores, como Phytoseiulus e Neoseiulus californicus, são liberados na lavoura e se alimentam de ovos, larvas, ninfas e adultos do ácaro-rajado, reduzindo a população da praga sem depender apenas de acaricidas. 

2. Características e vantagens do Phytoseiulus 

É um gênero de ácaros predadores especializados em ácaros do gênero Tetranychus, como o ácaro-rajado. Ele é muito voraz e reduz rapidamente os focos da praga. As espécies mais usadas são Phytoseiulus macropilis e Phytoseiulus persimilis. 

3. Diferenças funcionais entre Phytoseiulus e Neoseiulus californicus 

O Phytoseiulus é especialista, muito voraz e ideal para eliminar focos, mas depende da presença do ácaro-rajado. O Neoseiulus californicus sobrevive com poucas presas e usa outras fontes de alimento, sendo mais indicado para a prevenção. Os dois costumam ser usados juntos. 

4. Identificando o momento ideal para a liberação de ácaros predadores em rosas 

As liberações preventivas começam antes de a praga aumentar, em estufas com histórico de ácaro-rajado. As liberações de Phytoseiulus são feitas nos focos identificados pelo monitoramento. O momento e a quantidade devem seguir a recomendação técnica e do fornecedor. 

5. Compatibilidade entre acaricidas e ácaros predadores: o que considerar 

Muitos acaricidas e outros defensivos prejudicam os predadores. Use as tabelas de seletividade dos fornecedores para escolher produtos compatíveis e planejar os intervalos entre aplicações e liberações. 

6. Possíveis causas para a baixa eficiência dos ácaros predadores em estufas 

As causas mais comuns são liberação tardia, umidade muito baixa, temperaturas muito altas, aplicação de produtos incompatíveis, armazenamento inadequado dos predadores e falta de monitoramento depois da liberação. 

7. Métodos para verificar a atuação dos predadores biológicos 

Examine as folhas com lupa. O Phytoseiulus é alaranjado a avermelhado, sem manchas escuras, e se movimenta rápido. Acompanhe ao longo das semanas se a população de ácaro-rajado diminui e se os predadores aparecem nos focos.