O plantio de milho no Rio Grande do Sul alcançou 80% dos 896,4 mil hectares previstos para a safra 2026/27, mas o avanço ocorre em ritmo desigual entre as regiões. Chuvas recorrentes, excesso de umidade no solo, temperaturas baixas e pouca luminosidade têm limitado as operações e afetado o desenvolvimento inicial de parte das lavouras, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar divulgado nesta quinta-feira (29). 

Nas áreas já semeadas, 95% das lavouras estão em fase vegetativa e 5% em florescimento. A Emater relata atraso no crescimento inicial, menor eficiência da adubação nitrogenada em algumas áreas, falhas de estande e necessidade de replantios pontuais. Em regiões mais adiantadas, produtores seguem com adubação de cobertura e controle de plantas daninhas. 

Plantio de milho 1ª safra no RS avança em condições desiguais 

A umidade elevada também exige atenção fitossanitária. De acordo com o boletim, o estado geral das lavouras é satisfatório, mas as condições úmidas podem favorecer doenças fúngicas. O acompanhamento da cigarrinha-do-milho e de percevejos continua entre os cuidados indicados para as áreas implantadas. 

No milho destinado à silagem, a semeadura chegou a 60% dos 369,4 mil hectares projetados. O plantio é mais escalonado do que o destinado à produção de grãos; as lavouras apresentam condições gerais boas e predominância do estágio vegetativo, embora o frio esteja limitando o crescimento inicial. A produtividade média projetada pela Emater/RS-Ascar é de 38.392 quilos por hectare. 

Situação das principais culturas de verão no levantamento: 

  • Milho para grãos: 80% da área prevista semeada; 95% das lavouras implantadas em fase vegetativa. 
  • Milho para silagem: 60% dos 369,4 mil hectares previstos semeados; produtividade projetada de 38.392 kg/ha. 
  • Soja: 10% dos 6,65 milhões de hectares previstos semeados, com avanço maior no Oeste. 
  • Arroz irrigado: plantio próximo da metade dos 861,8 mil hectares projetados, com atrasos por chuvas e solo encharcado. 

Soja e arroz também têm operações limitadas pelo excesso de umidade 

A semeadura da soja alcançou 10% dos 6,65 milhões de hectares previstos, com trabalhos mais adiantados no Oeste gaúcho. As lavouras implantadas apresentam emergência considerada satisfatória e estandes uniformes, mas a elevada umidade, as baixas temperaturas e a pouca luminosidade restringem as janelas de plantio. A produtividade inicial projetada é de 3.183 kg/ha. 

No arroz irrigado, o plantio está próximo de atingir metade da área prevista pelo Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), de 861,8 mil hectares. O Sudoeste apresenta avanço mais expressivo, enquanto a implantação está mais lenta na região central. Nas áreas já semeadas, frio e baixa luminosidade retardam o desenvolvimento, e há relatos de amarelecimento e falhas de estande em locais com condições hídricas desfavoráveis. Em parte das lavouras, a população de plantas ficou abaixo do ideal e pode exigir replantio. 

As chuvas elevaram os níveis de água em barragens e mananciais, favorecendo a disponibilidade hídrica para a safra de arroz. A continuidade do plantio, porém, ainda depende de condições que permitam a entrada de máquinas e reduzam o encharcamento do solo. A produtividade inicial estimada pela Emater/RS-Ascar é de 8.741 kg/ha. 

No feijão da primeira safra, a semeadura chegou a 40% dos 24,6 mil hectares previstos. O calendário varia entre regiões: áreas da primeira época estão adiantadas ou perto da conclusão, enquanto 45% da área estadual deverá ser implantada mais tarde, a partir de janeiro, nos Campos de Cima da Serra. A produtividade inicial projetada é de 1.759 kg/ha. 

Chuvas interrompem colheita e afetam qualidade dos grãos de inverno 

A colheita do trigo chegou a 34% dos 763,1 mil hectares cultivados, e 44% das lavouras estavam maduras e aptas para a operação. Chuvas, solo úmido e baixa radiação solar dificultam o acesso das máquinas e podem prejudicar o enchimento dos grãos e a qualidade comercial. 

Os resultados variam entre regiões. Em áreas com maiores danos, a Emater relata redução do peso hectolitro e presença de grãos ardidos, germinados ou danificados, fatores que limitam a classificação comercial. Geadas, granizo e vendavais ao longo do ciclo também provocaram perdas de rendimento em alguns locais. A projeção inicial de produtividade estadual é de 2.833 kg/ha, mas o boletim aponta ampla variação nos resultados observados. 

Entre outras culturas de inverno, a colheita alcançou 51% da área de aveia-branca e 65% da canola. Na canola, a umidade e as chuvas têm interrompido as operações; a produtividade média projetada é de 1.619 kg/ha, com variações conforme região e época de semeadura. A carinata chegou a 20% colhida, enquanto 10% da área de cevada já foi colhida. Para esta última, lotes com germinação abaixo do desejado e teor elevado de micotoxinas têm dificuldade de atender aos padrões da indústria de malteação. 

Emater acompanha impactos também em frutíferas 

O boletim registra efeitos das condições úmidas em diferentes frutíferas. Na região de Pelotas, a umidade e a baixa insolação favorecem doenças fúngicas em figueiras, incluindo antracnose. Em Santa Rosa, as chuvas durante a floração da manga prejudicaram a polinização e o pegamento de frutos, reduzindo o potencial produtivo informado para os pomares. 

Em áreas de melancia de São Francisco de Assis, parte das lavouras começa a entrar na fase reprodutiva e os produtores mantêm adubações e aplicações preventivas diante do tempo úmido. Na região de Caxias do Sul, neblina e pouca radiação solar contribuem para diferenças de calibre e coloração do pêssego em colheita. O quadro reforça a importância do acompanhamento local: os efeitos variam conforme cultura, estágio de desenvolvimento e condições de cada região. 

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