O arroz no Paraguai pode ganhar escala nos próximos anos, mas a expansão produtiva traz uma questão central para a cadeia: haverá mercado capaz de absorver novas safras? Para Sergio Cardoso, analista do setor, o avanço da produção precisa ser acompanhado por planejamento comercial, diversificação de destinos e maior previsibilidade nas vendas.
A discussão combina uma intenção de semeadura de 200 mil hectares para 2026/27 com o potencial de longo prazo do Chaco. Segundo Reinerio Franco, vice-presidente da Feparroz, a região teria cerca de 400 mil hectares aptos ao cultivo, conforme entrevista ao InfoNegocios. Esse número descreve uma possibilidade de expansão futura, não área já plantada nem garantia de demanda.
Arroz no Paraguai: intenção de plantio aumenta após cenário de cautela
Para a safra 2026/27, a produção paraguaia é estimada entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de toneladas. A intenção atual de semeadura também representa uma mudança em relação às avaliações feitas meses antes, quando preços baixos e custos elevados levavam representantes do setor a considerar uma redução da área para 150 mil a 160 mil hectares.
A diferença entre as estimativas sinaliza que as decisões de plantio respondem às condições econômicas e às expectativas de venda. Ainda assim, a ampliação da produção não deve ser interpretada isoladamente: o ritmo de escoamento e a capacidade dos compradores de absorver o cereal serão determinantes para a formação dos preços.
Os dados e estimativas citados para o Paraguai incluem:
- Intenção de semeadura em 2026/27: 200 mil hectares.
- Produção estimada: entre 1,2 milhão e 1,3 milhão de toneladas.
- Potencial atribuído ao Chaco: cerca de 400 mil hectares para cultivo no longo prazo, segundo a Feparroz.
Chuvas e atrasos mantêm incerteza sobre a produtividade
O desempenho da safra ainda depende das condições climáticas. Chuvas persistentes, inundações em Ñeembucú, atrasos no plantio e baixa luminosidade estão entre os fatores que podem afetar a produtividade. Até o momento, porém, não há perdas consolidadas informadas no material.
A distinção é importante: os riscos agronômicos apontam possíveis impactos, mas não permitem afirmar que uma redução de produção já ocorreu. O resultado dependerá da evolução do clima e das condições das lavouras ao longo do ciclo.
Dependência do Brasil concentra o risco comercial
A concentração das exportações é outro ponto de atenção. No primeiro semestre de 2026, o Brasil recebeu mais de 83% das vendas paraguaias de arroz, considerando o equivalente casca. Essa dependência torna o desempenho do mercado brasileiro especialmente relevante para os produtores e exportadores do país vizinho.
Ao mesmo tempo, a indústria brasileira enfrenta ociosidade, margens apertadas, crédito caro e pressão do varejo. Nesse contexto, a capacidade de absorção pode ser limitada, mesmo que o Paraguai amplie a produção. Para Cardoso, aumentar a oferta sem abrir novos destinos pode elevar a pressão sobre os preços no Mercosul.
Diversificação de destinos é vista como caminho para o setor
A abertura de mercados, especialmente na América Central, é apontada como uma alternativa para reduzir a concentração das vendas. Agregar valor ao produto e desenvolver instrumentos que ofereçam maior previsibilidade comercial também integram as possibilidades discutidas para acompanhar o crescimento produtivo.
A estratégia, segundo a análise apresentada, exige articulação regional entre Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina. A coordenação entre os países pode ajudar a alinhar expansão da oferta, acesso a compradores e condições de comercialização, embora não elimine as incertezas de clima e demanda.
O potencial agrícola do Chaco, portanto, representa uma oportunidade de longo prazo, mas não equivale a produção imediata ou mercado assegurado. A sustentabilidade de uma expansão dependerá tanto dos resultados no campo quanto da capacidade de diversificar destinos e evitar que o crescimento da oferta pressione ainda mais as cotações regionais.
A Syngenta está ao lado do produtor rural em todos os momentos, oferecendo as soluções necessárias para construirmos, juntos, um agro cada vez mais inovador, rentável e sustentável.
Confira a central de conteúdos Mais Agro para ficar por dentro de tudo o que está acontecendo no campo.


Deixe um comentário